Governo do Estado discute com Banco Mundial andamento do projeto Águas de Sergipe

Jackson discutiu melhorias nas bacias hidrográficas de Sergipe com representantes do Bird e o secretário de Meio Ambiente, Olivier Chagas/ Fotos: Marcos Rodrigues/ASN

No Perímetro Irrigado Jacarecica II estão inseridas no Projeto do PAS, ações de recuperação das matas ciliares de sua barragem. E nos perímetros Jacarecica I e Ribeira, administrados pela Cohidro, o Programa vai promover a substituição de todo sistema de irrigação para microaspersão automatizada, em todos os 592 lotes.

Até sexta-feira, 18, os representantes do banco permanecem em Sergipe avaliando o programa que será concluído em 2017. Ao fim da missão, um relatório será construído e novos ajustes serão discutidos na próxima visita, marcada para março de 2016.

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Fonte: Agência Sergipe de Notícias

Cohidro recebe nova retroescavadeira do Governo do Estado via Proinveste

 

retroescavadeira da Cohidro

Dentro do cronograma de investimentos do Governo do Estado via Proinveste, a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), acaba de receber a retroescavadeira adquirida com recursos do financiamento federal, em que o projeto destinou R$ 11 milhões para o reaparelhamento da Empresa Sergipana. Em breve, a diretoria da Estatal aguarda a finalização do processo licitatório para aquisição de caminhão caçamba que associado à máquina, executarão obras nos perímetros irrigados, em locações e manutenção de poços e na reforma de aguadas.

Os investimentos ocorrem simultaneamente na reforma da infraestrutura dos perímetros irrigados Piauí em Lagarto, Califórnia em Canindé de São Francisco, Jabiberi em Tobias Barreto e Ribeira, em Itabaiana. Acrescido da compra de novos equipamentos para incrementar o trabalho destes pólos de irrigação e na atividade de perfuração e recuperação de poços artesianos, como a aquisição de bombas submersas e brocas para as perfuratrizes. Segundo o diretor de Infraestrutura (Dinfra) da Cohidro, Paulo Henrique Machado Sobral, a máquina recém adquirida terá uma função polivalente, pois contribuirá em diversas funções.

“Vai prestar apoio às equipes de perfuração, na limpeza do acesso da locação, ajuda as equipes responsáveis por recuperar antigos poços. Temos também, a cargo da Dinfra, o trabalho de combate a dessedentação animal nos períodos de estiagem, através da recuperação e ampliação de pequenas barragens rurais. Nos perímetros irrigados, a retroescavadeira poderá atuar arrumando estradas rurais, no conserto de adutoras subterrâneas, limpeza das barragens. Enfim, é um equipamento que estava fazendo falta para a Cohidro e agora vai fazer render mais o resultado de nosso trabalho”, colocou Paulo Sobral.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, agradece aos governos Estadual e Federal pelo empenho que propiciou o Proinveste à Sergipe. “Foi uma luta ganha em favor do povo sergipano e estamos fazendo por onde melhor aplicar estes recursos, para aperfeiçoar a qualidade do serviço que prestamos, de levar a presença do Estado até o homem do campo e suas famílias, suprindo as carências por recursos hídricos. Muito me orgulha fazer parte deste processo que, como muitas outras ações paralelas feito o Água Para Todos e o Águas de Sergipe, estão fazendo a Companhia ser cada vez mais atuante e presente”, concluiu.

A retroescavadeira

Adquirido em processo licitatório, ao valor de R$ 195 mil, o equipamento tem a multifunção de escavação, elevação de carga e abertura de valas. É um equipamento com tração nas quatro rodas e motor turboalimentado, que permite trafegar todo tipo de terreno e tem sistema hidráulico reforçado, com bomba dupla de engrenagens, o que oferece uma vazão hidráulica de até 152 litros por minuto, reduzindo o tempo dos ciclos para realizar as tarefas. Possui controles eletrônicos que diminuem o esforço no manuseio, acrescido de cabine refrigerada, para melhor condição de trabalho do operador.

Paulo Sobral
O equipamento tem a multifunção de escavação, elevação de carga e abertura de valas
Mardoqueu Bodano

Governo investirá 90 milhões na Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe

Olivier Chagas – Foto: Paulo Tim Tim/Semarh

Será implantada nos perímetros irrigados Ribeira e Jacarecica I, em Itabaiana, a irrigação localizada, com respaldo do Programa Águas de Sergipe (PAS). Este será o principal investimento que os R$ 12 milhões, financiados pelo Banco Mundial, farão somente nos pólos de irrigação da Cohidro.

Incluindo outras ações do Governo do Estado, ao todo serão R$ 90 milhões investidos pelo Programa. O secretário de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Olivier Chagas, apresentou este e os outros projetos que estão previstos para a bacia hidrográfica do rio Sergipe através do PAS, na última quarta-feira, 02, na Câmara Municipal da Cidade.

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Governo do Estado apresenta o PAS aos irrigantes através da Cohidro

Reunião reuniu agricultores, técnicos e diretores da Empresa

Representantes das associações de produtores rurais irrigantes, dos perímetros irrigados João Alves Filho (Poção da Ribeira) e Jacarecica I, administrados pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) em Itabaiana e Areia Branca, foram recebidos na sede da Empresa, no último dia 11, por diretores, técnicos e o Secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca (Seagri), Esmeraldo Leal.

A pauta principal da reunião foi apresentar, aos agricultores, a ação de irrigação localizada a ser executada nos dois pólos de irrigação, com respaldo do Programa Águas de Sergipe (PAS), assim como expor os principais investimentos que os recursos, totalizando R$ 12 milhões financiados pelo Banco Mundial, trarão em suas atividades produtivas.

A Instituição Financeira, através da subsidiária Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) disponibilizou, ao Governo do Estado, o empréstimo de US$ 70,275 milhões, com a finalidade de recuperação e conservação da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe (BHRS). Nela estão inseridos os dois perímetros irrigados, além do Jacarecica II, que abrange os municípios de Malhador, Riachuelo e Areia Branca. Neste, estão inseridos no projeto, ações de recuperação das matas ciliares de sua barragem. Mas no Jacarecica I e Ribeira, além desses cuidados, o PAS vai promover a substituição de todo sistema de irrigação para microaspersão automatizada, em todos os 592 lotes.

O Engenheiro Agrônomo e mestre em Irrigação e Drenagem da Cohidro, Luiz Gonzaga Luna Reis, expôs seu estudo feito na área, que apresenta excesso no uso de água na irrigação e até o risco de desabastecimento, se não ocorrer uma total transformação no sistema. “O solo encharcado lava e tira os nutrientes do solo, inclusive a adubação posta pelo agricultor, além disso, favorece a salinização. Em cortes que fiz, encontrei água até a um metro de profundidade, o que não é necessário para o cultivo o que comprova o uso abusivo”, informou. Ele calcula que uma lâmina correspondente a um terço da água na barragem esteja espalhada no subsolo da área total dos perímetros. Sendo este montante “alimentado” todos os dias, através do excesso de irrigação, o dado corresponde a um desperdiço hídrico diário.

O especialista expôs que hoje, com o uso da aspersão convencional, o consumo mensal de água no Perímetro da Ribeira é de 3.200 metros cúbicos por hectare. “Com a implantação da Irrigação Localizada (Sistema de Microasperssão), esse consumo diminui para 1.200, o que é totalmente justificável a troca do sistema de irrigação, vindo também a permitir que a irrigação seja efetuada de forma 100% automatizada. Todo processo vai promover uma folga de vazão nos sistemas de bombeamento, da ordem de 44,35% na Ribeira, e de 27,71% em Jacarecica I”, conta Luiz Gonzaga. Mas o agrônomo falou que as transformações não param somente na troca dos aspersores.

“Não só os aspersores, como também toda tubulação, mangueiras, registros, filtros, injetores de fertilizantes, válvulas nos lotes, como também dos sistemas de bombeamento, serão fornecidos pela Cohidro no Programa. Equipamento novo, moderno e de primeira linha, que ainda incluiu o sistema automatizado que fará a gestão da água para até oito setores de irrigação diferentes, irrigando um de cada vez e sem sobrecarregar o sistema”, completou Luiz Gonzaga, lembrando que com a vazão reduzida em cada lote, os que são atendidos no final das adutoras terão o fornecimento regularizado.

Irrigação noturna

A preocupação com a economia, por parte dos especialistas que elaboraram o projeto do PAS, não se limitou somente à racionalização do uso da água para irrigação, explicou o Diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto. “O projeto inclui também a mudança no horário de bombeamento e irrigação, que passará a ser noturno, das 21h às 6h, somando nove horas de irrigação, justamente no período de tarifação reduzida da energia elétrica, utilizada no bombeamento”, colocou.

Para o Presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano, o plano prevê o uso racional de todos os recursos: naturais, energéticos e financeiros. “Vai se pagar o equivalente a 10% ou 15% do que se paga hoje. O menor gasto com a eletricidade vai contribuir com a redução do maior custo que o Governo do Estado tem com estes dois perímetros. Diante da atual conjuntura, de cortes de gastos em todos os níveis do poder executivo, nós estaremos assim contribuindo bastante com Sergipe”, justificou.

Mas olhando além do atual panorama da economia, que nacionalmente enfrenta situação corte de despesas públicas, Mardoqueu projeta, na iniciativa do PAS, o desenvolvimento para o futuro. “Isso é economia não só para a Estado, é para o contribuinte, que verá o dinheiro da Estatal investido em outros setores, como a própria ampliação da capacidade de irrigar, que é um dos aspectos previstos também no Programa. Se todos vão usar menos água e se ela não for fazer falta nas outras prioridades que tem a barragem, poderemos sim ampliar o número de famílias com acesso à um ponto de água para irrigação”, concluiu o presidente da Cohidro.

A parte dos irrigantes

A Diretoria de Irrigação, através da Coordenação do PAS, informou que nenhum agricultor irrigante vai ser forçado a aceitar as modificações sem antes ser ouvido em reuniões, a serem realizadas entre o final de agosto e início de setembro, na Ribeira e Jacarecica I. Ocasião em que poderão sugerir ou contestar qualquer ponto proposto. Depois dos detalhes discutidos, todos vão assinar um documento, firmando o compromisso em atender as orientações e deveres estipulados neste acordo. O ente financiador, no caso o BIRD, só liberará os recursos sob esta condição.

Janiel Domingos Santos é presidente da Associação dos Produtores Rurais do Povoado Mangabeira e presidente do Conselho de Desenvolvimento Social (CMDS) de Itabaiana. Ele posicionou-se a favor das mudanças e considera que a maioria dos irrigantes do Perímetro Irrigado da Ribeira, como ele, concordam que deva existir um controle no consumo de água, inclusive punindo aqueles que adulterarem os mecanismos de limitação, para ter acesso a mais água que os demais.

“Eu acho ótimo e isso pode resolver todos os problemas que existem hoje no Perímetro. A Cohidro precisa arranjar meios de proibir os abusos, que acabam prejudicando muito os agricultores que estão no fim de linha, onde a água demora e chega pouca. Lá 80% hoje pensa assim, só mesmo quem faz a coisa do modo errado, que prejudica os demais para ter mais água, é que vai ser contra”, enfatizou o agricultor Janiel, que produz em seu lote uma grande variedade de hortaliças.

Para o Secretário Esmeraldo Leal, ao mesmo tempo em que a Cohidro discute a sua própria reestruturação, para melhor cumprir sua obrigação, está preocupada com a melhoria da oferta da água nos perímetros irrigados que, para ele, contribuem muito com a economia do Estado na produção de alimentos e na economia. Mas o que ele considera mais importante é o fato dos beneficiários destes pólos agrícolas, os produtores, se mostrarem receptivos às mudanças e estão participando deste processo de modernização, em que o Governo está investindo.

“Os próprios beneficiários também se deram conta que eles têm que assumir um papel cada vez mais protagonista, de sujeito de fato, não só de beneficiário passivo, como alguém que recebe um favor do Estado, mas de alguém que ajuda a pensar todo perímetro e deve contribuir também, para que isso seja um financiamento mútuo.Até porque o Estado está fazendo um investimento muito grande, em tecnologia, justamente privilegiando este publico em especial. Toda sociedade ganha com o uso racional de água, que é importante pro planeta, não só para o Estado”, completa Esmeraldo.

O engenheiro Agrônomo da Cohidro, Antônio Paulo Feitosa, encerrou a reunião expondo, aos agricultores presentes, um estudo dos custos de uma possível taxação do fornecimento de água para irrigação. “Sanados todos os problemas que comprometem hoje a eficiência dos perímetros, a partir desta modernização e automação de todo sistema, o Governo do Estado imbuiu à Cohidro de averiguar uma forma de, ao menos, dividir este custo com a energia elétrica com o produtor. Custo que será bem menor do que é pago hoje, por operar em horário reduzido e rateado com todos os irrigantes, o valor total vai se tornar então bastante acessível”, finalizou.

Cohidro e Banco Mundial definem últimos ajustes para o “Águas de Sergipe”

Diretores, técnicos da Cohidro e o representante do BIRD

Foi realizada na quarta-feira, 27, reunião na Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), para discutir os últimos detalhes do projeto de implantação de sistema de irrigação localizada nos perímetros irrigados da Ribeira e Jacarecica I, em Itabaiana. Será uma das ações do “Programa Águas de Sergipe”, o qual destinou à Cohidro R$ 21 milhões para iniciativas de recuperação e conservação da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe (BHRS) e é financiado pelo Banco Mundial (BIRD).

Participou da reunião, além de diretores e técnicos da Cohidro, o consultor do Banco e especialista da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), Luis Loyola, enviado especial à Sergipe para avaliar o andamento do projeto que envolve outras empresas públicas e secretarias do Governo do Estado, a partir do empréstimo com o Banco Mundial no valor total de US$ 70,275 milhões.

Também neste componente, além do novo sistema de irrigação nos dois pólos de irrigação, serão recuperadas as áreas de preservação permanente das barragens de Jacarecica I, II e Ribeira, bem como serão elaborados manuais de segurança de barragens.

Para o presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano, a troca do sistema trará economia. “A intenção é diminuir o impacto ambiental causado pelo uso da água dos rios que abastecem as barragens usadas na captação de água para a irrigação nestes perímetros. Trocando pelo sistema de microaspersão, que usa muito menos água do que outros aspersores convencionais, o consumo será bem menor. A economia será tanta que vai permitir que mais água siga seu curso natural e de quebra, outros agricultores possam ter irrigação em seus lotes”, colocou.

O diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca, adiantou que o saldo da reunião foi bastante positivo, o que propiciou o andamento do projeto. “O representante do Banco considerou a reunião muito proveitosa e podemos estipular que em no máximo 150 dias, a compra dos equipamentos será licitada. Todos os aspersores serão trocados, recolhendo os modelos convencionais usados. Vale lembrar que além de água, o consumo da eletricidade será bem menor com o novo sistema, contribuindo muito com a redução dos gastos que o Governo do Estado tem com a manutenção dos dois perímetros”, concluiu.

Mardoqueu e Loyola
Luis Loyola
João Quintiliano

 

 

 

 

Governador discute Programa Águas de Sergipe com missão do Banco Mundial

Na tarde desta segunda-feira, 25, o governador Jackson Barreto se reuniu com representantes do Banco Mundial (BIRD) para debater a execução do Programa Águas de Sergipe, que é financiado pela instituição bancária internacional. Thadeu Abicalil, diretor e coordenador do Programa no Banco, comunicou ao governador que nos últimos meses o Águas de Sergipe sofreu um incremento e passou a operacionalizar as ações e processos de forma mais rápida e eficiente. O governador ficou satisfeito ao ouvir as observações do representante do Banco Mundial, e afirmou que não admite que um estado pobre como Sergipe, que precisa ampliar suas ações, perca recursos fundamentais para o seu desenvolvimento e para solucionar problemas graves como o uso correto da água.

O Programa Águas de Sergipe atua em três eixos: Gestão de Recursos Hídricos e Desenvolvimento Institucional; Água e Irrigação; e Água e Cidades. Ainda neste semestre será iniciada uma mudança de todo o sistema de irrigação dos perímetros irrigados da Ribeira e Jacarecica I, para que possam ter um sistema de mais eficiência e economia, com a possibilidade da ampliação das suas áreas irrigadas. Nestas e também em Jacarecica II serão recuperadas as áreas de preservação permanente das barragens, bem como a elaboração dos manuais de segurança que serão distribuídos para os beneficiários. O investimento dessas ações será na ordem de R$ 11 milhões.

A COHIDRO juntamente com a EMDAGRO estão responsáveis pela realização das obras, que tem como objetivo realizar intervenções físicas na Bacia do Rio Sergipe com ênfase aos perímetros irrigados e nas áreas de agricultura familiar.

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Novo frigorífico de Itabaiana solicita água à Seagri através da Cohidro

O empresário mostra a planta do novo empreendimento de Itabaiana

Em sua primeira visita oficial à sede Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), o novo secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Pesca (Seagri), Esmeraldo Leal compareceu à reunião entre a diretoria da Estatal e o Grupo Souza, que veio a fim de solicitar o fornecimento de água – da barragem do Perímetro Irrigado da Ribeira – para abastecer o novo frigorífico que o conglomerado industrial pretende instalar no município de Itabaiana. O encontro ocorreu na última sexta-feira, 6 e resultou no compromisso da Empresa Pública em realizar um estudo técnico quanto sua capacidade de atender esta demanda.

Moacir Souza, proprietário de outros frigoríficos no Estado da Bahia e de um curtume no município sergipano de São Domingos, pretende construir a unidade de processamento e abate de bovinos em Itabaiana, com intenção de atender o mercado interno de carne, mas operando de maneira diferente do que acontece neste tipo de empreendimento. O empresário quer oferecer o serviço de abate e beneficiamento da carne aos proprietários do boi, sejam pecuaristas ou marchantes. Geralmente a indústria compra o animal e vende os produtos beneficiados em atacado.

“Nossa estrutura poderá pegar o boi do cliente, abater, fazer o corte do produto dentro dos padrões de higiene legal, ao valor médio de R$ 70 a R$ R$ 80 por cabeça, fazendo a entrega – em embalagem plástica adequada – diretamente na banca ou ponto comercial, atendendo num raio de até 100 quilômetros de atuação”, relatou o empresário Moacir, que pretende investir R$ 20 milhões no novo frigorífico e criar 140 postos de trabalho diretos. Além da carne, outros subprodutos são gerados no processo, como o couro, o sebo para aplicação industrial e a farinha de osso.

O secretário Esmeraldo Leal vislumbra no projeto, além do incremento à economia da região, o benefício de propor uma solução ao problema do abate clandestino, que desqualifica a qualidade da carne. “Além de gerar os empregos diretos, ele cumpre um fim social extremamente importante, com relação aos abatedouros e temos também um problema com a liberação dos produtos derivados de carne. Então é um problema social, ambiental e econômico que pode ser resolvido. O Governo do Estado tem se colocado como instrumento de incentivo a iniciativas como esta e cabe a nós da Seagri e em especial agora a Cohidro, tentar ver o que é possível ser feito”, colocou.

A água da Ribeira
Na reunião foi exposto que todos os trâmites do projeto de instalação do empreendimento estão encaminhados, inclusive já possuí a necessária licença ambiental para funcionar. O que falta definir é como a indústria vai suprir sua necessidade mensal de seis mil metros cúbicos de água, destinada à operação de abate e processamento de carne. A área em que se pretende construir o frigorífico, já adquirida, fica em um dos lotes abastecidos pelo Perímetro Irrigado da Ribeira, administrado pela Cohidro no Município.

“Nós teremos que fazer um estudo, para que não comprometam, em nenhum momento, os beneficiários do Perímetro, mas se conseguirmos viabilizar, será um serviço importante, que é obrigação nossa do Estado de Sergipe. Hoje o empreendimento precisa basicamente da água, se a gente resolve a água, a gente está resolvendo o empreendimento, então o papel hoje da Cohidro é decisivo”, completou o secretário de Estado de Agricultura, sobre a prioridade dada ao assunto, a partir da realização da reunião na Companhia.

Já Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, recebeu os empresários e a Seagri colocando a Companhia à disposição do empreendimento, reiterando que se for possível fornecer água à indústria, não haverá nenhum impedimento. “A proposta a nós colocada inclusive cita que o frigorífico quer pagar pela água consumida e nós vamos providenciar – caso se conclua ser possível atender a solicitação – para que estes recursos sejam revertidos inteiramente nos custos operacionais e investimentos na Ribeira e assim fazer a justa compensação à estrutura hídrica que terá novas aplicações, além da que está acostumada a fornecer água”, considerou.

Diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, comenta que a água do Perímetro hoje é toda utilizada na agricultura, para fins de irrigação. “É uma demanda industrial, uma atividade nova que se pretende instalar na Ribeira, mas como tem uma função que vem para beneficiar a economia local e eliminar este problema sério que é o dos abatedouros, temos que levar isso em conta nesta solicitação, na hora de realizar o levantamento técnico que vai ser utilizado como resposta, positiva ou negativa”, expôs, alertando que a prioridade é o pólo de irrigação da Empresa.

Paulo Henrique Sobral, diretor de Infraestrutura da Companhia, explicou que é necessário avaliar o atual consumo da agricultura irrigada na Ribeira e a capacidade de armazenamento da barragem. “Temos que calcular se os 16,5 milhões de metros cúbicos do reservatório do Perímetro podem suportar continuar fornecendo água aos irrigantes – sem comprometer a oferta que hoje é durante todo ano – caso passe também a atender a demanda da nova indústria. Também será avaliado se a adutora, que atende a localidade onde vai ser construído o frigorífico, seria capaz de fornecer o volume requerido. Tudo isso vai ser levando em conta, incluindo os custos de um possível investimento na ampliação da rede de água”, concluiu.

Irrigação da Cohidro tem colheita recorde de 115 mil toneladas

Irrigação na Cohidro

O balanço anual da produção gerada nos seis perímetros irrigados da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), mais uma vez superou os números registrados no ano anterior: 115,2 mil toneladas de produtos agrícolas foram produzidas em 2014, aumento de 6,45%. Isso repercute também em um acréscimo de R$ 9,6 milhões na renda gerada pelos irrigantes, totalizando neste ano R$ 105,6 milhões, que beneficiaram 10,5 mil pessoas. O Perímetro Califórnia teve o maior aumento no volume, três mil toneladas colhidas a mais, porém foi no Perímetro Piauí que houve o maior percentual de crescimento, 10,5%.

Sônia Loureiro, gerente de Desenvolvimento Agropecuário da Cohidro, departamento responsável pelo levantamento anual da produção nos perímetros, revela que foram cultivados, ao todo, quase 500 hectares a mais do que em 2013, totalizando 6.191,3 hectares neste ano. “Só no Perímetro Califórnia, em Canindé de São Francisco, a área plantada aumentou em 10%. Sendo o maior da Cohidro, com área cultivada de mais de 2,5 mil hectares em 2014, o pólo de irrigação situado no Alto Sertão causou o maior impacto nos resultados”, informou, alertando também que a fertilidade do solo sofreu forte influência com o aumento da incidência de chuvas nos dois últimos anos, se comparado a 2012.

“No Califórnia, as principais culturas tiveram suas áreas de cultivo ampliadas, a exemplo do quiabo – que ocupa o maior espaço plantado nos lotes – de 710 hectares, passou para 780 neste ano, o que fez produzir 1.400 toneladas a mais. O mesmo aconteceu com a macaxeira, de 295 para 324,5 hectares, aumentando 13,6% a produção, seguido pelo feijão-de-corda 10%, milho e goiaba: 9%”, acrescentou a engenheira agrônoma Sônia Loureiro, informando que, no perímetro de Canindé, em 2014 ocorreu um crescimento total de 7,8% no que foi produzido.

Perímetros de Itabaiana
No Perímetro Irrigado da Ribeira, em Itabaiana, as hortaliças folhosas apresentaram a melhor alta de produção, sendo que de alface foram colhidas 11.280 toneladas, 480 a mais que em 2013, diferença que corresponde a R$ 2,6 milhões a mais na renda dos produtores quando comercializam o produto, que é vendido em Sergipe e na capital baiana, Salvador. Resultado parecido ocorre com o coentro, que em 2014 teve produção de 3.960 toneladas e rendeu R$ 11,9 milhões aos irrigantes. Ao todo o pólo de irrigação da Cohidro produziu neste ano 22 mil toneladas de alimentos.

Jacarecica I é o outro perímetro da Companhia em Itabaiana. Esta unidade de irrigação da Cohidro se destaca pela produção de batata-doce, que teve 3.900 toneladas colhidas em 2014, 500 a mais que no ano anterior e gerou R$ 3,5 milhões de renda aos produtores irrigantes. O Perímetro também produziu 6,5 mil toneladas de alimentos, quase 9% a mais que no ano passado, rendendo em torno de R$ 10 milhões de receita, contando com os ganhos de todas as culturas e que beneficiaram 630 pessoas.

Jacarecica II
Abrangendo os municípios de Malhador, Riachuelo e também Areia Branca, o Perímetro Irrigado Jacarecica II tem sua maior produção localizada no cultivo de cana-de-açúcar, que neste ano alcançou 34.650 toneladas colhidas, rendendo aos produtores, que abastecem as usinas da região, R$ 2,4 milhões. Tal atividade – que ocupa 495, dos 723 hectares de área plantada em 2014 – faz com que todos irrigantes assistidos pela Cohidro nesta unidade alcancem um total de 38,7 mil toneladas produzidas no período. Destaque também para o inhame cultivado no pólo de irrigação, que produziu 1,2 mil toneladas.

Jabiberi
Perímetro irrigado situado em Tobias Barreto, o Jabiberi tem na pecuária leiteira a sua atividade principal, a qual é beneficiada pela água que irriga as pastagens. Lá, em 2010, foi implantando o Projeto “Balde Cheio”, uma parceria com a Embrapa que no primeiro ano de atividade dobrou de mil para 2000 litros a produção de leite dos irrigantes. Ano a ano a produção só vem aumentando e durante 2014 estes produtores comercializaram, ao todo, 1.224.655 litros de leite, uma média recorde de 3,3 mil por dia. Toda produção abastece um laticínio local e resultou na confecção de mais de 122 toneladas de queijo.

Para o Diretor de Irrigação da Cohidro, o engenheiro agrônomo João Quintiliano da Fonseca Neto, este resultado que vem sendo alcançado no Jabiberi se deve à assistência técnica, o clima propício e o aumento no entusiasmo dos produtores com o Projeto. “Com a oferta de água regular, quer seja por irrigação ou chuvas, foi se propiciado uma melhor pastagem e consequente aumento na produção leiteira. As melhorias anunciadas para o Perímetro também estão animando os produtores que estão investindo mais em alimentação de qualidade, aumento e melhoria genética de seus rebanhos. Graças ao Proinveste, o Governo Estadual vai investir mais de R$ 1,2 milhão em reformas estruturais no Perímetro e na automação do sistema de irrigação”, relatou.

Perímetro Piauí
As áreas de plantio das principais culturas, no Perímetro Irrigado Piauí, aumentaram de dois a três hectares em média, resultando em crescimento de 9,5% de terras cultivadas. Foram produzidas 7.846 toneladas de alimentos no pólo de irrigação da Cohidro em Lagarto neste ano, um incremento de 10,5%, maior percentual dentre os perímetros da Cohidro, o que também gerou quase R$ 1 milhão a mais na renda dos produtores irrigantes, totalizando os R$ 13 milhões que beneficiaram 358 agricultores familiares.

Perspectivas de aumento
Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, acredita que os investimentos a serem feitos tendem a aumentar ainda mais a produção nos próximos anos. “O Proinveste vai recuperar estruturalmente quatro dos nossos pólos de irrigação: Piauí, Jabiberi, Ribeira e Califórnia. Serão quase R$ 6,5 milhões para reformas que vão desde o conserto dos canais de concreto até a substituição dos sistemas de irrigação pelos automatizados, modernização que também é prevista para os perímetros da Ribeira e Jacarecica I, mas por meio de outro projeto: O “Águas de Sergipe”, que vai injetar R$8 milhões nestas unidades e no Jacarecica II, através de empréstimo junto ao Banco Mundial, para minimizar o impacto ambiental provocado pela agricultura na bacia do Rio Sergipe” revelou.

Cohidro e Conab querem levar o ‘PAA – Frutos da Terra’ aos irrigantes de Canindé

Reunião

Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) se reuniram, nesta terça-feira, 21, com irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé do São Francisco. A intenção foi apresentar a estes produtores agrícolas os programas federais, administrados pela Estatal Federal, voltados à aquisição de alimentos da agricultura familiar e que tem no Estado a Empresa Sergipana como colaboradora e parceira na formalização de projetos de garantia de comercialização da produção.

Desde 2008, só nos projetos implantados por intermédio da Cohidro, os agricultores dos seus perímetros irrigados Piauí, Jacarecica II e Ribeira venderam para Conab mais de 2 mil toneladas de alimentos, gerando R$ 3,8 milhões em renda para estes produtores. Um montante de R$ 1 milhão está sendo comercializado somente em 2014, pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – Frutos da Terra, no método de “Doação Simultânea”, onde a Estatal Federal adquire esses alimentos para serem encaminhados a instituições que beneficiam populações em situação de insegurança alimentar. Nisso, estes projetos acompanhados pelo Governo de Sergipe já beneficiaram 79.471 pessoas carentes, com a comida produzida por 934 dos seus irrigantes.

Conforme listou o superintendente da Conab em Sergipe, Emanuel Carneiro, o PAA – Frutos da Terra dispõe de mais métodos de compra da produção rural além da “Doação Simultânea”. “A Conab também faz a compra direta de milho, feijão, farinha de mandioca e outros não-perecíveis. Alimentos que posteriormente ou são doados em cestas básicas ou para venda em balcão para fabricar a ração animal. Ainda há a ‘Formação de Estoque’, onde a Conab paga pela produção do agricultor no momento de plantar, que em um ano devolve este valor com acréscimo de 3% de juros”, informou ele, ao explicar aos irrigantes que a Companhia Federal pode contribuir com a comercialização de suas produções por meio dessas modalidades.

Doação Simultânea

Diretor de Irrigação da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto explica que os projetos de “Doação Simultânea” são celebrados por duas classes de entidades, onde a Conab entra como financiadora e a Cohidro presta o serviço de assistência técnica na elaboração e acompanhamento aos agricultores assistidos dos perímetros irrigados. “Para cada contrato, há a entidade proponente, a associação ou cooperativa de produtores rurais que propõem o projeto, do outro lado há as entidades filantrópicas receptoras, que vão informar a quantidade de pessoas que serão atendidas pelas doações, tanto para o preparo de refeições diárias, quanto para distribuição às famílias que a entidade atende”, revelou.

Mardoqueu Bodano, presidente da Cohidro, reconhece que são muitos os esforços realizados pela Companhia para favorecer a produtividade e recompensação do trabalho dos irrigantes. “Nos perímetros irrigados são várias as ações que superam o simples fornecimento de água para irrigação e para isso optamos por parcerias como esta com a Conab. Cumprindo nosso papel, procuramos detectar tanto os produtores que se encontram aptos para fornecer o alimento durante os 12 meses de vigência dos projetos, como também as associações de produtores regularizadas para participar do PAA. Por outro lado, é preocupação vigente nossa e das comissões de segurança alimentar, atender entidades receptoras que realmente vão levar este alimento até a quem necessite”, completou.

Orgânicos

Tanto no PAA como no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o produto agrícola produzido de forma orgânica é adquirido por valor 30% superior ao similar produzido por método convencional. A presidente da Associação Sergipana de Orgânicos (BIO5), Marli Soares dos Santos Pereira, está a frente da entidade criada no Califórnia, mas que pelos esforços demonstrados neste primeiro ano de fundação, já proporcionou aos seus seis integrantes iniciais cadastro de uma Organização de Controle Social (OCS) junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Um documento que lhes atestam vender, inclusive pela Conab, com a autenticidade de alimentos livres do uso de agrotóxicos. Para a também, poder participar destes programas federais trará mais incentivo à agroecologia no Perímetro.

“Encontramos mais dificuldade do quem produz os convencionais, principalmente no inverno em que a chuva e o frio faz perder muitos produtos, por isso o nosso custo é maior. Mas quando chega na feira, nem todo cliente sabe valorizar o orgânico, não está disposto a pagar mais caro por um produto de maior qualidade, ainda mais se ele for de tamanho menor. Temos condição de produzir verduras semanalmente, mas ainda plantamos pouco por termos um mercado pequeno, que só atende a feira de Canindé. Se a Conab puder comprar da gente por estes programas, garantindo a valorização por ser orgânico, vai ser um ótimo incentivo para a gente”, colocou Marli Soares.

Já para Quitéria da Silva Araújo, outra irrigante orgânica da BIO5, o que mais pesa é não poder atender outros mercados consumidores pela dificuldade geográfica de Canindé, 207 quilômetros distante da capital de Sergipe, Aracaju. “Só vendo na feira aqui, não tenho condição financeira para levar para fora da cidade. Produzo quiabo, pimentão, alface, coentro e outras verduras, sem usar agrotóxicos. Se tivermos esta ajuda de uma venda garantida toda semana vai melhorar muito”, considerou.

Gerente do Perímetro Califórnia, Edmilson Cordeiro Bezerra, esclarece que a Cohidro vem buscando meios de garantir que seja mais bem valorizada a produção dos irrigantes. “Já tem a iniciativa garantida pela Prefeitura de Canindé para incluir parte da feira como exclusiva dos orgânicos como incentivo à comercialização diferenciada para estes produtos. O PAA será uma alternativa para o agricultor, não só para o orgânico, como para quem produz de maneira convencional. O produtor assim não fica refém do preço estipulado pelo atravessador, podendo negociar um melhor preço, já que tem a venda garantida para a Conab de parte de sua produção e por preços de mercado”, reforçou.

Novas reuniões

O Chefe da Divisão de Agronegócios da Cohidro, Sandro Luiz Prata, explica os próximos passos a serem tomados para a inserção do PAA em Canindé. “Depois de ouvir as necessidades dos agricultores familiares, ficou definido que será marcada uma outra reunião, como uma quantidade maior de produtores – tanto convencionais como orgânicos – e também nesta teremos a participação do Conselho Regional de Segurança Alimentar, Centro Referência de Assistência Social (CRAS), Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) – para discutir emissão da DAP jurídica – e representantes de outras associações e cooperativas. O objetivo para o próximo encontro é de já iniciar a formalização primeiro projeto de ‘Doação Simultânea’ do Califórnia”, concluiu ele que, junto do engenheiro agrônomo José Claudegio Messias, coordenam as ações do PAA na Empresa Sergipana.

Cohidro participa da III Semana de Agropecuária

Estudantes

De 20 a 24 de outubro ocorreu a III Semana de Agropecuária, organizada pelo Instituto Federal de Sergipe (IFS) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Sergipe (Senar-SE). Voltada a estudantes de nível técnico, superior e também produtores rurais, ocorreram debates, palestras, cursos e minicursos no Campus São Cristóvão da Instituição de Ensino e também em dias de campo. Um deles ocorreu no Perímetro Irrigado da Ribeira, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) em Itabaiana, com o tema “Eficiência do Uso da Água na Agricultura”, ministrado pelo engenheiro agrônomo e mestre em Irrigação e Drenagem da Empresa, Luiz Gonzaga Luna Reis, na quarta-feira, 22.

Outro minicurso foi oferecido pelo gerente do Perímetro Irrigado Jabiberi de Tobias Barreto, José Reis Coelho, também na quarta-feira. No Campus São Cristóvão do IFS o técnico agrícola da Cohidro pode demonstrar o avanço que o “Programa Balde Cheio” promoveu na pecuária leiteira na Unidade da Empresa que ele coordena. “O Programa iniciou sua operação em 2010 e logo no primeiro ano dobrou a produção de leite dos pecuaristas. Hoje, dos 1.080 litros tirados na época, passou para cerca de 2,5 mil por dia”, expõe, informando que além da produtividade, o sistema também instituiu novos hábitos que trouxeram economia de energia elétrica aos pequenos pecuaristas.

“A irrigação do pasto só é realizada à noite, período que a taxa de energia é mais barata e também pelo fato de o gado alimentar-se principalmente nesse horário”, informa Coelho. Antes os produtores pagavam mais de R$ 180 reais de energia, usando de forma errada, hoje a média é de R$ 40 reais mensais. A maioria deles adquiriu matrizes leiteiras através de projetos financiados pelo Banco do Brasil e Banco do Nordeste no início do “Balde Cheio”, “hoje há pecuarista que conta com banco de sêmen para inseminação artificial e ordenha mecânica, buscando ter qualidade de leite para poder revender seu produto a grandes empresas”, completou o gerente da Cohidro.

Segundo João Quintiliano da Fonseca Neto, diretor de Irrigação da Cohidro, o “Balde Cheio” se tornou possível a partir dos investimentos do Governo do Estado no Jabiberi em 2010. “O Perímetro Irrigado recebeu investimentos estaduais na ordem de R$ 2,5 milhões para recuperação dos canais de irrigação, mudança de todo o sistema de irrigação para aspersão fixa e implantação de rede elétrica, o que estimulou o aumento da produção leiteira. Agora, através do Proinveste, com recursos na ordem de R$ 1.276.615 só para o Perímetro de Tobias Barreto, finalizaremos as obras estruturantes como também vamos possibilitar a automação da irrigação”, declarou.

Perímetro Irrigado da Ribeira

A visita feita ao Perímetro da Ribeira foi a segunda parte do minicurso sobre irrigação do agrônomo da Cohidro, iniciado com a parte teórica no dia anterior, 21, no Campus São Cristóvão. Na quarta-feira, 22, os participantes, alunos dos 1º e 2º anos do Curso Técnico de Agropecuária do IFS, conheceram primeiramente a Estação de Bombeamento 2 (EB-02). “Esta estação serve para pressurizar a água, captada na barragem do Poção da Ribeira pela EB-01 e enviar até os lotes dos produtores irrigantes com pressão suficiente para irrigar todos os 466 lotes atendidos aqui, em povoados de Itabaiana e Areia Branca”, informou Luiz Gonzaga.

A instalação da Cohidro foi reformada pela atual Gestão Estadual em 2011, o que regularizou o fornecimento de água para agricultores que antes não tinham acesso à irrigação. Foram investidos R$ 550 mil na recuperação da EB-2, R$ 450 mil foram utilizados na reforma da casa de bombas e outros R$ 100 mil na compra de máquinas e equipamentos, entre eles uma nova motobomba.

O presidente da Cohidro, Mardoqueu Bodano, ressalta ter sido esta a maior obra realizada, até agora, nesta unidade da Empresa desde sua fundação há 27 anos. “O perímetro da Ribeira é um dos grandes empregadores da região. Cerca de 932 agricultores familiares tiram o sustento dessas terras. O que se produz aqui gera aproximadamente 10 mil empregos diretos e indiretos. Mas os problemas na Ribeira eram antigos, e desde que assumi a Cohidro recebia pedidos dos agricultores para melhorias neste local. Fizemos o maior investimento no Perímetro em quase três décadas de existência. Hoje digo que a luta desses trabalhadores não foi em vão”, destacou.

Irrigação localizada

A visita guiada do minicurso seguiu então até o lote irrigado de Maria Augusta Dias, que planta no Perímetro coentro, batata-doce, alface e quiabo. A intenção do agrônomo Luiz Gonzaga era mostrar como funciona a irrigação localizada por microaspersão, instalada no local. “Já usei a aspersão convencional, a mangueira perfurada e agora a microaspersão e está sendo a melhor, ela molha bem a planta mesmo sendo mais econômica”, informou a agricultora.

“Quero mostrar a microaspersão para ensinar a vantagem técnica do uso deste sistema de irrigação, visando a economia de água, por não desperdiçar como nos aspersores comuns, mas também de eletricidade, já que se encaixa bem em sistemas de irrigação automatizados”, explica o agrônomo Luiz Gonzaga, que no campo também fez testes de pressurização e vazão da água disponível no lote visitado, como forma de ilustrar aos alunos como a água chega até às plantações.

A estudante do 2º ano do Técnico em Agropecuária, Diane Micaele Assunção Santos, de 16 anos, ficou satisfeita com a visita proposta pelo minicurso que participou, pelo fato de ser útil, ao seu aprendizado, conhecer sobre os métodos mais utilizados para plantar usando a irrigação. “Gostei porque aprendi muito sobre a irrigação, para quando a gente for introduzir uma nova cultura, a gente tem que saber como irrigar se for necessário”, afirmou.

Embora não conhecesse o trabalho realizado pela Cohidro nos perímetros irrigados, Jailson de Souza Dias, aluno de 17 anos do 1º ano de Agropecuária, também gostou de conhecer a Ribeira. “To achando bom, pode ser bom para meu futuro profissional, quando eu for atuar como técnico em agropecuária”, explicou o estudante do IFS.

O engenheiro agrônomo e mestre em Agroecosistemas, Anderson Nascimento do Vasco, é professor do IFS e foi um dos coordenadores da III Semana de Agropecuária. Ele explica o porquê de ter escolhido a Cohidro para participar do evento. “Introduzimos este minicurso à nossa programação, em primeiro lugar, na intenção de trazer os produtores para conhecerem os diferentes métodos de irrigação e em segundo está a importância de também capacitar os alunos do curso técnico de agropecuária”, revelou, informando que a procura pelas atividades do Encontro ocorreram além do esperado.

Automação da irrigação

A visita ainda serviu para o agrônomo Luiz Gonzaga explicar para os participantes do minicurso como funcionará o sistema de automação à ser instalado tanto na Ribeira como no Perímetro Jacarecica I, também em Itabaiana. “Todos equipamentos dos irrigantes vão ser substituídos por novos, sem custos e será instituído um sistema automatizado que vai prover a irrigação em todos os lotes das 19 às 6 horas, período tarifário reduzido de eletricidade, trazendo economia. Além disso, cada lote vai receber válvulas que vão regular a vazão, que impedem que o irrigante irrigue o lote todo de uma só vez. Esse consumo exagerado acaba por prejudicar os outros irrigantes mais distantes da EB, que ficam sem acesso à água nessas situações”, explicou.

“Todo sistema será integrado às EB’s, que irão também diminuir automaticamente a vazão de bombeamento de todo sistema, conforme for cessando o uso da água em culturas que necessitam de menos água, evitando a necessidade da constante interferência humana para não haver acumulo de pressão nas adutoras, capaz de até romper as tubulações”, complementou Luiz Gonzaga, sobre o “Projeto Águas de Sergipe” do Governo do Estado. A iniciativa vai injetar, nos perímetros da Ribeira, Jacarecica I e II, R$8 milhões de empréstimo junto ao Banco Mundial, para implantação do novo sistema de irrigação automatizado, atendendo às normas de aproveitamento eficaz da água, minimizando o impacto ambiental provocado pela agricultura na bacia do Rio Sergipe.

Última atualização: 6 de maio de 2021 19:03.

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