Estado anuncia quase R$ 20 milhões em equipamentos e segurança de barragens para os perímetros irrigados

Investimentos em modernização e segurança hídrica reforçam a irrigação estadual e garantem apoio direto a mais de 1,4 mil agricultores sergipanos

A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) marcou presença na 71ª edição do programa itinerante do Governo do Estado, ‘Sergipe é aqui’, realizada nesta sexta-feira, 10, no município de Itabaiana, no agreste sergipano. Na ocasião, foram assinadas ordens de compra, anunciadas licitações e realizados atendimentos a agricultores irrigantes e à população rural. Também houve exposição de produtos oriundos dos perímetros irrigados e demonstração de tecnologias de dessalinização de água no semiárido. Além disso, foi anunciado um investimento de R$ 19.442.815,80 para os perímetros irrigados estaduais, beneficiando 1.425 agricultores irrigantes. Desse total, R$ 4 milhões serão destinados à aquisição de equipamentos para o perímetro Poção da Ribeira, localizado no município.

Durante o evento, o governador Fábio Mitidieri assinou a Autorização de Compra de Equipamentos para a Revitalização da Irrigação Pública em Itabaiana. Com a autorização, a Coderse irá adquirir equipamentos elétricos, mecânicos e hidráulicos para recompor o parque de máquinas das estações de bombeamento (EBs) 01 e 02 do Perímetro Irrigado Poção da Ribeira. A água de irrigação atende 466 agricultores, gerando renda e garantindo o escoamento anual de mais de 22 mil toneladas de alimentos para Sergipe e Bahia.

O secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), Zeca Ramos da Silva, destacou o anúncio da licitação para obras e programas de segurança e emergência nas barragens dos perímetros irrigados estaduais. “Por meio da Coderse, vamos licitar obras para manutenção e implementação dos Planos de Segurança e Ação de Emergência nas barragens de cinco perímetros irrigados estaduais. Investindo um montante total de R$ 15.442.815,80, em recursos do tesouro do Governo do Estado. Estes investimentos somados com o montante de R$ 4 milhões na compra de equipamentos para o perímetro da Ribeira, totalizam cerca de 20 milhões na produção irrigada, gerando empregos e ampliando a qualidade e quantidade produzida”, ressaltou.

Para o presidente da Coderse, Paulo Sobral, o ‘Sergipe é aqui’ mais uma vez levou investimentos à população rural por meio da companhia. “O Governo do Estado está investindo quase R$ 20 milhões nesses perímetros irrigados. Investimento em segurança para o agricultor produzir, para o servidor trabalhar, e para a população rural próxima das nossas barragens. No Ribeira, as peças e equipamentos que estamos adquirindo incentivam o produtor à plantar sempre e mais, com a irrigação sem interrupções. É o maior investimento feito no perímetro irrigado depois dele entrar em operação, em 1987″, afirmou.

Com a licitação, serão beneficiados todos os 1.425 agricultores irrigantes inseridos nos perímetros irrigados Poção da Ribeira, Jacarecica I e II, Piauí e Jabiberi. As ações também visam garantir a segurança da população que vive nas áreas próximas às barragens, localizadas nos municípios de Areia Branca, Campo do Brito, Itabaiana, Malhador, Lagarto e Tobias Barreto.

O irrigante do perímetro Poção da Ribeira, Arnaldo José dos Santos, destacou a importância da irrigação para o estado. “Sem a água não produzimos o ano inteiro. Com a irrigação, temos condições de irrigar, de produzir, fazer de três a quatro plantios por ano, dependendo da cultura. Circula dinheiro, circula investimento, gera emprego, trabalho e desenvolvimento para o estado. Um dos melhores alimentos de hortaliça é produzido aqui e ainda vendemos muito para Salvador. Parabéns por esse novo investimento, vai proporcionar uma melhoria, para que possamos trabalhar mais, produzir mais e com mais garantia para todos nós”, celebrou.

Os perímetros irrigados estaduais de Sergipe foram responsáveis, no triênio de 2023 a 2025, pela produção de 362.846 toneladas de hortaliças, grãos e frutas. Ao mesmo tempo, foram gerados — a partir da irrigação voltada à produção de alimentação animal — 8.529.622 litros de leite. Toda essa produção resultou em uma estimativa de R$ 659.400.000,00 em renda e capital injetado na economia desses municípios.

Meliponicultura

De Malhador, o irrigante do perímetro Jacarecica II, Eloi Francisco, participou do ‘Sergipe é aqui’ em Itabaiana levando abelhas vivas, fruto de seu trabalho com meliponicultura e apicultura. “Estão fazendo nove anos que trabalho com a produção de mel. A abelha com ferrão faz um raio na produção de 3km em volta da colmeia. Essas outras, a Uruçu é 2km. Elas começam a produzir na primavera, já a partir de 15 de agosto e vão até abril. O nosso mel é riquíssimo, porque temos mais de 50 espécies de plantas que elas coletam. Plantas rasteiras e árvores grandes e arbustos”, destacou.

Exposição

Uma maquete do Programa Água Doce, coordenado no estado pela Seagri e suas vinculadas, demonstrou o funcionamento de um dos 32 sistemas de abastecimento de água implantados no semiárido de Sergipe. Também foram expostos produtos agrícolas dos perímetros Jacarecica I e Poção da Ribeira, em Itabaiana; Piauí, em Lagarto; e Jacarecica II, presentes em Areia Branca, Malhador e Riachuelo, evidenciando o potencial da irrigação pública fornecida pela Coderse no estado.

Nova etapa do projeto Lagos do São Francisco beneficiará mais de 2,6 mil produtores rurais em quatro estados do Nordeste

Foi lançada, no dia 12 de março, em Paulo Afonso (BA), a segunda fase do Projeto Lagos do São Francisco. A iniciativa é executada pela Embrapa Semiárido com financiamento da AXIA Energia, em parceria com a Fapeg, prefeituras municipais, Emater de Alagoas e Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse).

Com investimento de R$ 2,4 milhões e duração prevista de três anos, a nova etapa promoverá ações voltadas ao desenvolvimento social e produtivo nas comunidades do entorno dos lagos formados por usinas hidrelétricas do Rio São Francisco.

Ao todo, 2.636 produtores rurais deverão ser beneficiados em seis municípios: Delmiro Gouveia e Olho D’água do Casado (AL); Paulo Afonso (BA); Petrolândia (PE); e Canindé do São Francisco e Porto da Folha (SE).

Nesta fase, serão implementados planos de ação voltados a diferentes cadeias produtivas, como fruticultura, criação de galinha caipira, bovinocultura, caprinovinocultura, produção de hortaliças e beneficiamento de leite e frutas. O projeto também contempla ações ambientais, incluindo a recuperação de nascentes e matas ciliares, além de atividades de gestão e comunicação.

Durante o evento de lançamento, que reuniu autoridades, produtores rurais, técnicos e representantes de instituições parceiras, foram apresentados depoimentos de agricultores que participaram da primeira fase do projeto e detalhadas as atividades previstas para o novo ciclo.

Fortalecimento da produção e parcerias

Na abertura, a Chefe-geral interina da Embrapa Semiárido, Lúcia Kill, destacou a relevância das parcerias institucionais para o desenvolvimento sustentável. “É uma grande satisfação participar do lançamento desta nova etapa do projeto Lagos do São Francisco, que mostra como a cooperação entre instituições públicas, setor privado e organizações locais pode gerar resultados concretos para o desenvolvimento regional”, afirmou.

Segundo a gestora, os resultados anteriores comprovaram o potencial da integração entre pesquisa, assistência técnica e capacitação. “Investir em conhecimento, inovação e qualificação é uma das formas mais eficientes de promover o desenvolvimento das comunidades rurais”, destacou Lúcia.

A diretora da AXIA Energia, Márcia Massotti, ressaltou que o projeto integra a política de investimento social da empresa e busca contribuir para o desenvolvimento das comunidades situadas nas áreas de influência de suas operações.

“Esse é um território muito importante para a história da AXIA, que nasceu em Paulo Afonso há mais de 75 anos. Acreditamos muito no potencial da região e em iniciativas que promovam capacitação, geração de renda e fortalecimento da agricultura local”, afirmou.

Segundo a diretora, a continuidade do projeto reforça o compromisso da companhia com os territórios onde atua. “A primeira fase do Lagos do São Francisco demonstrou resultados importantes. Estudos indicam que, a cada real investido no projeto, foram gerados três reais em valor para a comunidade. Esperamos que esta nova etapa amplie ainda mais esses impactos positivos”, concluiu.

Metodologia baseada em aprendizado prático

De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto, Rebert Coelho, um dos diferenciais da iniciativa é a metodologia baseada na implantação dos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs). Esses espaços funcionam como unidades demonstrativas instaladas em propriedades de produtores selecionados, atuando como ambientes de aprendizagem prática para a aplicação de tecnologias.

“Nos CATs, os produtores recebem insumos, como mudas, sementes e ferramentas, e têm a oportunidade de aprender e aplicar técnicas de manejo em diferentes culturas, sempre considerando a capacidade e a aptidão produtiva de quem está sendo atendido”, explicou Rebert.

Na primeira fase (2019-2024), foram implantados 508 CATs, atendendo diretamente 508 produtores e capacitando mais de 5.200 pessoas. Com a nova etapa, a expectativa é ampliar o alcance das ações no entorno dos lagos.

O coordenador também destacou o papel das prefeituras e equipes de assistência técnica: “Essa cooperação é fundamental para aproximar o projeto dos agricultores e garantir que as tecnologias cheguem de forma efetiva às propriedades”.

Potencial regional e impacto na vida dos produtores

O evento contou com diversas representações políticas e sociais. Para o prefeito de Paulo Afonso, Mário César Barreto Azevedo, o projeto tem sido um importante impulsionador do desenvolvimento agrícola da região, historicamente marcada por dificuldades.

“Nossa região tem um enorme potencial hídrico, agrícola e turístico. Durante muitos anos vimos o desenvolvimento acontecer em outras áreas do Vale do São Francisco, como Petrolina e Juazeiro. Projetos como esse ajudam a abrir novos caminhos para que também possamos crescer”, afirmou o prefeito.

Ele ressaltou ainda a necessidade de envolver as novas gerações na agricultura: “Precisamos fazer com que nossos jovens acreditem no potencial da terra e da agricultura irrigada. Esse projeto pode ajudar a construir esse futuro”.

Representando os agricultores beneficiados na Fase I do Projeto, o produtor Valmir Matos, de Canindé do São Francisco, no Alto Sertão sergipano, relatou o impacto real da iniciativa em sua vida. Segundo ele, o acesso à capacitação e à orientação técnica tem contribuído para melhorar a produção e ampliar as oportunidades para quem vive do campo.

Valmir também destacou a expectativa com a continuidade do projeto. “Espero que o Lagos do São Francisco siga avançando e possa beneficiar cada vez mais pessoas. O pequeno produtor enfrenta muitas dificuldades, e qualquer apoio faz diferença. Afinal, como diz um velho provérbio: se o campo não planta, a cidade não janta”.

Outro beneficiário do projeto, o produtor Valney Soares, que foi contemplado com um CAT voltado à produção de limão, também relatou os resultados obtidos. Segundo ele, o acompanhamento técnico foi fundamental para superar desafios iniciais de manejo e adaptação da cultura ao solo arenoso da propriedade.

“Além do limão, hoje também cultivo macaxeira e tomate. O mais gratificante é poder compartilhar o que aprendi com outros produtores; este é, sem dúvidas, um projeto que tem transformado a vida de todos aqui na região”.

Fonte: Embrapa Semiárido

Dia da Mulher na Ceasa Aracaju teve atendimentos em saúde e atenção social a clientes e trabalhadoras

Coderse administra o espaço público do Governo do Estado e promove o abastecimento em Sergipe com atendimento a permissionários, trabalhadores e clientes.

Dia Internacional da Mulher foi celebrado na 1ª edição do evento ‘Mulheres que Movimentam a Ceasa’. // Foto: Ana Flávia (Ascom Coderse)

Na Central de Abastecimento de Sergipe (Ceasa Aracaju), o Dia Internacional da Mulher foi celebrado na última segunda-feira, 9, com a 1ª edição do evento ‘Mulheres que Movimentam a Ceasa’. A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e parceiros ofereceram às clientes e trabalhadoras uma manhã de atendimentos e orientações em saúde e ações de enfrentamento à violência de gênero.

A programação contou com a presença do Ônibus Lilás e do projeto ‘Visão Para Todos’, além de recreação infantil, aplicação de vacinas e o Circuito Saúde e Bem-Estar do Serviço Social da Indústria (Sesi Sergipe).

A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, destacou que é por meio de atividades como as realizadas na Ceasa Aracaju que a discussão sobre políticas públicas para as mulheres chega à sociedade. “A gente só enfrenta a violência contra a mulher a partir desse letramento, das informações levadas ao povo. É trazer isso para as mulheres que movimentam esse espaço, sejam as permissionárias, as clientes ou as mulheres do entorno. Estamos abordando e dialogando com todas, e também com os homens”, afirmou. A secretaria é responsável pelo Ônibus Lilás, que leva serviços, informações e ações de combate à violência de gênero para todo o território sergipano.

Ivanete Francisca Menezes de Oliveira comercializa frutas na Ceasa Aracaju há 50 anos e agradeceu a oportunidade de participar dos atendimentos do evento ‘Mulheres que Movimentam a Ceasa’, destacando que muitas vezes não consegue cuidar da própria saúde por causa da rotina de trabalho. “O movimento está ótimo, movimentando a Ceasa. E esse movimento é maravilhoso, que venha mais, porque aqui precisa. A gente não tem tempo para ir ao médico. E hoje temos atendimento com médico oftalmologista. Está beleza, ótimo”, afirmou.

Vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca de Sergipe (Seagri), a Coderse administra a Ceasa Aracaju. A diretora administrativa e financeira da companhia, Patrícia Moura, avaliou positivamente o resultado do evento e anunciou que já existe planejamento para novas atividades na central de abastecimento. 

“Foi uma forma de demonstrar atenção e cuidado com a mulher, com a sua saúde e com o enfrentamento à violência doméstica. Precisamos trabalhar esse tema de forma constante para que, um dia, esse mal acabe. Também pudemos atender as mulheres que trabalham na Ceasa e na Coderse. É um cuidado com as nossas colaboradoras, que fazem da empresa um lugar melhor”, considerou.

Cliente da Ceasa, a dona de casa Kethylen Alexandra participou da ação e aprovou os serviços oferecidos pelos parceiros da Coderse. “Estou gostando muito do evento, está maravilhoso. Fiz exame de vista e também recebi orientações sobre a violência contra a mulher. Isso é essencial na vida da gente. Ficou muito bom, gostei bastante”, avaliou.

Durante a programação, foram ofertados serviços de orientação sobre o enfrentamento à violência de gênero no Ônibus Lilás, além de espaço kids para acolher crianças que acompanhavam as mães. Também foram aplicadas vacinas contra Covid-19 (adulto), hepatite B, febre amarela, difteria, tétano e tríplice viral, disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde.

No Circuito Saúde e Bem-Estar do Sesi, a programação incluiu cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), orientações nutricionais preventivas e acompanhamento de educador físico, além da distribuição de brindes institucionais. O projeto ‘Visão Para Todos’ ofertou exames oftalmológicos gratuitos e a confecção de óculos para as participantes.

Quiabo está entre principais culturas da irrigação pública de Sergipe

Tecnologia fornecida pelo Governo do Estado ao longo do ano de 2025 possibilitou a produção de quase 28 mil toneladas deste vegetal. O quiabeiro irrigado permite colheitas por até oito meses

Para o produtor irrigante do perímetro Piauí, Nielson de Oliveira, o cultivo do quiabo é a principal fonte de renda familiar // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

Entre 2023 e 2025, os cinco perímetros irrigados de vocação agrícola mantidos pelo Governo do Estado consolidaram a produção de quiabo como uma das principais cadeias produtivas de Sergipe. A partir do levantamento dos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), no período, foram colhidas quase 28 mil toneladas do vegetal, cultivadas em 1.569 hectares, gerando mais de R$ 51 milhões em renda para os produtores irrigantes. O quiabo na irrigação pública estadual só perde para a batata-doce (52,7 milhões de toneladas e R$ 102 milhões no triênio).

Conforme a Coderse — vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) — o melhor desempenho dos seus perímetros irrigados no triênio foi registrado em 2025. Somente no último ano, a produção alcançou 10.940 toneladas, em uma área de 559 hectares, com faturamento de R$ 17.598.995,00. Em comparação com 2024 houve aumento de 22% na produção, reforçando a importância da irrigação permanente para garantir regularidade e qualidade ao cultivo.

A maior parte do volume colhido segue concentrada no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco, alto sertão sergipano. Entre 2023 e 2025, o polo agrícola administrado pela Coderse produziu 22,3 mil toneladas de quiabo, sendo 9 mil toneladas apenas em 2025. A produção é escoada principalmente para Salvador/BA, além de atender o mercado do estado de Alagoas e municípios sergipanos.

Mas também tem quiabo no Perímetro Irrigado Piauí, situado em Lagarto, centro-sul do estado. Lá foram produzidas 538 toneladas no acumulado dos últimos três anos, sendo mais de 178 toneladas em 2025. De acordo com o gerente do perímetro, Gildo Almeida, durante o verão e períodos de estiagem, a produção mantém qualidade elevada graças ao fornecimento regular de água. “Sem boa irrigação, não produzia. Se fosse depender só da chuva do inverno seria até mais difícil por causa do excesso de água no solo”, avalia.

O gerente também ressaltou que o aumento da produção em 2025 está associado ao manejo adequado da cultura e à destinação das safras aos programas de compras institucionais, como o de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além do abastecimento das feiras e mercados locais.

O perímetro Piauí atende agricultores de sete povoados de Lagarto e possibilita diversificação produtiva, incluindo pecuária leiteira e criação de gado de engorda, com a produção de ração e silagem, além de culturas como batata-doce, macaxeira e milho. “Se não fosse a água fornecida pela Coderse, não tinha como produzir tudo isso”, enfatizou.

Para o produtor irrigante do perímetro Piauí, Nielson de Oliveira, o cultivo do quiabo é a principal fonte de renda familiar. Ele informa que a planta começa a produzir entre 60 e 70 dias após o plantio e pode manter colheitas por até oito meses, dependendo das condições do solo e do manejo. “A irrigação aqui é de grande importância. Se não fosse ela, a gente não produzia nada. Mesmo plantando no inverno, o custo seria maior”, afirmou. Segundo o agricultor, a irrigação também reduz despesas com adubação e otimiza o uso de insumos, garantindo maior margem de lucro. Parte da produção é destinada ao  Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e outra ao comércio e feiras do município.

Além dos perímetros Califórnia e Piauí, também produzem quiabo os perímetros irrigados Jacarecica I, em Itabaiana; Jacarecica II, situado entre os municípios de Areia Branca, Malhador e Riachuelo; e no Poção da Ribeira, na divisa entre Areia Branca e Itabaiana. Em cinco dos seis perímetros da Coderse, ou seja, em todos onde a vocação é a agricultura, tem produção de quiabo.

Governo de Sergipe realiza Missão de Arranque do Projeto Sertão Vivo com representantes do FIDA e BNDES

Sergipe é o terceiro estado do Nordeste a iniciar as atividades do projeto, que beneficiará a população rural do semiárido

Governo de Sergipe realiza Missão de Arranque do Projeto Sertão Vivo com representantes do FIDA e BNDES // Fotos: Vieira Neto/Ascom Seagri

A Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) recebe, de 25 a 27 de fevereiro, representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),  Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Fundo Verde do Clima (GCF) para a Missão de Arranque do projeto Sertão Vivo. A comitiva foi recepcionada pelo secretário da Agricultura, Zeca Ramos da Silva, que também coordenou a sessão de abertura da missão. Sergipe é o terceiro estado do Nordeste a iniciar as atividades do projeto, que beneficiará a população rural do semiárido.

Durante a saudação de abertura da Missão de Arranque, o secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva, destacou as condições financeiras positivas do Estado que deu as condições para Sergipe ser um  dos primeiros junto com o Ceará a contrair os empréstimos para execução do Sertão Vivo. “Esse credenciamento junto ao FIDA e BNDES se dá muito pela capacidade técnica de nossa equipe, pelo esforço do governador de ajustar as contas públicas e pelo excelente trabalho feito pela Secretaria da Fazenda”.

O secretário da Agricultura pontuou ainda que, o ‘Sertão Vivo’ somado ao Projeto Adutora do Leite, que leva água bruta para dessedentação animal da bacia leiteira, e outros pequenos projetos somam quase R$ 1 bilhão em ações que beneficiam diretamente os que mais precisam do apoio do Estado. “Nunca antes na história da agricultura de Sergipe tivemos um volume de recursos como esse que vai promover o fortalecimento da segurança hídrica e a questão social, com foco nos agricultores familiares,nos que mais precisam do braço do Estado”, observou o secretário 

Durante os três dias, serão discutidos temas como a situação atual do ‘Sertão Vivo’, governança, aquisição e capacitação de ATER, gestão financeira e administrativa, monitoramento e avaliação, sistemas do FIDA e do BNDES, entre outros temas.

Diretor do FIDA  no Brasil e líder da Missão, Arnoud Hameleers destacou a relevância da missão. “Para o FIDA, essa missão é extremamente importante, porque é o pontapé da colaboração com o Governo do Estado, a Seagri e o BNDES, nesse estratégico projeto que é o Sertão Vivo. Estamos aqui para definir, junto com os colegas da Seagri, como o projeto pode iniciar o trabalho, como podemos começar nas melhores condições para que esse projeto seja  mais eficiente para o estado”.

Ainda de acordo com o líder da Missão,  o FIDA chega em Sergipe com uma experiência do Projeto Dom Távora, inclusive citando como referência. “Muitas lições aprendidas no Dom Távora, que a gente vai transcrever aqui para o nosso projeto. lições aprendidas também na experiência do Projeto Dom Helder na fase dois. E também eu acho que vai ter muita sinergia entre o Sertão Vivo com outras iniciativas que o Governo do Estado tem com o Governo Federal e outros parceiros”, acrescentou

O projeto Sertão Vivo tem como objetivo transformar os sistemas produtivos dos agricultores familiares do semiárido nordestino para aumentar a produção e, ao mesmo tempo, reforçar a resiliência diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Essa transformação visa ampliar e estabilizar a renda familiar e a segurança alimentar, além de incentivar os jovens a permanecerem ativos nas áreas rurais. Esses sistemas também contribuirão para a adaptação e mitigação das mudanças climáticas.

Para a representante do BNDES, Celina Rangel Tura, a expectativa é de que o Projeto Sertão Vivo sirva de modelo para a superação dos desafios importantes para o mundo. “O sertão vivo é motivo de orgulho para todos nós, porque ele trata de grandes questões, não só nacionais, como questões mundiais. Neste projeto vamos gerar conhecimento, troca de experiência no âmbito econômico, social e ambiental. Por isso, estamos muito felizes de ter vindo aqui e fazer parte da construção desse legado que o Nordeste está construindo em termos de inovação, gestão, a exemplo do que tem feito o Consórcio Nordeste. Mas, a conversa agora é como a gente constrói esse Sertão Vivo potente”. Ressaltou Celina com sentimento de motivação.

Sobre o Projeto Sertão Vivo

O Sertão Vivo vai injetar R$ 150 milhões em Sergipe, para atender 38 mil famílias de agricultores. Serão  30  municípios atendidos e 38 mil famílias que seguirão trilhando um caminho de resiliência, produção e vida digna no semiárido. O projeto Sertão Vivo é executado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), com prazo de realização programado até o ano de 2030. Tem como coexecutoras as empresas vinculadas à Seagri: Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe (PRONESE); Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (EMDAGRO); e, Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (CODERSE).

Com o Sertão Vivo, serão implantados sistemas de produção resilientes a mudanças climáticas e construídos reservatórios de água para uso na lavoura, como cisternas-calçadão, barreiros, trincheiras e outras tecnologias sociais. As ações estão alinhadas às diretrizes do Planejamento Estratégico do Estado do Estado, que,  em seus eixos prioritários, enfatizam a redução da pobreza rural, o acesso à água, a elevação do padrão de vida dos agricultores familiares, a inclusão socioeconômica e a sustentabilidade ambiental.

Governo do Estado dá continuidade e amplia Programa Água Doce em Sergipe

Concluídas as obras, serão ao todo 43 comunidades com água potabilizada por dessalinizadores
Três novos sistemas de dessalinização construídos, beneficiando quase 500 famílias nos municípios de Poço Verde (Povoado Saco do Camisa), Porto da Folha (Povoado Bela Aurora) e Carira (Assentamento Carlos Prestes) // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

Programa que supera ao mesmo tempo as dificuldades do acesso à água no semiárido e da oferta dela com alta salinidade no subsolo daquela região, o Água Doce (PAD) passou a operar em Sergipe a partir de 2025, com três novas unidades de dessalinização. Hoje são cerca de três mil famílias atendidas com água potável de 32 desses sistemas, em comunidades rurais de nove municípios. No mesmo período, o Governo do Estado começou  licitação para outras 11 unidades do PAD e  também houve a recuperação de seis sistemas e outras 40 visitas das equipes de manutenção.

Nesta semana foram realizadas visitas às comunidades de Três Tanques, em Carira, no agreste central, e no povoado Craibeiro, em Porto da Folha, no alto sertão, onde foram realizados reparos e manutenção nas bombas d’água que fazem o sistema de dessalinização funcionar. 

Cleverton Rodrigues Gonçalves de Melo é usuário e operador da unidade do Craibeiro e reforça a importância do acompanhamento periódico feito pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à  Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), pasta onde o PAD é coordenado no estado. “Aqui é uma comunidade que sempre sofreu com a falta de abastecimento de água, mas o dessalinizador do PAD tem ajudado bastante. Oferecemos água mineral subterrânea tratada e o pessoal da Coderse sempre faz a análise para ver como está. O Governo do Estado tem disponibilizado a equipe para prestar atendimento na reforma nos aparelhos e fazer manutenção nas bombas, quando dá defeito, e em todo o equipamento”, relatou Cleverton Rodrigues.

Coordenador Estadual do PAD em Sergipe, Vandesson Carvalho informou que a equipe da Coderse faz visitas para avaliar a qualidade da água ou quando são chamados operadores. “Eles têm capacitação, feita em 2023, para operar o sistema e fazer algumas atividades de manutenção, como a retrolavagem e a reposição de produtos usados na filtragem da água. A Coderse é acionada quando é necessário um técnico ou equipamentos”. Ele informa que no último ano houve intervenções nas unidades de Porto da Folha, Simão Dias, Tobias Barreto, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Poço Verde e Carira. Nas duas últimas, houve também a recuperação de sistemas ou poços. 

Segundo o diretor de Infraestrutura Hídrica da Coderse, Ernan Sena, a companhia tem expertise em serviços em poços, o elemento principal para um sistema de dessalinização, contando com pessoal capacitado e máquinas. “Em 2025, cinco poços em sistemas do PAD em Poço Verde passaram por limpeza e teste de vazão, feito por equipes da Gerência de Perfuração. Esta limpeza das impurezas presentes no poço é uma forma de  aumentar a produção de água e o tempo de vida do poço, todos com mais de dez anos de atividade só atendendo os dessalinizadores”, destacou.
 

Novos sistemas
Também no início desta semana, o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral, esteve com o secretário Nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Serra, em Brasília/DF. O departamento federal faz parte do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), que coordena o nacionalmente o PAD. Além de Sergipe, o programa está presente nos outros oitos estados do Nordeste e em Minas Gerais. “Nosso encontro em Brasília tratou da implementação dos 11 novos sistemas do Água Doce, que estão em processo de formalização de licitação para ser lançada em breve pela Coderse. Um investimento de R$ 9 milhões, consolidando a retomada do crescimento do programa em Sergipe a partir de 2025, quando foram construídos três sistemas em Carira, Poço Verde e Porto da Folha. Ao final dessas duas empreitadas de obras, o Governo do Estado vai ampliar de 29 para 43 o número de comunidades do semiárido com sistemas de dessalinização PAD”, completou Paulo Sobral.

Responsabilidade ambiental
O operador Cleverton Rodrigues foca na importância do uso racional dos sistemas de dessalinização. A água do poço não é infinita e somente cerca de 50% dela é aproveitada para consumo, restando porcentagem igual com alta concentração de sal e que deve ter destinação correta, para não contaminar o solo. “A gente faz o atendimento pessoal, que vem com seus galões para poder pegar duas vezes por semana, cada um tem a sua quantidade, porque o sistema também não suporta. Água é saúde pública, é um bem que ninguém vive sem e aqui você não precisa comprar água mineral, tem na própria comunidade”.

Construção da Adutora do Leite teve 1º sessão pública de licitação realizada pelo Governo do Estado

Estimativa é investir R$ 618,2 milhões para beneficiar aproximadamente 23 mil famílias que vivem da pecuária e da agroindústria no alto sertão
Foto: Vieira Neto/Ascom Seagri

Melhorar o acesso à água para a atividade agropecuária é a grande demanda da população, predominantemente rural, da região que mais produz leite no estado. Atendendo a isso, o Governo do Estado está na fase licitatória para a construção da Adutora do Leite. Na manhã desta terça-feira,10, no auditório da Secretaria de Estado da Administração (Sead), em Aracaju, ocorreu a 1º sessão da Concorrência Presencial 02/2025, para a elaboração de projeto executivo e execução das obras do Sistema de Adução do Alto Sertão Sergipano.  

O secretário de Estado da Agricultura,  Desenvolvimento Agrário e da Pesca, Zeca Ramos da Silva, destacou que a licitação pública é uma das etapas essenciais para a qualidade da obra. “Estamos falando de uma intervenção grande, com todos os cuidados que uma obra desse porte requer da engenharia e dos cuidados com o meio ambiente, por esses motivos estamos trabalhando com total transparência e compromisso técnico desde a elaboração do projeto até a execução da obra”, ressaltou.

Nesta etapa, a Comissão Mista de Licitação recebe as propostas, do tipo técnica e preço, das empresas participantes e ocorre a abertura dos envelopes, etapa registrada em ata assinada pelas partes e registrada em meio audiovisual, conforme determina a Lei Federal 14.133/2021.

O  Consórcio Heca-Camel – Obras Hídricas, participou do processo licitatório e, em levantamento prévio da comissão, o número de volumes dos documentos que compõem a proposta apresentada pelas empresas atenderam aos requisitos exigidos no edital da licitação, lançado em 11 de dezembro de 2025. A comissão fará uma análise aprofundada da documentação de habilitação. Concluído este processo, será agendada previamente uma data para o anúncio da divulgação do resultado do trabalho. 

Secretário Especial de Gestão das Contratações (Seclog), Walter Pereira Lima é o coordenador-geral do empreendimento público. Segundo ele, sua atuação é na articulação técnica, administrativa e institucional necessária para assegurar o planejamento da execução da obra. Já a comissão de licitação é composta por membros da Seclog; da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da sua empresa vinculada, a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse).

“A Adutora do Leite é um projeto estratégico do Governo do Estado, idealizado e priorizado pelo governador Fábio Mitidieri, com foco no fortalecimento da segurança hídrica, no desenvolvimento do alto sertão sergipano e no apoio direto à produção agropecuária e aos perímetros irrigados”, destaca Walter Pereira Lima.

A partir de Canindé de São Francisco, a estrutura da adutora do leite se estenderá por 123 km, atendendo no caminho comunidades rurais de Poço Redondo, Porto da Folha, Monte Alegre de Sergipe — e outros municípios do alto sertão sergipano — até chegar em Nossa Senhora da Glória. Essa é uma parcela do estado em que pecuaristas, hoje, têm dificuldade de acesso à água para manter os criatórios, por volta de 265 mil animais, com 180 mil somente bovinos.

De acordo com levantamento, cerca 23 mil famílias serão beneficiadas no alto sertão com a obra cujo investimento estimado é de R$ 618,2 milhões. Além da tubulação, a licitação contempla o projeto de adequação da Estação Elevatória de Água Bruta (EEAB-100), a construção de outras quatro EEABs, 22 reservatórios, 21 pontos de distribuição projetados e a recuperação para melhorias no Perímetro Irrigado Califórnia, também mantido pelo Governo do Estado em Canindé. 

Primeiros passos
Assinada pelo governador Fábio Mitidieri, em 21 de setembro de 2024, a ordem de serviço autorizou a Coderse e a empresa terceirizada Encibra Engenharia a realizarem os estudos e projetos da viabilidade técnica, dos materiais e métodos para a construção da Adutora do Leite, projeto que ficou pronto em paralelo à etapa de elaboração do processo licitatório da execução da obra, que resultou no edital lançado em dezembro de 2025.

“Com investimento estimado em mais de R$ 600 milhões, trata-se de uma obra estruturante, que reafirma o compromisso do Governo do Estado com o desenvolvimento regional sustentável, a eficiência da gestão pública e a melhoria da qualidade de vida da população sergipana”, concluiu o secretário Walter Pereira Lima.

Governo do Estado leva abastecimento de água para localidades rurais de Santa Rosa de Lima

Novo sistema de abastecimento fornece água de qualidade em comunidade remota, superando a falta de acesso à rede elétrica usando energia solar

José Francisco do Santos conta que era preciso andar 1,5km
para ter acesso a uma água que não era de boa qualidade como a do SSA instalado perto de sua casa // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

Moradores do Assentamento Marcelo Déda, em Santa Rosa de Lima, no leste sergipano, tiveram o que comemorar durante o 66º ‘Sergipe é aqui’, realizado no município nesta sexta-feira, 30. Um sistema simplificado de abastecimento (SSA) movido à energia solar acaba de ser implementado para abastecer com água de qualidade as 38 famílias da povoação. Outros três novos SSAs para Santa Rosa Lima também foram anunciados no ‘governo itinerante’, totalizando um investimento de mais de meio milhão de reais nessas quatro obras de infraestrutura hídrica. 

Vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) lançou, no dia do evento, as licitações para a perfuração de poços e obras de engenharia para implantar 57 novos SSAs em todo estado, três em Santa Rosa de Lima.

Como a unidade que passou a operar no Assentamento Marcelo Déda, esses três novos SSAs fazem parte do Programa Água para Quem Mais Precisa, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR). Serão investidos, só no município, mais R$ 415.486,47 em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e contrapartida do Estado.

“Água é vida. Tudo aquilo que a gente consegue viabilizar, potabilizar, levando água de qualidade para a população, melhora a vida das pessoas, diminui os problemas de saúde e o êxodo rural, para as pessoas de fato continuarem na sua área. Por exemplo, esse poço no assentamento Marcelo Déda, é em um assentamento beneficiando 38 famílias, e apenas quatro delas estavam morando na comunidade. Com certeza, a partir desse poço agora, elas vão retornar, para produzir e tirar o seu sustento do trabalho no campo”, avaliou Paulo Sobral, diretor-presidente da Coderse. 

José Francisco dos Santos é assentado no Marcelo Déda há 12 anos, onde vive com a esposa, filhos, e produz macaxeira, inhame, milho, feijão e cana, para dar de ração ao gado que cria em seu lote. Para o agricultor, a vida melhorou 100%. “Melhorou muito porque aqui era um sofrimento para água e, agora, graças a Deus, temos a água perto de casa, A água, a gente leva para casa para tomar, pode lavar uma roupa. Viajamos mais de 1,5 Km para lavar uma roupa e não era como essa porque a água era meio suja, com bagaço, no tempo de chuva entrava folhas dentro da mina e, agora, não, temos uma tipo água mineral. Para a saúde, a água é melhor. Agradeço às pessoas de bem que nos ajudam e a Deus”, contou.

O SSA do Marcelo Déda é abastecido por poço, perfurado através da Coderse, com 90m de profundidade e que produz 6.092 litros de água por hora. O sistema ficou impedido de funcionar pela localização remota, distante das redes de transmissão de energia elétrica. Em parceria com a Prefeitura Municipal de Santa Rosa de Lima e como uma das ações do ‘Sergipe é aqui’ realizadas no município, a unidade de produção de água foi posta em funcionamento através da implantação de quatro painéis de captação de energia solar. Somando perfuração, bomba submersa, reservatório, infraestrutura de engenharia e sistema elétrico fotovoltaico, o investimento total ficou em, aproximadamente, R$ 100 mil.

Ainda segundo Paulo Sobral, “a instalação definitiva do SSA no Marcelo Déda foi um marco na atividade de perfuração e implementação de SSA da Coderse. Superou a dificuldade da falta de acesso à energia elétrica para levar qualidade de vida aos moradores. Por outro ponto de vista, a energia solar elimina os custos de consumo de eletricidade para os moradores e administração municipal”, analisa o presidente da companhia ao destacar que, no ‘Sergipe é aqui’, foram disponibilizados à população todos os serviços de infraestrutura hídrica da empresa, expondo, também, o trabalho em dessalinização de água no semiárido sergipano feito pelo Programa Água Doce.

Pavimentação granítica interliga povoados no interior sergipano e retira população da lama e poeira

A Coderse executa, simultaneamente, além da intervenção em Lagarto, outras duas obras de pavimentação, investindo R$ 5.255.559,08

Para além de melhorar a mobilidade para quem se desloca entre os povoados Brasília e Urubu Grande, em Lagarto, centro sul sergipano, a pavimentação granítica construída pelo Governo do Estado, leva qualidade de vida e saúde para a população que vive na, até então, rodovia vicinal de cerca de 1,5km. O calçamento elimina o acúmulo de lama, no período de chuvas, e a poeira na época de estiagem.  Com previsão de conclusão no mês de maio, a obra em Lagarto está 30% concluída.

A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) — vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) – executa, simultaneamente, além da intervenção em Lagarto, outras duas obras de pavimentação, investindo R$ 5.255.559,08 beneficiando quase 900 famílias, ao atender outros seis povoados em Neópolis, no baixo São Francisco, e Campo do Brito, no agreste. Só na obra entre as comunidades de Lagarto, a empresa pública está investindo R$ 1.337.000,00, oriundos de emenda parlamentar do deputado federal Fábio Reis.

Professor de Matemática na rede pública de ensino, Gilvan Ângelo da Silva vive desde que nasceu no povoado Brasília. Sua casa fica no caminho para a comunidade Urubu Grande e já recebeu o calçamento na porta. “Vai melhorar a limpeza, não vai ter lama. Aqui era muita lama, muita poça de água, muita poeira. E a estrada pavimentada, melhor nesse sentido. Era muito ruim, você não podia nem pintar a casa porque aqui é uma estrada muito movimentada, os carros passavam e jogavam lama nas paredes”, recordou.

Durante fiscalização da Gerência de Engenharia da Coderse, o diretor de Infraestrutura Hídrica da companhia, Ernan Sena, viu de perto o trabalho da empresa licitada para o calçamento em Lagarto. “É uma obra que trará para esses povoados o saneamento rural, eliminando de uma vez por todas a poeira da casa dos moradores. É uma obra do Governo do Estado, em que estamos trazendo maior desenvolvimento para a população do interior”, destacou. 

Campo do Brito

Mais adiantada e prevista para ser concluída no final de fevereiro, a obra de calçamento do povoado Rodeador, em Campo do Brito, vai beneficiar cerca de 80 famílias, a partir de um investimento de R$ 332.736,82 do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR), via Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). A empresa federal fiscaliza a aplicação dos recursos, enquanto a Coderse executa, por meio de construtora licitada, e faz a fiscalização da obra. 

“Vai mudar e já está mudando muita coisa porque a gente só vivia na lama e a água querendo levar tudo e, agora, está um serviço excelente. Estou adorando o serviço, muito bom. A poeira atrapalhava também, na limpeza da casa, em tudo. Agora está ótimo”, comemorou a aposentada Jeilma de Jesus Santos Borges, que mora há mais de 50 anos no povoado Rodeador. 

Seagri promove ações e disponibiliza serviços à população de Pacatuba no ‘Sergipe é aqui’

Atividades aconteceram nesta sexta-feira, 9, na primeira edição do programa deste ano

O município de Pacatuba, na região do baixo São Francisco, foi o primeiro do ano a receber o programa estadual ‘Sergipe é aqui’, com mais de 160 serviços do Governo de Sergipe. A 64ª edição do projeto de governo itinerante reuniu um grande público na Tenda da Agricultura, onde foram concentradas as ações e serviços realizados pela Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). 

Também estiveram presentes as empresas vinculadas à Seagri: Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e Empresa de Desenvolvimento Sustentável do Estado de Sergipe. O secretário da Seagri, Zeca da Silva, acompanhou as atividades do estande.

No local, agricultores e público em geral puderam obter informações e buscar atendimento para questões relacionadas à área. Os moradores também foram contemplados com mudas frutíferas produzidas pela Emdagro. Ao todo, foram 60 pés de frutas distribuídas gratuitamente, a exemplo de abacate, siriguela, amora, caju, tamarindo, acerola e jaca, entre outras, que atraíram um grande público para o local. Durante o dia de atividades foram entregues ainda 30 amostras de solo, retirados de propriedades rurais, para análise pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe (ITPS). 

Pescadora do povoado Paturi, em Pacatuba, Maria de Lourdes Matias esteve na cidade para aproveitar os serviços oferecidos durante o ‘Sergipe é aqui’ e disse ter ficado satisfeita com o recebimento de uma muda arbórea de graviola para plantar em seu sítio. “Já tenho um pé de fruta em casa, mas está muito feio. Vou levar esse novo para ver se consigo bons frutos”, afirmou, ao destacar que já tinha conseguido ser atendida por um dentista e realizado teste rápido para doenças autoimunes no evento.

Também agricultora, Maria Aparecida da Cruz contou estar feliz por voltar para casa com uma muda de siriguela, fruta que ela não ainda não tinha em seu pomar. No município, ela fornece alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que abastece escolas da região, na merenda escolar. “Vendo maracujá, abacate, banana, abacate, abacaxi e sempre trabalhei na lavoura, com meu marido. Esse é o nosso meio de vida mesmo”, ressaltou Aparecida. 

Ela também preside a Associação de Moradores do Assentamento Padre Nestor, onde mora, e foi até o local para receber o atestado de vacinação de cinco criadores associados que vacinaram seus animais contra a Brucelose e Clostridiose. O programa realizado pelo Governo do Estado, por meio da Emdagro, vacinou 65 animais na localidade.

Já o criador Silvair Santos de Jesus, do povoado Rancho, também em Pacatuba, recebeu o certificado do Cadastro de Agricultor Familiar (CAF) e ficou satisfeito em poder resolver outras pendências que precisava, em um único dia. “Graças a Deus, resolvi tudo hoje. Recebi meu CAF, que considero um documento muito importante, por me ajudar no desenvolvimento da minha produção rural e ainda vou voltar para casa com a segunda via da minha certidão de nascimento e minha nova carteira de identidade”, comemorou o agricultor que planta mandioca, coco e cria gado, juntamente com a mãe e dois irmãos.

Coderse em Pacatuba
|Como tem feito em todas as edições do programa ‘Sergipe é aqui’, a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) também levou para Pacatuba uma maquete de uma das 32 unidades de dessalinização do Programa Água Doce no estado. A empresa conta com serviços no município, perfurando e fazendo testes de vazão em três poços, desde 2023, em atendimento a mais de 40 famílias no campo. No mesmo período, outras oito intervenções em instalação, recuperação e manutenção em poços, realizadas por equipes da Coderse, atenderam mais de 100 famílias em localidades rurais.

Por ser um dos quatro municípios com áreas irrigadas pelo Distrito de Irrigação do Platô de Neópolis, Pacatuba mantém uma relação próxima com a Seagri e Coderse. Toda a infraestrutura de captação, distribuição de água e os 41 lotes empresariais, pertencem à companhia estadual. A associação dos concessionários administra o polo irrigado e a empresa pública gerencia os contratos, fiscalizando a operação. O platô é responsável pela produção anual de quase 300 mil toneladas de frutas e hortaliças. São mais de 83 milhões de cocos verdes e 2.325.000 metros quadrados (m²) de grama ornamental e esportiva, gerando cerca de 2,3 mil empregos diretos na região.

Última atualização: 19 de fevereiro de 2026 11:00.

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