Projeto de lei para viabilizar Programa de Desenvolvimento dos Territórios Sergipanos é aprovado pela Alese

Coordenado também pela Coderse, o Mais Sergipe traz em seu escopo três componentes de atuação: Segurança Hídrica, Incentivo aos Setores Produtivos e Desenvolvimento Social e Urbano
Foto: Semac

O Governo de Sergipe teve aprovação da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), nesta segunda-feira, 29, para o Projeto de Lei nº 418/2025, que viabilizará o Mais Sergipe, o Programa de Desenvolvimento dos Territórios Sergipanos.

O PL autoriza o Poder Executivo estadual a contratar operação de crédito externa junto ao Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata, com garantia da União, no valor de até 78,4 milhões de dólares, para investimentos em segurança de barragens, incentivo aos setores produtivos e desenvolvimento social, incluindo a produção de dados geoespaciais atualizados, que irão subsidiar projetos e políticas públicas, visando um melhor planejamento territorial.

Coordenado pelas secretarias Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação (Seplan), de Estado do Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), e do Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE), o Mais Sergipe traz em seu escopo três componentes de atuação.

São eles o de Segurança Hídrica, que inclui investimentos em segurança de barragens de forma preventiva, como forma de evitar situações como as que ocorreram em Minas Gerais, por exemplo; e ações de mitigação dos efeitos da insegurança hídrica; de Incentivo aos Setores Produtivos, com obras de reestruturação da malha viária, criação de uma Infraestrutura de Dados Espaciais e uma nova base cartográfica de referência; e o último, de Desenvolvimento Social e Urbano, contemplará investimentos em infraestrutura esportiva e de lazer, além de investimentos para execução de obras, sobretudo na região do bairro Guajará, em Nossa Senhora do Socorro.

Importância
Atualmente, os municípios sergipanos estão distribuídos em oito Territórios de Planejamento, considerando características geográficas e sociais. São eles o alto sertão sergipano, agreste central sergipano, médio sertão sergipano, baixo São Francisco, grande Aracaju, sul sergipano, leste sergipano e centro sul sergipano.

Os municípios que compõem cada território são indicados no Mapa dos Territórios de Sergipe. Esses territórios refletem desigualdades estruturais do Estado, onde somente Aracaju possui IDH alto, concentrando também o PIB estadual (45%), e é neste sentido que o Mais Sergipe visa atuar.

O Programa de Desenvolvimento dos Territórios Sergipanos é estratégico para o Estado porque atua diretamente na redução das desigualdades regionais e na interiorização do desenvolvimento, enfrentando gargalos históricos de infraestrutura, saneamento, mobilidade e planejamento territorial

“Ao viabilizar investimentos estruturantes com financiamento externo, o projeto fortalece a segurança de barragens, melhora a integração intermunicipal por meio da reestruturação da malha viária, moderniza a gestão pública com dados geoespaciais de alta precisão e impulsiona o desenvolvimento social e urbano, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade. Na prática, o programa contribui para elevar a qualidade de vida da população, estimular os setores produtivos, melhorar o ambiente de negócios, gerar emprego e renda e promover um crescimento mais equilibrado e sustentável em todo o território sergipano, alinhado às diretrizes do planejamento estadual de longo prazo”, destacou o secretário da Seplan, Julio Filgueira.

Contexto do projeto
O Mais Sergipe começou a ser elaborado em 2022, na gestão do governador à época, Belivaldo Chagas, com a aprovação da Carta Consulta nº 6.900 pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), em conjunto com o Banco do Brics (NBD). Ao longo dos últimos anos, o projeto delineado não teve continuidade, visto que as ações originalmente previstas nele foram contempladas por outras fontes de financiamento e recursos, o que gerou a necessidade de revisar o projeto.

“Com isso, o NDB se retirou do pleito e o Estado, retomando esse projeto, realizou uma consulta ao Ministério do Planejamento e Orçamento para apresentação de possíveis novo agentes, dentre eles, o Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata), que demonstrou ser o banco com maior capacidade para elaborar o projeto dentro dos prazos necessários e executar as ações prioritárias para o atual momento de desenvolvimento do Estado”, explicou o secretário da Seplan.

A operação de crédito aprovada traz ao Estado um incremento na capacidade de investimentos em infraestrutura sem comprometer sua solidez fiscal, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), baseados em informações da Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

Sergipe atualmente é o 8º, entre os estados brasileiros, com menor endividamento do Brasil e o 3º entre os estados do Nordeste. A relação entre a Dívida Corrente Líquida e a Receita Corrente Líquida (DCL/RCL), no segundo quadrimestre deste ano, encerrou com um percentual de apenas 1,82%, tendo como limite estabelecido pelo Senado uma porcentagem de até 200%.

Perímetro irrigado de Itabaiana produz alimentos doados para 600 famílias em Santa Rosa de Lima

Iniciativa realizada por meio do PAA fortalece a segurança alimentar da população vulnerável e a valorização do trabalho da Agricultura Familiar
Joelma Silva trabalha com orgulho, por sua produção ajudar às
famílias carentes // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

Cerca de 600 famílias de Santa Rosa Rosa de Lima, leste sergipano, receberão durante dez meses um total de 28,2 toneladas de alimentos cultivados por outras 22 famílias inseridas no Perímetro Irrigado Poção da Ribeira, mantido pelo Governo do Estado em Itabaiana, no agreste central. Desde novembro, são quatro desses perímetros participando do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio de cinco associações. Na modalidade compra com doação simultânea, o PAA fortalece a segurança alimentar para a população carente e a valorização do trabalho da Agricultura Familiar.

É a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) — empresa pública vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) — que atende esses agricultores, com assistência técnica e irrigação diária para produzir o ano inteiro nos perímetros. Assim, é possível para eles atenderem à demanda do programa e continuar a abastecer a clientela. Os irrigantes também recebem da empresa um assessoramento para participar do PAA. Segundo o gerente e técnico agrícola do perímetro Ribeira, Augusto César Rocha, toda logística é respaldada pela Coderse. “As Associações têm que criar o CNPJ, ter uma parte física; mas internet, computação, eles não têm. Fazemos reuniões com as pessoas que desejam ingressar no PAA, com a ata das que participarão e os produtos que serão entregues por elas. Fazemos o cadastramento no Sistema de Cadastro Nacional (Sican). Então, a Coderse é essencial”, informou César Rocha. Ele disse ainda que a equipe da companhia colabora com o planejamento das lavouras, conforme a demanda do ciclo de entregas da produção. No Ribeira estão participando do PAA os irrigantes da Associação dos Produtores Rurais da Comunidade Lagoa do Forno.

Joelma Silva Santos é agricultora assistida com a irrigação do Ribeira, onde produz coentro, alface, cebolinha, rúcula para comercializar em Itabaiana, em Salvador/BA e por dez meses entregar ao PAA. “A irrigação tem que ter, porque se não for ela também não temos nada. Mas os preços das verduras estão todos baratos e é uma coisa a mais o PAA, uma entrega dessa vale a pena”, justificou, satisfeita por sua produção ajudar às famílias vulneráveis.

Produtor irrigante no Ribeira há 30 anos, Carlos da Silva Santos sempre trabalhou na produção de hortaliças. Para ele, participar das entregas do PAA é uma maneira de garantir aos seus produtos um preço melhor e fixo, sem variação de mercado e durante toda vigência do programa. “Pagando com o precinho bom, compensa entregar. O programa está andando”. O agricultor valoriza o fato de o programa levar esses alimentos para pessoas com carência nutricional e que realmente estão precisando das doações.

Segurança alimentar
Os alimentos entregues ao PAA fazem parte de uma dieta alimentar elaborada para atender às necessidades nutricionais diárias das pessoas beneficiadas. Por isso a lista de produtos doados é variada, contendo itens como alface, abóbora, acerola, batata-doce, cebolinha, goiaba, macaxeira, melancia, pimentão, tomate entre muitos outros.

Em novembro, cinco associações em quatro perímetros irrigados — Lagarto, no centro-sul; Canindé de São Francisco, no alto Sertão; Malhador e Itabaiana, no agreste — começaram a entrega de mais de 230 toneladas de produtos. São 127 famílias de agricultores que serão remuneradas durante os dez meses, em R$ 1.269.979,00. Na outra ponta, são beneficiadas pelos alimentos da irrigação estadual no PAA, aproximadamente 3.100 famílias, de Lagarto, Canindé, Santa Rosa de Lima, Divina Pastora e General Maynard, estes dois últimos também no leste sergipano.

Santa Rosa de Lima
Natural de Santa Rosa de Lima, Roberta dos Santos considera positiva a economia que as famílias têm, em conjunto com a oportunidade de as pessoas fazerem refeições mais saudáveis. “Faz bem para a comunidade. Ajuda muito, porque tem pessoas que não podem comprar”, disse a beneficiária dos alimentos do PAA. 

Secretário adjunto de Assistência Social e do Trabalho do município, José Everton Almeida informou que as doações feitas via PAA reforçam os programas assistenciais desenvolvidos pela prefeitura. “Foi de grande importância a Coderse nessa grande parceria de trabalho com a assistência social para desenvolvermos um trabalho de levar cada vez mais a Feira Verde para as famílias de nossa cidade. Às pessoas do Banco de Alimentos, do ‘Criança Feliz’, aos idosos. Eles aprovam os produtos de boa qualidade”, destacou.

Em Santa Rosa de Lima, o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, participou de uma das primeiras entregas desta edição das doações, via PAA da Conab, a partir dos alimentos dos perímetros. “É uma satisfação estar em Santa Rosa, num momento em que o Governo do Estado vem facilitar o acesso da população a esses alimentos, por meio da irrigação fornecida pelo Coderse. Este tipo de ação agrega valor ao nosso trabalho, enquanto empresa, além de beneficiar a população carente e o produtor”, pontuou.  

Irrigação pública estadual bate recorde em 2025 com produção de 134,5 mil toneladas de alimentos

Programas de compras governamentais, manutenção e perspectiva de mais investimentos nos perímetros têm incentivado a produção agrícola
A produção de hortaliças na irrigação pública atende parte
considerável do mercado interno e leva o nome de Sergipe para outros
estados vizinhos // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

A produção agropecuária irrigada apresenta importantes resultados econômicos e sociais em Sergipe. Os seis perímetros irrigados administrados pelo Governo do Estado em sete municípios sergipanos, juntos, alcançaram a produção recorde de 134.567 toneladas (t) em 2025. São 1.762 unidades produtivas familiares beneficiadas por este serviço. O resultado incluiu também produção recorde de 3.844.629 litros (l) de leite no Jabiberi, perímetro de Tobias Barreto, município da região centro-sul. A produção geral e a de leite cresceram respectivamente 8% e 61%, em relação a 2024. Toda a produção de 2025 rendeu aos produtores irrigantes R$ 207.161.463,38.

Esse levantamento anual é resultado do trabalho realizado mês a mês pelos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), empresa pública vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) que fornece irrigação e assistência técnica nos perímetros. O Perímetro Irrigado Poção da Ribeira, que abrange povoados de Itabaiana e Areia Branca, no agreste sergipano, foi o perímetro com maior alta na produção agrícola, alcançando 22.109 t. Irrigante do Poção da Ribeira, em Itabaiana, Adilson Tavares de Jesus vive desde criança na região do perímetro irrigado e testemunhou a transformação que ele começou a fazer nas comunidades atendidas, há 38 anos. 

“Foi bom demais. Antigamente a vida da gente era muito sofrida, trabalhava assim na lavoura, só fazia uma farinha, só no inverno. Isso aí foi uma riqueza depois do perímetro para nós”, expôs o produtor. Ele está fornecendo produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas vende diretamente em três feiras de Aracaju e envia hortaliças para Salvador, diariamente.

Os agricultores do Poção Ribeira fornecem alimentos ao PAA da Conab, na modalidade ‘Compra com doação simultânea’, para atender pessoas em situação de insegurança alimentar em Santa Rosa de Lima, município da região leste do estado. Diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite informa que em quatro dos perímetros da companhia, há 127 produtores participando do PAA da Conab, em benefício de 15.500 pessoas carentes.

“O PAA e o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] federais; e o PAAE, do Governo do Estado, são programas que têm crescido o volume de investimentos e incentivam cada vez mais a produção nos perímetros irrigados. Por isso, a Coderse atua junto ao irrigante — complementando irrigação e assistência — dando um assessoramento na formalização das propostas, durante a organização das entregas periódicas e na prestação de contas”, explica ele.
 
Manutenção e melhorias
Já o presidente da Coderse, Paulo Sobral, destaca o volume expressivo de investimentos que a companhia está fazendo na melhoria da infraestrutura de distribuição de água para irrigação. “Em 2025, fizemos a recuperação do barramento do reservatório da EB-07 (estação de bombeamento) e a limpeza mecanizada da EB-02, do perímetro Califórnia, em Canindé de São Francisco. São obras que de imediato melhoram o serviço de fornecimento de água e elevam a confiança do irrigante, para ele investir com segurança e aumentar a produção”, indica. Ele ainda reforça que o recém-lançado edital da ‘Adutora do Leite’ contempla uma recuperação mais ampla do perímetro Califórnia.
 
Pecuária leiteira
O Jabiberi é um perímetro estadual de vocação pecuária, onde a maioria dos lotes se destina a criar gado de leite a partir do capim e material forrageiro irrigado. Os 3.844.629 litros de leite produzidos pelos seus irrigantes em 2025, foi beneficiado no laticínio de um dos produtores. A produção de queijo obteve uma renda estimada em R$ 13,1 milhões, 50,7% maior que a gerada no ano anterior. Esse resultado recorde reflete o crescimento do rebanho leiteiro em lactação do perímetro. Em 2024, eram 650 animais. Já em 2025, esse plantel saltou para 1.100 vacas.

“O laticínio que funciona no Jabiberi cumpriu todas as exigências sanitárias e obteve o registro no Serviço de Inspeção Estadual (SIE), no início deste ano, e a produção de leite no perímetro cresceu, em volume e aperfeiçoamento. Agora, os produtores irrigantes já trabalham na padronização da qualidade, buscando capacitação e consultoria para fornecer um produto com preço diferenciado, conforme eles atendam aos requisitos do tipo bronze, prata e ouro de leite. São investimentos que têm lastro na confiança pelo serviço que o Governo do Estado oferece por meio do perímetro”, completa o diretor Júlio Leite.

Coderse executa mais de R$ 5,2 mi em obras de pavimentação granítica

Companhia do Governo do Estado já constrói pavimentação granítica desde 2023; obras de saneamento rural evitam doenças causadas pela poeira
A pavimentação granítica é uma obra de saneamento rural evita doenças causadas pela poeira e de veiculação hídrica // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

Três obras estão tirando povoados da poeira e da lama, beneficiando quase 900 famílias. A pavimentação granítica é uma das ações que o Governo do Estado passou a também executar por meio da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse). Atualmente, a empresa executa obras que totalizam um investimento de R$ 5.255.559,08 em três municípios – Campo do Brito, Lagarto e Neópolis. De acordo com a campanhia estatal, esta política pública de saneamento rural visa levar saúde, qualidade de vida e desenvolvimento para o campo. 

O aposentado Vicente de Paula, de 85, mora há pelo menos 40 anos no povoado Rodeador, em Campo do Brito, no agreste central sergipano. Por conta de problemas de saúde, ele tem dificuldade de se locomover. Com a pavimentação, ele acredita que vai facilitar andar pela comunidade sem a lama para atrapalhar. “Para mim, está bom demais. Vai melhorar muita coisa, sair da lama, do barro. Caminhar sem lama é melhor 100%. E a poeira acabou. A poeira incomoda, suja tudo, o nariz fica entupido”, diz aliviado. 

Já o trabalhador na construção civil Talison Borges Bispo, 31 anos, mora no Rodeador desde que nasceu. Hoje vive com a esposa e o pai na mesma casa, de onde pôde ver a obra do calçamento passar pela sua porta e transformar a realidade da comunidade. “Muda em tudo,  na qualidade de vida, valoriza as casas. Só vem a agregar. Aqui passa muito caminhão e a poeira incomodava, a pessoa não podia nem pintar a casa. Pintava e já sujava”, lembrou. Quando chovia, Talison explica que a dificuldade já era outra, o que o faz recordar do tempo em que ia para escola. “Os estudantes tinham que vir com tênis na mão, ou numa bolsa, para não sujar”.

Em Campo do Brito, a obra, prevista para ser concluída até o fim de fevereiro do próximo ano, vai pavimentar 2.715 m² em ruas do povoado Rodeador, onde vivem aproximadamente 80 famílias, a partir de um investimento de R$ 332.736,82. A construção será feita a partir de recursos do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), via Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A Coderse — vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) — executa e faz a fiscalização da obra e a Codevasf fiscaliza a aplicação dos recursos federais.

A pavimentação granítica é uma das novas atividades de infraestrutura no campo que foram possíveis a partir da reestruturação da antiga Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), desde 2023, Coderse. Diretor-presidente da companhia, Paulo Sobral explica que é mais uma das ações do Governo do Estado em prol do desenvolvimento social no campo, como mais um componente de saneamento rural dentre os já executados pela Coderse.

“A Coderse valeu-se de toda expertise técnica da antiga Cohidro — usada para a construção e manutenção de sistemas de abastecimento a partir de poços, barragens, cisternas e perímetros irrigados — para atuar nesse tipo de obra de infraestrutura que também é muito importante para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades rurais. É qualidade de vida para as pessoas não precisem sair do campo, vivendo conforme as suas tradições e produzindo tudo aquilo que a terra pode dar”, analisou Paulo Sobral.

Lagarto
No seu primeiro ano, a Coderse iniciou a execução e fiscalizou a obra do calçamento em paralelepípedo no povoado Mariquita, no município de Lagarto, centro-sul sergipano, concluída no mês de junho de 2024. Levou saneamento rural à população por 2km de ruas, antes de terra, e que agora totalizam 8.000 m² de pavimentação granítica. Os R$ 800.603,47 investidos na época foram de emenda parlamentar do deputado federal Fábio Reis.

Agora, e com a mesma fonte de recursos, a companhia investirá mais R$ 1.337.000,00 em emendas de Fábio Reis na pavimentação granítica para ligar os povoados Brasília e Urubu Grande, também em Lagarto. Na última semana, foi iniciada a primeira etapa da obra, com a previsão de 180 dias para a conclusão. Serão 8.100 m²  para facilitar a circulação, o acesso de bens e serviços e o escoamento da produção rural. Serão beneficiadas 411 famílias nas duas comunidades. 

Neópolis
Em 20 de Novembro, o Governo do Estado assinou Ordem de Serviço para a Seagri, através da Coderse, dar início à construção de 24.572 m² de pavimentação granítica nas comunidades rurais 1° de Maio, Mata das Varas, Novo Horizonte, Santa Maria e Sem Terra, no município de Neópolis, no baixo São Francisco. Aproximadamente 400 famílias serão beneficiadas com a infraestrutura de saneamento rural. Obras foram orçadas em R$ 3.585.822,26 e que têm previsão de iniciar em dezembro de 2025.

Saúde e qualidade de vida
Muito além do conforto e facilidade para a circulação de veículos, a pavimentação das rodovias rurais é uma obra de saneamento rural que evita o contato dos moradores com a poeira provocada pelo tráfego nessas estradas, diminuindo a incidência de doenças respiratórias. Do mesmo modo, quando chove, a pavimentação evita a lama e também as doenças de veiculação hídrica.

[galeria de fotos] Missa em Ação de Graças iniciam comemoração do Natal na Coderse

As conquistas, as realizações, a lembrança daqueles que permitiram e os agradecimentos por tudo que ocorreu em 2025, foram o tema da Missa em Ação de Graças da Coderse, realizada na manhã desta sexta-feira, 05. A cerimônia foi seguida de um café da manhã servido a todos os funcionários da companhia. A missa preservou a boa tradição já de alguns anos: celebrada pelo padre Flávio Eduardo, com cânticos da dupla Fábio Suerda e cerimonial da ex-funcionária da Coderse, Maria Mercês.

Falando aos funcionários, o secretário de Estado da Agricultura, Zeca da Silva, expôs o orgulho que a Coderse deve ter em executar a ‘Adutora do Leite’, maior obra de infraestrutura no alto sertão e outras ações. O diretor-presidente da companhia, Paulo Sobral destacou o empenho das equipes da Coderse, em colocar a empresa no patamar de importância que ela ocupa para o desenvolvimento de Sergipe.

Fotos: Vieira Neto

Adema faz vistoria para licenciamento ambiental da Adutora do Leite no alto sertão

Equipe multidisciplinar avalia projeto da Coderse e locais onde serão instalados os reservatórios

Adema faz vistoria para licenciamento ambiental da Adutora do Leite no alto sertão// Fotos: Lucas Campos

A Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) realizou vistoria, na última quarta-feira, 03, para o licenciamento ambiental da Adutora do Leite, projeto do Governo de Sergipe destinado ao abastecimento da região do alto sertão, através da distribuição de água bruta para irrigação e dessedentação animal.

Com 123 km de extensão, a tubulação da adutora atravessará os municípios de Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre e Nossa Senhora da Glória. A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), é o órgão executor da obra.

O presidente da Adema, Carlos Anderson Pedreira, destaca a importância do licenciamento ambiental da obra. “Trata-se de um empreendimento de fornecimento de água bruta, não tratada, de grande importância para o Estado e para essas populações. O acompanhamento da Adema é essencial para que ele seja licenciado dentro de um padrão adequado, obedecendo às legislações ambientais, e com a minimização de impactos inerentes à atividade, mesmo se tratando de uma obra de utilidade pública”, afirma.

De acordo com o engenheiro civil da Adema, Antonelle Morais, a vistoria da Adema se destina à análise dos espaços onde se pretende ser instalado o empreendimento para emissão de Licença Prévia (LP). “A análise é realizada por uma equipe multidisciplinar, composta por profissionais de diferentes áreas, como engenheiros florestais, médicos veterinários e geólogos, para avaliar o projeto e garantir o cumprimento das normas ambientais em suas diferentes frentes”, explica.

O diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, afirma ser esse o maior investimento do Governo do Estado para o desenvolvimento da agropecuária no Alto Sertão sergipano. “A produção de leite é a principal atividade da região e, com a ‘Adutora do Leite’, o produtor vai ter acesso a água do Rio São Francisco a uma distância bem menor, diminuindo consideravelmente seus custos de produção. Com isso, ele vai investir mais na qualidade do rebanho, infraestrutura e mão-de-obra, e com perspectiva de aumento exponencial da produção e de oportunidades de trabalho, beneficiando por um todo a economia daqueles municípios”, pontua.

Serão implantados 21 reservatórios para coleta de água, e distribuídos pelos cinco municípios citados, visando minimizar os impactos dos períodos de seca na região e garantir o fornecimento adequado para o setor agropecuário, melhorando a qualidade de vida de aproximadamente 23 mil famílias.

Perímetros irrigados estaduais iniciam ‘doação simultânea’ ao Programa de Aquisição de Alimentos da Conab

Com irrigação, assistência técnica para lavoura e formalização dos projetos, Coderse facilita acesso dos produtores ao PAA desde 2008, entregando mais de quatro mil toneladas de alimentos para pessoas carentes de Sergipe

Cinco associações de produtores dos perímetros de irrigação estaduais começaram, em novembro, as primeiras entregas ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), mantido pela Conab, na modalidade ‘compra com doação simultânea’. São 127 agricultores assistidos pelo Governo do Estado, produzindo alimentos em benefício de 15,5 mil pessoas em situação de insegurança alimentar. Elas vão receber, em entregas quinzenais, 230 toneladas de produtos da irrigação pública. 

São 10 meses de vigência para os projetos propostos pelos agricultores irrigantes dos perímetros irrigados estaduais Piauí, em Lagarto; Jacarecica II, em Malhador; Poção da Ribeira, em Itabaiana; e Califórnia, em Canindé de São Francisco. No período, eles serão remunerados com um montante de R$ 1,27 milhão. São beneficiadas as famílias carentes assistidas pelos centros de referência de assistência social (Cras) de Canindé, Divina Pastora, General Maynard, Lagarto e Santa Rosa de Lima.

A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), acompanha os irrigantes dos perímetros, oferecendo um assessoramento na formalização e cadastro junto ao Governo Federal. 

Para o diretor-presidente da empresa, Paulo Sobral, a iniciativa é de fundamental importância para a agricultura familiar. “Beneficia o produtor rural, que tem a segurança de comercializar seus produtos com valor justo e, principalmente, as pessoas em insegurança alimentar. O Governo do Estado, por meio da Coderse, estimula e dá a condição para que os agricultores tenham esses produtos o ano todo e, com isso, possa atender esse e demais programas aqui no estado de Sergipe”, considerou Paulo Sobral. 

Desde 2008, a companhia apoia os irrigantes no PAA, gerando a doação de mais quatro mil toneladas de alimentos. 

Lagarto e General Maynard

A primeira associação a entregar os alimentos, no dia 12 de novembro, foi a do Povoado Fazenda Grande, formada por irrigantes do perímetro Piauí, em Lagarto, no centro-sul sergipano. 

A agricultora Patricia Santos Ferreira Santana e outros 29 produtores iniciaram o envio das quase 60 toneladas de alimentos que atenderão, durante 10 meses, 3.500 pessoas assistidas pelo Cras de General Maynard. “A vida no campo não é fácil, mas é maravilhosa. Só de colher o fruto do que a gente plantou, é maravilhoso. E esse PAA é muito bom porque repassa as mercadorias com preço justo. Isso mostra que o programa valoriza o trabalho no campo. E a Coderse é muito importante para gente porque, além do fornecimento da água, tem os técnicos que nos auxiliam. Quando a nossa roça dá alguma praga, eles nos orientam. A Coderse, aqui, é de suma importância. A irrigação é muito boa, para que a gente tire a nossa plantação”, avaliou Patricia.

Canindé

Presidente da Associação dos Agricultores Irrigantes de Canindé de São Francisco (Assai) e irrigante no perímetro Califórnia, Ozeias Beserra avalia que o PAA gera renda para o agricultor e diminui a insegurança alimentar no município. “Isso é um programa muito importante onde todo mundo sai ganhando. Desde a produção, até a elaboração do projeto, a Coderse vem nos ajudando. A Coderse fornece água, de inverno a verão, nove horas por dia, para que o produtor tenha a capacidade de produzir alimento durante o ano todo. Se não fosse a Coderse, a gente não conseguiria participar do PAA”, analisou. 

A Assai realizou sua primeira entrega no último dia 27, atendendo ao Cras mantido pela prefeitura daquele município do alto sertão, com 2.360 quilos de banana, batata-doce, melancia, goiaba, abobrinha, alface, couve, coentro, macaxeira, tomate, acerola, melão maracujá, milho e quiabo. São 32 agricultores do perímetro irrigado que vão fornecer, durante 10 meses, mais de 54 toneladas de alimentos para beneficiar três mil pessoas atendidas pelo Cras municipal. 

No dia da entrega da Assai, Conab, prefeitura municipal, associação, produtores e a Coderse, realizaram reunião introdutória sobre as regras do PAA. Coordenador do PAA na companhia federal em Sergipe, Francisco Carlos expõe que o programa atende a quase todos os 75 municípios de Sergipe, recebendo, em 2025, a inscrição de cerca de 120 projetos de compra da produção para a ‘doação simultânea’. Além do Cras, ele anuncia que o PAA vai passar a também fornecer alimentos ao programa Cozinha Solidária, também do Governo Federal.

“Atualmente, estamos participando em 80 projetos e aqui em Canindé é um deles, onde vai amenizar o custo da prefeitura. Os produtores vão fazer essa venda para Conab e doar diretamente para o Cras. E a Coderse é um dos grandes parceiros da gente. Tem nos ajudado muito nos perímetros, na questão da documentação, na qualidade dos produtos, que é muito importante. É uma ferramenta do governo estadual em parceria com o federal, que está melhorando a vida do homem do campo”, justifica Francisco Carlos.
 

Perímetros irrigados do Governo de Sergipe garantem produção de amendoim durante todo o ano

Agricultores abastecidos pelo Perímetro Piauí, em Lagarto, estão no período de colheita e celebram bons rendimentos com o plantio

O amendoim é uma das culturas mais relevantes para a segurança alimentar em Sergipe, sendo um dos itens mais produzidos e consumidos no estado. Ao contrário do que acontece em outros estados do país, onde há maior produção e consumo em meses como maio e junho, em decorrência dos festejos juninos, em Sergipe, a produção é contínua, muito por conta da alta demanda. Para suprir essa necessidade, os perímetros irrigados administrados pelo Governo de Sergipe têm papel fundamental, tanto para o cultivo quanto para o apoio aos pequenos produtores que dependem dessa cultura. 

De janeiro a agosto deste ano, os perímetros de Jacarecica I (Itabaiana) e Piauí (Lagarto), por exemplo, colheram um total de 73,25 hectares de amendoim, 25,6% a mais que no mesmo período de 2024, produzindo 310 toneladas de vagens para cozimento, também 31% a mais, e a produção rendeu R$ 1.752.790 aos agricultores irrigantes, 27% maior que no mesmo recorte do ano anterior. 

No município de Lagarto, a produção continuada no Perímetro Irrigado Piauí, que existe desde 1987, tem sido essencial para os produtores. Para eles, sem esse abastecimento fornecido pelo governo, a produção ficaria comprometida, sobretudo do amendoim cozido, declarado patrimônio cultural e imaterial de Sergipe em 2021. 

No ano passado, nos cinco perímetros irrigados administrados pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), foram cultivados 169,4 hectares de amendoim, o que equivale a 794,6 toneladas de vagens para cozimento. A produção rendeu R$ 4.475.772,00 aos agricultores irrigantes, somente com esta leguminosa. 

O diretor de Irrigação da estatal, Júlio Leite, explica que o cultivo do amendoim é incentivado nos perímetros por oferecer um conjunto de benefícios que vão além da produção. “Como a produção sergipana é praticamente toda destinada ao amendoim cozido, nos perímetros há sempre produtores que cozinham a sua e a produção dos vizinhos, agregando valor ao produto, que já sai do perímetro pronto para o consumo, gerando mais renda para a agricultura irrigada. Outra vantagem é que o amendoim é uma ótima cultura de transição, fixando nutrientes e conservando a qualidade do solo para a próxima lavoura a ser plantada na mesma área”, enfatizou.

Bons rendimentos
Com a chegada do final do ano, produtores como Antônio Barbosa, de 22 anos, que administra com a família uma propriedade de 4,8 hectares, estão em período de colheita. “Tudo que tenho hoje, como carro e casa, eu tirei da roça. Aliás, minha família toda também construiu bens assim. Estamos no período da colheita para vender para a cidade porque os amendoins já estão maduros. Se fosse na época dos meus pais, quando não havia o perímetro, muito provavelmente a gente plantaria poucos dias antes do inverno e aguardaria a chuva”, declarou o produtor, que precisou contratar funcionários para ajudá-lo na colheita.

O lavrador lembrou, também, que antes do perímetro irrigado a população se restringia apenas às culturas de fumo e mandioca, em Lagarto, diferentemente do que ocorre hoje, quando uma mesma propriedade consegue trabalhar o ano inteiro com, pelo menos, cinco tipos de culturas diferentes. “Naquela época, além da cultura ser limitada, ainda tinha que esperar o tempo certo de plantar”, completou. 

Para implantar o perímetro irrigado, o Governo do Estado construiu a barragem, deu infraestrutura aos lotes, que é o ponto de água, e daí para frente o produtor assumiu a responsabilidade da produção, sempre com o apoio dos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse). “O perímetro irrigado modificou a economia da cidade porque deu para introduzir mais culturas, que podem ser produzidas o ano inteiro”, acrescentou Antônio.

O lavrador Raimundo Lisboa, mais conhecido como Cacá, também reconhece a importância da estrutura para os produtores, que, segundo ele, possibilitou o envio de seus dois filhos à faculdade. “Com o que produzi aqui, hoje tenho um filho policial militar e outro dentista”. 

Variedades de culturas
Sua propriedade de 2,1 hectares está no período de replantio de amendoim. “Já colhemos e estamos plantando novamente, mas temos outras culturas aqui também, inclusive milho. Com o perímetro irrigado, não estou restrito a um tipo específico de cultura, posso plantar a qualquer momento ao longo do ano. Normalmente cultivo uma tarefa [0,33 hectares] aproximadamente de amendoim. Na última colheita tive 237 medidas [baldes de 12 litros], o que me rendeu cerca de R$ 2 mil de lucro. O amendoim leva três meses para ser colhido, então é possível plantar novamente. Ou seja, não há um longo intervalo. Não há necessidade de alternar a terra”, relatou o agricultor de 60 anos de idade, que atua na região desde a implantação do perímetro irrigado em Lagarto.

Francisco Saturnino dos Santos, o Chiquinho de Neusa, segue a mesma lógica de Raimundo: sua propriedade abastecida pelo perímetro irrigado lhe rendeu bens e investimentos para a família. Apesar dos 82 anos de idade e já estar aposentado, ele segue com a produção junto de dois, dos cinco filhos. “Minha propriedade mede 25 tarefas [7,5 hectares] e aqui tem de tudo. O amendoim são meus dois filhos que estão plantando, mas continuo trabalhando com eles. Inclusive, o nosso amendoim já está bom de colher”, pontuou o produtor, que afirma tirar, em média, R$ 5 mil de lucro por colheita.

O agricultor Aguinobaldo José do Nascimento, o Badinho, também vive do que produz, e prepara o filho de 23 anos de idade para dar sequência ao legado da família. “Tenho duas tarefas [0,6 hectares] de terra dentro do perímetro. Como o amendoim já está maduro, devo colher, no máximo, em 30 dias. É uma cultura muito fácil porque dentro de três meses ele já está maduro e aparece logo gente para comprar. O perímetro irrigado foi uma das melhores coisas para o produtor. Se não tivesse irrigação, não teríamos como plantar. Só poderíamos plantar para colher no inverno, no São João. Mas nós plantamos para colher o ano inteiro”, garantiu. 

Perímetro irrigado
A Coderse gerencia o perímetro irrigado em Lagarto fornecendo água e assistência técnica, que inclui suporte para a aplicação de novas tecnologias como fertirrigação e plasticultura. O perímetro produz uma grande variedade de culturas, como milho verde, abóbora e tomate, e tem como objetivo fortalecer a economia local e estadual, gerando emprego e renda para os agricultores. 

A produção agrícola no Perímetro Irrigado de Lagarto tem apresentado bons resultados. Em 2024, a produção total foi de 11 mil toneladas, um aumento significativo em relação ao ano anterior, impulsionada em parte pela melhora na infraestrutura do sistema, como a entrega de novas motobombas.

Atualmente, a Companhia administra seis perímetros: Califórnia (Canindé do São Francisco), Jabiberi (Tobias Barreto), Jacarecica I (ltabaiana), Jacarecica II (Malhador, Areia Branca e Riachuelo), Piauí (Lagarto) e Poção da Ribeira (Itabaiana).

Programa Água Doce leva saúde e sustentabilidade a comunidades rurais de Sergipe

Três novos sistemas de dessalinização foram entregues em Poço Verde, Porto da Folha e Carira

Foto: Igor Matias

No semiárido brasileiro, a oferta regular de água potável sempre exigiu soluções específicas, sobretudo para famílias que vivem em áreas rurais e dependem de poços artesianos ou da água acumulada das chuvas. Para garantir o acesso à água de qualidade em Sergipe, o Programa Água Doce (PAD), coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e mantido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), mantém sistemas de dessalinização em diversas comunidades.

O Programa Água Doce é executado pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), com parceria de outras secretarias do Governo do Estado, prefeituras e comunidades, na cogestão das unidades. Recentemente, o Governo de Sergipe entregou mais três novos sistemas de dessalinização construídos, beneficiando quase 500 famílias nos municípios de Poço Verde (Povoado Saco do Camisa), Porto da Folha (Povoado Bela Aurora) e Carira (Assentamento Carlos Prestes). Ao todo, o Programa Água Doce já implantou 32 unidades em nove municípios, alcançando cerca de oito mil pessoas. O investimento nos novos sistemas é de R$ 1 milhão. Um convênio vigente, no valor de R$ 9 milhões, prevê, ainda, a instalação de mais 11 unidades nos próximos meses.

O processo de dessalinização envolve etapas integradas. A água é captada de poços tubulares e passa por um pré-tratamento, no qual filtros removem sedimentos e impurezas. Em seguida, ocorre a osmose reversa: bombas de alta pressão forçam a água por meio de membranas semipermeáveis, que retêm os sais e liberam água purificada. Depois disso, a água recebe correção de pH e desinfecção, garantindo segurança antes de ser encaminhada ao reservatório de distribuição. Já o concentrado salino resultante é direcionado a tanques de contenção e, em algumas comunidades, é reaproveitado para o cultivo de tilápia ou para irrigação de plantas forrageiras adaptadas a solos mais salinos.

Mais saúde
Segundo o coordenador estadual do Programa Água Doce em Sergipe, Vandesson Carvalho, nessas localidades, a água subterrânea é naturalmente salobra. Para que se torne própria para consumo, é utilizada a tecnologia de osmose reversa, amplamente adotada em regiões áridas. No Povoado Saco do Camisa, por exemplo, aproximadamente 400 famílias deixaram de consumir água salobra, que causava problemas como hipertensão e cálculo renal. Agora, após seis meses, os moradores já percebem a diferença na qualidade de vida. “Água é vida e água tratada é saúde. O PAD traz dignidade, melhora a saúde das crianças e de toda a população. Recentemente entregamos sistemas também em Carlos Prestes, em Carira, e Bela Aurora, em Porto da Folha. Com os próximos investimentos, vamos beneficiar mais de 5 mil famílias no semiárido sergipano”, afirmou.

No Povoado Saco do Camisa, o sistema de dessalinização distribui cerca de 18 mil litros de água potável por mês, garantindo o abastecimento contínuo das famílias. Cada família pode retirar até 80 litros de água por semana, quantidade suficiente para o consumo e preparo de alimentos, o que reforça a segurança hídrica e a saúde da comunidade.

Gestão compartilhada
A administração do sistema de dessanilização é participativa. A comunidade elege um grupo gestor responsável pela operação e controle do sistema. A partir de um acordo de gestão firmado entre os entes públicos e comunidade, no povoado Saco do Camisa, os moradores contribuem com um pequeno valor que cobre pequenas manutenções e remunera os operadores locais, enquanto a prefeitura arca com a conta de energia. Estado e União garantem suporte técnico e manutenção especializada.

”A comunidade definiu uma contribuição no valor de R$ 20 por família, para cobrir pequenas manutenções do sistema. Aqui no Saco do Camisa, cada família tem direito a 40 litros de água por dia, duas vezes por semana, totalizando 80 litros semanais, e os operadores auxiliam na entrega quando necessário. É um sistema sustentável e participativo, com a contribuição e o envolvimento de toda a comunidade se fortalece o sentimento de cuidado e pertencimento do bem público”, destacou o coordenador.

Moradora e membro do grupo gestor da comunidade, Edinalva Batista e Silva destaca o impacto coletivo do programa. “Essa água é um tesouro para a nossa comunidade. Antes, muita gente precisava comprar água ou ir buscar longe, na cisterna de outras pessoas. E água de cisterna não é tratada. Agora, temos água boa para beber e cozinhar, com qualidade. Fico responsável por receber a contribuição dos moradores, pagar os dois operadores e guardar a parte da manutenção. É uma responsabilidade, mas é uma alegria porque é para o bem da comunidade. Chegou na hora certa”, relatou.

Para o prefeito do município, Roberto Barracão, a articulação entre as esferas pública e a sociedade é essencial para o sucesso do programa. “Governo Federal, Estadual e Municipal estão de mãos dadas para levar água de qualidade ao povo. Isso é dignidade, isso é compromisso com quem mais precisa”, afirmou.

Atuação integrada do Governo de Sergipe fortalece agricultura e dá assistência aos pequenos produtores

Unidades que compõem a Secretaria de Estado da Agricultura trabalham de forma articulada para fomentar políticas públicas que impulsionam desenvolvimento no campo

Foto: Erick O’Hara

Assistência técnica aos pequenos produtores/Foto: Igor Matias

Uma das áreas mais importantes e que mais impulsionam a economia e geração de empregos em Sergipe, a agricultura tem um olhar especial de cuidado por parte do Governo do Estado. E, para que o trabalho aconteça mostrando resultados importantes, as ações da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) são desenvolvidas junto a empresas vinculadas que realizam a execução dos projetos nos quatro cantos de Sergipe.

A Seagri atua como órgão planejador, ao lado de três órgãos executores: Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe (Pronese). Cada uma atua em sua competência, mas todas de forma conjunta para fomentar políticas públicas ligadas à agricultura, especialmente ao pequeno produtor.

A Emdagro é uma empresa que atua na assistência técnica e extensão rural ao pequeno produtor e ao agricultor familiar, com engenheiros agrônomos, veterinários e agrícolas, além da pesquisa agropecuária, regularização fundiária e defesa sanitária animal, com fiscalização e inspeção de produtos e plantações, promovendo segurança alimentar. 

Neste sentido, o presidente da empresa, Gilson dos Anjos, avalia a Emdagro como uma “empresa completa”. “Digo com muita segurança que a Emdagro é uma empresa completa. Aqui, nós fazemos serviços fundamentais. Temos diversos profissionais, principalmente os engenheiros agrônomos, técnicos agrícolas e veterinários, mas, também, há, aqui, assistentes sociais, técnicos em economia doméstica. Não é apenas uma pequena assistência, mas, sim, todo um trabalho com acompanhamento”, afirmou.

Resultados significativos
Em dois anos e dez meses, com apoio do Governo do Estado, a Emdagro vem entregando resultados importantes. Foram mais de 500 toneladas de sementes de milho para o pequeno produtor, mais de 450 toneladas de semente de arroz na região do baixo São Francisco, mais de 650 mil raquetes de palma forrageira, mais de mil inseminações artificiais em bovinos, e cerca de 56 mil Cadastros de Agricultura Familiar (CAFs).

Para Gilson, o apoio da Emdagro tem sido essencial. “É perceptível que, quando um pequeno produtor abandonado, que não tem uma orientação sobre a sua produção, passa a receber a assistência da Emdagro começa a melhorar sua produtividade. Com isso, ele cresce social e economicamente. Nós não visamos lucro financeiro, mas, sim, o lucro social, em melhorar a vida do pequeno produtor rural”, enfatizou.

Junto a isso, há o trabalho da Coderse, que abarcou, em 2023, os serviços da antiga Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação (Cohidro) e atua, especialmente, na gestão dos perímetros irrigados. Atualmente, são seis espalhados pelo estado, onde o Governo de Sergipe conduz o funcionamento do sistema de abastecimento de água bruta para irrigação, gerando emprego e renda no campo, garantindo a permanência do trabalhador na zona rural e criando condições de trabalho.

O presidente da companhia, Paulo Sobral, explica como é feito o trabalho. “Você trabalha com dois pólos imprescindíveis para a manutenção da vida: água e alimento. Entendo a Coderse como uma empresa fantástica porque ela gera vida, estimula a produção de alimento, é responsável pela gestão e produção dos alimentos nos perímetros irrigados. A cesta básica de Sergipe, se você observar, já há alguns anos é a mais barata do Nordeste, e acreditamos que isso se dá, também, pelas ações dos perímetros irrigados. O Governo do Estado tem na Coderse uma empresa com um papel fundamental para a manutenção do homem no campo”, pontuou.

Além disso, a nova perspectiva da Coderse trabalha com mais ênfase na parte de saneamento rural, calçamento, e funções como gestão de emendas parlamentares para transferência de recursos, aquisições de equipamentos que seriam destinados a associações de produtores e municípios, entre outros. Um processo burocrático, mas importante para o desenvolvimento do campo. “É uma parte bastante burocrática. A Coderse, assim, ampliou seus trabalhos, mantendo o que era relativo à antiga Cohidro e se tornando uma companhia de desenvolvimento regional. Essa foi uma ideia do governador, com a perspectiva de captação de recursos e de implementar ações antigas da Cohidro, junto às novas”, acrescentou Paulo Sobral.

Articulação
Já a Pronese tem como objetivo articular políticas públicas, sobretudo para as populações mais vulneráveis, atuando na busca do fomento, financiamento e convênios com organizações como o Banco Mundial e o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FNDA). 

Desta forma, ela se destaca como a empresa que vai até as comunidades mais vulneráveis do estado, levando muitas vezes pavimentação, energia elétrica, melhorias habitacionais e hídricas, mas sempre decidido em conjunto com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, como observa o presidente Adinaldo do Nascimento. “Ela é a empresa que trabalha ativamente com as comunidades na busca, sobretudo, das ações de infraestrutura e qualidade na produção de forma sustentável, fazendo um círculo virtuoso e que o desenvolvimento chegue até as comunidades mais vulneráveis do estado”, complementou.

Por meio de ações como o Programa Nacional de Crédito Fundiário, que assenta famílias com financiamento e apoio do Estado na aquisição de imóveis, e a captação de R$ 150 milhões em recursos para combate à seca, a Pronese atua diretamente nas demandas locais, ouvindo as associações e definindo as prioridades. “Esse trabalho é mais direto de entender a realidade local e já atacar diretamente aquela demanda, ouvindo sempre as associações dessas comunidades, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, tomando a decisão em conjunto e definindo as prioridades com o conselho e as associações, a serem desenvolvidas naquela comunidade”, acrescentou Adinaldo.

Trabalho em conjunto
Cada uma das empresas vinculadas trabalha com suas competências, mas todas atuam de forma conjunta para abranger as demandas da agricultura de forma plena, lideradas pela Seagri. Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Zeca da Silva, essas ações se dão com a liderança do governador Fábio Mitidieri, fazendo com que os resultados sejam alcançados. “Formalmente, a Seagri é como uma empresa mãe. As ações pela promoção da agricultura, pecuária e pesca no estado de Sergipe partem daqui, e essas empresas são os braços operacionais das políticas públicas desenvolvidas. As pessoas que estão nas direções compartilham conosco um pensamento muito parecido, o que traz bons resultados. O governador Fábio Mitidieri nos dá o rumo e nos orienta, para que possamos fazer essa união entre a Seagri e as empresas, desempenhando seus papéis”, pontuou.

O volume de investimentos caminha lado a lado com tais iniciativas. Entre elas, o secretário Zeca destaca a Adutora do Leite, que será executada pela Coderse; e o Programa Sertão Vivo, por meio da Pronese. Somados, eles geram um investimento de R$ 600 milhões. “Nunca em sua história a Seagri teve um volume de investimentos tão grande quanto no atual governo. Com o Sertão Vivo e a Adutora do Leite, a gente vai, de acordo com os nossos técnicos, triplicar em 10 anos a produção do leite no estado de Sergipe. É um olhar estratégico que a Seagri tem, e todas as outras empresas estão envolvidas. O Pronese por conta do Sertão Vivo; a Emdagro com melhoramento genético, cuidado com os animais; e a Coderse com a Adutora do Leite. O agro é uma rede, e isso é uma determinação do governador”, completou. 
 

Última atualização: 9 de dezembro de 2025 12:02.

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