Irrigantes retomam produção de batata-doce em perímetro estadual de Lagarto

Cinco perímetros irrigados estaduais produziram quase 19 mil toneladas da raiz em 2024

Agricultores irrigantes de Lagarto aumentam a cada ano a produção de batata-doce feita no Perímetro Irrigado Piauí, mantido pelo Governo do Estado no município do centro-sul sergipano. Em 2024, a alta foi de quase 30%, alcançando 648 toneladas da raiz. O perímetro é administrado pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), empresa vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri).

Este resultado mostra que os bataticultores superaram as dificuldades com pragas e doenças, as quais praticamente suspenderam a produção em 2019. Naquele ano, a incidência dos insetos pulgão e mosca branca transmitiam aos pés de batata-doce os vírus do Mosqueado Plumoso e Suave, que causam clorose irregular em forma de mosaico nas folhas. Isso provoca o atrofiamento da planta, que diminui o seu tamanho e o número de raízes. A assistência técnica oferecida pela Coderse reverteu a situação.

Segundo o técnico agrícola da Coderse, Marcos Emílio Almeida, a ocorrência da doença foi contornada de forma simples, apenas trocando as ‘sementes’. Como os produtores usavam as ramas dos pés de batata-doce colhidas na lavoura anterior, esta propagação passava o vírus de uma lavoura ou safra para outra. “Os produtores estavam com dificuldade de plantar por conta do material genético, muito propagado e com baixa produtividade. Conseguimos outro material genético e agora eles retornaram o plantio”, explicou.

O produtor irrigante Fabiano Martins planta batata-doce há cerca de oito anos. No fim do mês de fevereiro, ele tem um hectare plantado com da variedade roxa, divididos em três parcelas de idades diferentes. A mais próxima de colher tem 36 dias desde que foi plantada. O agricultor está confiante de ter bom rendimento e renda com essas três lavouras.

“A expectativa é que dê uma produção que nós consigamos vender, no mínimo, a R$ 2 o quilo. A gente costuma vender para atravessadores da região. Escolhemos a batata-doce roxa, porque ela colhe mais rápido que a ourinho branca, que não estava dando tão boa quanto o esperado. Muitos agricultores, como meu pai, plantaram a ourinho há uns anos e praticamente perderam por inteiro. A batata-roxa até para lavar é melhor, e tem boa aceitação”, pontuou.

Marcos Emílio relatou que a adubação de fundação, feita pelo produtor Fabiano Martins, ainda aproveitou os restos culturais de outras lavouras para baratear mais os custos. “A batata-doce não requer muito custo inicial para plantação, é mais resistente. Além disso, tem um mercado certo no município. Ele fez a plantação em covas, ficou mais espaçado, mas a produtividade mantém-se boa”, finalizou o técnico agrícola da Coderse.

Produção agrícola cresce 11% nos perímetros irrigados administrados pelo Governo de Sergipe

Os seis perímetros movimentaram R$ 249 milhões em 2024, um aumento de R$ 37 milhões em relação a 2023

Sergipe, estado com forte vocação agrícola, tem colhido resultados expressivos graças aos investimentos do Governo do Estado na modernização e gestão dos perímetros irrigados. Em 2024, a produção nos seis perímetros administrados pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), alcançou 122.086 toneladas, um crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Esse desempenho reforça a importância da irrigação no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento regional.

Atualmente, Sergipe conta com seis perímetros irrigados públicos: Califórnia, em Canindé de São Francisco; Jabiberi, em Tobias Barreto; Jacarecica I, em Itabaiana; Jacarecica II, abrangendo Malhador, Itabaiana e Riachuelo; Piauí, em Lagarto; e Poção da Ribeira, entre Areia Branca e Itabaiana. Juntos, eles movimentaram R$ 249 milhões em 2024, um aumento de R$ 37 milhões em relação a 2023.

O Perímetro Jabiberi, em Tobias Barreto, por exemplo, destacou-se pela produção de 2.389.493 litros de leite, convertidos em 272 toneladas de derivados, um salto considerável comparado às 160 toneladas registradas em 2023.

Já no Perímetro Jacarecica I, localizado em Itabaiana, no agreste central, exemplifica o impacto dos investimentos em infraestrutura e gestão. Situado a 65 km de Aracaju, o perímetro abrange 398 hectares, sendo 248 hectares de área líquida irrigável. Ele é abastecido por uma barragem de pedra e concreto com capacidade para acumular 4.700.000 m³ de água. A água escoa por gravidade até uma estação de bombeamento, que distribui até 1.190 m³/h por meio de 20 km de tubulação.

Nos 124 lotes ativos do Jacarecica I, aproximadamente 1.200 pessoas trabalham direta ou indiretamente na produção. A batata-doce é o carro-chefe, seguida por amendoim e quiabo, além de hortaliças como coentro, alface e pepino. Com a modernização do sistema de irrigação, substituindo a aspersão convencional pela microaspersão, os agricultores notaram melhorias significativas.

De acordo com o gerente do perímetro, Oswaldo Nunes da Cruz, o novo sistema reduz o desperdício de água e energia, aumentando a eficiência e a produtividade. “Com a microaspersão, o produtor economiza tempo e recursos, além de garantir colheitas mais estáveis. É um avanço que facilita o trabalho e melhora os resultados”, destacou.

A irrigação permite que a produção ocorra durante todo o ano, inclusive no verão e em períodos de seca. José Carlos Santos Nascimento, produtor do Jacarecica I, cultiva batata-doce, amendoim, quiabo e coentro com a ajuda de sua família. Ele atribui o sucesso ao sistema de irrigação. “Sem essa infraestrutura, só poderíamos plantar no período de chuvas, que dura cerca de três meses. Hoje, conseguimos produzir o ano inteiro”, afirmou.

José Carlos também destacou o impacto econômico da agricultura familiar. “Produzimos alimentos saudáveis, geramos empregos e movimentamos a economia local. É fundamental para a região”, disse. Ele estima que sua produção cresceu 30% em 2024, com grande parte sendo vendida para atravessadores que distribuem os produtos em estados como São Paulo, Ceará e Alagoas.

Diversidade de culturas

Os perímetros irrigados em Sergipe abrangem uma ampla variedade de culturas, incluindo batata-doce, amendoim, milho, quiabo, hortaliças e frutas como melancia, goiaba e acerola. Segundo o técnico agrícola Simeão Santana, 14 culturas principais são produzidas no Jacarecica I, com destaque para batata-doce (22 toneladas por hectare), quiabo (9 toneladas por hectare) e amendoim (4,5 toneladas por hectare) em média.

O produtor do perímetro Jacarecica I Evanilson dos Santos Menezes, 45 anos, que herdou a propriedade do pai há dez anos, destacou o crescimento da produção. “Produzimos amendoim, batata-doce, milho, maxixe e quiabo. Este ano, aumentei a produção em 30%. O perímetro irrigado é uma riqueza, emprega muita gente e ajuda a movimentar a economia local”, declarou.

No lote de 2,3 hectares, Evanilson emprega dezenas de trabalhadores rurais na época do plantio e da colheita. Adeilma dos Santos é uma delas. Agricultora há 32 anos, ela reforçou o papel da agricultura para sua família. “Trabalhamos com batata-doce, quiabo e pimenta. É uma bênção de Deus, porque traz o pão para nossa mesa. O perímetro irrigado garante sempre uma colheita boa, e isso é fundamental para a nossa renda”, disse.

A produção é majoritariamente comercializada em Sergipe, com cerca de 70% destinada a Aracaju. O restante abastece feiras livres locais e mercados de estados vizinhos, como a Bahia. Para o técnico agrícola da Coderse, o suporte técnico e os avanços tecnológicos são fundamentais para o crescimento sustentável. “A agricultura aqui não só garante a segurança alimentar como gera emprego e renda, fortalecendo a economia local e estadual”, afirmou.

Perímetros irrigados

De acordo com a equipe técnica da Coderse, os investimentos do Governo de Sergipe, como o fornecimento de água de irrigação e a assistência técnica gratuita, têm impulsionado o desenvolvimento sustentável nos perímetros irrigados. Com mais de 50 tipos de produtos agrícolas cultivados, o modelo é um exemplo de eficiência e competitividade no mercado nacional.

Para a companhia, além de garantir a regularidade da produção, mesmo em períodos de estiagem, os perímetros promovem a fixação de famílias no campo e contribuem para a segurança alimentar. Os resultados de 2024 reforçam que, com investimentos estratégicos, a agricultura de Sergipe continuará a prosperar nos próximos anos.

Tecnologia da agricultura regenerativa aumenta produtividade da batata-doce

Método visa a fazer crescer a produção do tubérculo em todo o estado, mas sem que haja a necessidade do aumento de área de produção. Iniciativa será aplicada em perímetro irrigados
Apesar do solo argiloso, o cultivo da batata-doce nos perímetros irrigados de Canindé tem suas vantagens diante do solo rico, insolação prolongada e baixa incidência das doenças típicas de regiões mais úmidas // Foto: Perímetro Irrigado Califórnia

Sergipe é o segundo maior produtor de batata-doce do Nordeste, conforme levantamento das safras de 2023, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram 67.049 toneladas colhidas naquele ano, só perdendo para o estado do Ceará (163.530). A produtividade, de 18 toneladas por hectare, é superior à média nacional (15), mas inferior a do Ceará (20,2). Uma iniciativa para que a produtividade cresça ainda mais e aumente a produção da raiz tuberosa em Sergipe é a implantação de quatro campos demonstrativos de aplicação da tecnologia de agricultura regenerativa em perímetros irrigados estaduais, a partir de Termo de Cooperação com empresa de consultoria sergipana e o Governo do Estado.

 Esses campos demonstrativos serão montados em lotes comercialmente produtivos e que já tenham afinidade com o cultivo da batata-doce irrigada. A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), fez uma avaliação técnica e escolheu quatro produtores experientes no cultivo do vegetal em três perímetros irrigados de diferentes regiões do estado: Califórnia, em Canindé de São Francisco, alto sertão; Jacarecica I e Poção da Ribeira, em Itabaiana, no agreste, região onde se concentra a maior produção do estado.

 “São perímetros que fazem uma boa amostragem de como são os principais climas e tipos de solo explorados para a produção da batata-doce irrigada. A Seagri e suas vinculadas, Coderse e Emdagro, abraçaram a ideia de um parceiro da iniciativa privada de testar a tecnologia da agricultura regenerativa com foco na produtividade. Pensando em fazer crescer a produção da batata-doce em todo estado de  Sergipe, mas sem que seja necessário o aumento de área, substituindo as outras produções agropecuárias”, pontuou o presidente da Coderse, o engenheiro agrônomo Paulo Sobral.

Termo de Cooperação
A área experimental do cultivo é viabilizado pelo Termo de Cooperação  entre a Seagri, Coderse, Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e a GTerra Consultoria Agropecuária. O diretor da empresa privada sergipana, Gilberto Bruto Oliveira, esclarece que o projeto é baseado na demonstração das potencialidades da tecnologia da agricultura regenerativa no cultivo da batata-doce em Sergipe. Um conceito norte-americano, em que o equilíbrio da nutrição do solo consegue equilibrar a saúde da planta.

“O projeto tem como objetivo trazer para os perímetros irrigados, assistidos pela Coderse, técnicas agrícolas baseadas na reabilitação do solo e conservação dos sistemas produtivos e alimentares, como foco principal na regeneração, conservação do solo e segurança alimentar. É a utilização de práticas agrícolas sustentáveis com uma visão holística que, ao tempo em que promove a recuperação e a regeneração dos sistemas produtivos, estabelece novos patamares produtivos, trazendo renda para o irrigante”, detalhou Gilberto Bruto.

 O engenheiro agrônomo Gilberto Bruto informa que o agricultor que abrigar os campos demonstrativos não terá custos com os insumos necessários à introdução da agricultura regenerativa. Ele somente vai contribuir com a área e sua mão de obra. “São usados condicionadores de solo líquidos antes e durante o plantio. Depois há a utilização de produtos biológicos e químicos na plantação. O agricultor vai receber 100% dos produtos”, completa.

 Comparando técnica
Cada campo demonstrativo será implantado em uma área de cultivo do dobro do tamanho, onde metade terá a aplicação da agricultura regenerativa e a outra vai receber os tratos culturais que o agricultor, propositalmente escolhido por sua experiência no cultivo de batata-doce, está acostumado a fazer. Diante disso, será possível que bataticultores de todo o estado e profissionais do meio agrícola possam fazer um comparativo entre as duas técnicas. Irrigante do perímetro Califórnia, José Bernardino Neto hoje já dedica todo seu lote à plantação do tubérculo, de olho no mercado cada vez mais atrativo para quem produz.

“Estou pensando em expandir para outros mercados, além de Canindé. Tendo uma produção maior, é tocar o barco para frente, investir para ter resultado”, planjeou Bernardino Neto. O produtor está animado com a assistência que vai receber das empresas públicas e da consultoria privada para produzir mais em sua nova área já lavrada, comprometido em seguir as recomendações técnicas. “Vou fazer tudo. Com a ajuda, a gente faz tudo”. Sobre o tipo de batata-doce que vai usar para plantar no campo demonstrativo, Bernardino disse que será a mesma variedade que já produz: a ‘roxinha comprida’

Assistência técnica
Engenheiro agrônomo da Coderse, Paulo Feitosa considera que a aplicação da agricultura regenerativa é o desenvolvimento da cultura para obter melhor qualidade do produto. “Essa é a essência para aumentar a produtividade, promover uma nutrição vegetal com base na adubação da folha, na melhoria do solo. E, por consequência, você tem uma melhor qualidade do produto e produtividade da cultura”, avaliou. Para o especialista em irrigação, ao aumentar a produção, promove a melhoria para o produtor, que dificilmente conseguiria implantar a tecnologia sem essa assistência técnica e os insumos.

 “Quando você tem uma cultura bem colhida, bem produzida, ela tem mais resistência para algumas pragas ou doenças. Bem nutrida, ela fica mais imune. Mesmo que ela tenha alguma praga ou doença, ela tolera um pouco melhor e sem prejuízo para a produção. Estamos regenerando o solo para futuras produções e desenvolvimento de novas espécies de produção”, concluiu Paulo Feitosa.

Governo de Sergipe e Seagri investem no trabalhador do campo e na produção agrícola em 2023

Conquista do selo Sisbi, política de regularização fundiária, desenvolvimento dos perímetros irrigados e programa Água Doce foram alguns dos destaques do ano

Produção da batata-doce superou nos sete primeiros meses de 2023 toda a produção de 2022 / Foto: Ascom Coderse

A valorização dos trabalhadores rurais e o impulsionamento da produção no campo foram alguns dos pilares para a atuação do Governo de Sergipe no setor agropecuário em 2023. Para fortalecer esse circuito, a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) tem atuado em todo o território, no sentido de dar suporte não só a quem produz e às regiões produtivas, mas também de qualificar o produto sergipano.

Para o secretário da Seagri, Zeca da Silva, as medidas do Governo de Sergipe buscaram incentivar a agricultura e a pecuária em suas diversas frentes. “As ações realizadas nesse primeiro ano do Governo do Estado sob a gestão do governador Fábio Mitidieri demonstram o conjunto de intervenções diretas da Secretaria da Agricultura, conjugadas aos órgãos vinculados, que resultaram em atividades estruturantes, no sentido de fortalecer os trabalhadores da agricultura. As iniciativas reforçam o compromisso do Governo do Estado com a promoção do desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida dos agricultores sergipanos, e estimulam a cadeia do agro no estado”, avalia.

Perímetros irrigados
Por intermédio da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), seis perímetros públicos irrigados vêm sendo administrados pelo Governo de Sergipe, com destaque para a produção de batata-doce e tomate. A produção de tomate no perímetro Irrigado Califórnia totalizou 294,5 toneladas nos nove primeiros meses de 2023, o que representa um aumento de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a batata-doce superou nos sete primeiros meses de 2023 toda a produção de 2022: foram 13,56 mil toneladas no período contra 11 mil toneladas em todo o ano passado, uma superação de 23,27%.

Nos cinco perímetros que mantém vocação agrícola, 110.155 toneladas de itens diversos foram produzidos. No perímetro irrigado Jabiberi, em Tobias Barreto, que é vocacionado à pecuária do leite, foram produzidos 2.295.500 litros de leite industrializados para 160 toneladas de produtos derivados. No total, foram comercializados R$ 212.396.328,57, considerando os seis perímetros.

Na colônia agrícola Valmir Mota, localizada em Canindé do São Francisco, e nos perímetros Califórnia, Piauí e Jacarecica II, foram distribuídos 732 mil metros de mangueiras para irrigação. O trabalho do Governo de Sergipe e da Coderse também envolve a recuperação das estradas vicinais nos perímetros Jacarecica II e Califórnia, assim como reparos e melhorias nas estruturas desses territórios. A assistência técnica com análise de solo e adubação e a distribuição de mudas e insumos também fez parte das atividades ao longo de 2023.

o que diz respeito à infraestrutura hídrica, foram perfurados 39 poços, beneficiando 2.738 famílias. Também foram feitos 77 bombeamentos com testes de vazão em novos e antigos poços, contemplando 4,2 mil famílias. Nas duas modalidades, o investimento foi de R$ 1.939.365,06. A recuperação de 753 pequenas e médias barragens foi mais um investimento, orçado em R$ 2,4 milhões. Em Poço Redondo, a recuperação da barragem Barra da Onça é fruto de um investimento de R$ 862.321,90.

Em 32 municípios, 7,6 mil famílias foram beneficiadas com um investimento de R$ 737.616,17 em sistemas de abastecimento a partir de poços profundos. No total, foram instalados 14 e recuperados 35 sistemas, sem contar a manutenção de 57.

Água Doce
O programa Água Doce foi mais uma ação do Governo de Sergipe em prol da agricultura, que teve a parceria do Governo Federal na implantação de dessalinizadores. No total, 29 sistemas foram implantados, beneficiando 6 mil pessoas do semiárido sergipano com 17,4 mil litros de água por dia. Também foram recuperados e manutenidos dez dessalinizadores. Para operá-los, 72 usuários passaram por recuperação e reciclagem.

Nas 29 comunidades de abastecimento, foram realizadas coletas e análises químicas, físicas e bacteriológicas da água. As famílias também passaram por cadastramento, levantamento socioambiental e oficinas de sustentabilidade. 

Produto sergipano
As ações de fortalecimento do Governo do Estado em prol da agropecuária sergipana têm rendido bons índices de produção. Em se tratando do milho, Sergipe é o quarto maior produtor do Nordeste e o primeiro em rendimento médio, com produtividade de 5.483 kg/ha. Em 2023, a produção deve chegar a 986 toneladas, representando um aumento de 11,2% em relação a 2022, quando foram produzidas 887 toneladas. Outro destaque é a produção de feijão-de-corda como cultura de rotação. De janeiro a setembro de 2023, a produção nos perímetros irrigados alcançou 805 toneladas, o que corresponde a um crescimento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior, com 570 toneladas.

Alcançando o mercado estrangeiro, a farinha de mandioca sergipana foi exportada para os Estados Unidos. Na primeira remessa, 310 kg foram enviados à Califórnia, sendo grande parte oriunda das casas cooperadas de Campo do Brito. A leva de exportação ocorreu em julho.

O estado também alcança bons números em diversas culturas: é o quarto maior produtor do Brasil de coco-da-baía e o terceiro maior produtor de arroz do Nordeste. Na laranja, é o quinto maior produtor nacional e segundo do Nordeste. Os dados também se repetem na aquicultura e na pecuária, já que o estado figura entre os quatro maiores produtores de camarão do país e, na produção de leite, é o 10º lugar no ranking nacional e o segundo do Nordeste em relação à aquisição e industrialização de leite cru.

Fonte: Notícias do Governo do Estado de Sergipe

Produção de batata-doce nos perímetros irrigados estaduais em 2023 já superou todo o ano de 2022

Polos de Itabaiana lideram a produção, com 11 mil toneladas; irrigação da Coderse facilita plantio em qualquer época do ano
Produção de batata doce no Perímetro Irrigado Jacarecica – Fernando Augusto – Ascom Coderse

A batata-doce representa uma boa alternativa de renda para o agricultor, e o momento tem sido favorável para o cultivo do tubérculo em Sergipe. Somente entre janeiro e julho de 2023, os cinco perímetros irrigados de vocação agrícola do Governo de Sergipe já produziram 13,56 mil toneladas, superando em 23,27% toda a produção do ano anterior, que foi de 11 mil toneladas.

Com o fornecimento de água administrado pelo Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), os perímetros irrigados também contam com a assistência técnica oferecida pela empresa pública.

De acordo com informações da Coderse, devido ao baixo custo de produção e à curta duração do ciclo, que propicia um fluxo regular de capital e maior produtividade, o sistema de produção e beneficiamento da batata-doce em Sergipe envolve mais de 600 famílias nos perímetros irrigados.

Nas feiras livres e mercados públicos, a comercialização do produto ainda gera renda para mais famílias, conforme destaca o secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva. “Nos sete primeiros meses de 2023, o valor de produção anual está estimado em R$ 25 milhões, 66,7% maior do que o de todo ano de 2022, que foi de R$ 15 milhões. Isso demonstra a importância social e econômica da cultura no estado”, detalha Zeca da Silva.

No Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, no centro-sul do estado, Luciano Oliveira cultiva uma nova variedade de batata-doce, e compartilha seu entusiasmo com a produção. “A ourinho roxa é a que o pessoal mais está plantando agora. Com essa nova variedade, já na penúltima safra, superei a meta de produção de 120 quilos por tarefa”, comemorou o agricultor, que também produz amendoim e milho na irrigação pública. “É uma batata excelente e boa de lidar. Com água em abundância, fica favorável para nós, agricultores”, considerou.

Perímetros produtivos
A maior produção de batata-doce em Sergipe está nos perímetros irrigados administrados pela Coderse em Itabaiana, no agreste sergipano. Em 2023, de janeiro a julho, o Poção da Ribeira produziu 7,97 mil toneladas e o Jacarecica I, 2,88 mil toneladas.

O Perímetro Irrigado Jacarecica II também não fica para trás. Situada entre os municípios de Riachuelo, Malhador e Areia Branca, até julho deste ano, a região teve uma produção de 2,2 mil toneladas de batata-doce. É nele que a família de Allysson Junior da Silva tem um lote assistido pela Coderse. O que chama a atenção em sua plantação de batata-doce é a produtividade e a organização da lavoura, dividida em parcelas de plantio com idades diferentes.

“Cresci trabalhando com meu pai e, de uns três anos para cá, ele me deu esta área onde estou produzindo. Ele sempre gostou dessa excelência em qualidade, e eu tento seguir os passos dele”, conta Allysson Junior, e revela que um dos segredos do sucesso da família no plantio da batata é a adubação com esterco de gado.

O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, observa que, atualmente, a batata-doce é o item de maior destaque quando somadas as produções dos perímetros (11 mil toneladas em 2022), e a tendência é que o saldo ainda seja superado este ano. “Os irrigantes contam com o trabalho da empresa para oferecer água e assistência. Com isso, apostam seu trabalho e recursos nos produtos que mais geram retorno. A própria rama da batata colhida vai servir no plantio da próxima lavoura. O produtor não tem custo com sementes. O ciclo produtivo, de três a quatro meses, também é rápido, se comparado ao inhame e à mandioca”, explicou Júlio César Leite.

[vídeo] Produtores do perímetro de Lagarto retomam cultivo da batata-doce

O programa Sergipe Rural foi até Lagarto mostrar que os irrigantes do Perímetro Irrigado Piauí, do  Governo do Estado de Sergipe, estão satisfeitos com o plantio da variedade de batata-doce ourinho roxa. Há pouco tempo, muitos deles desistiram de produzir a raíz, por conta de uma doença causada pela Mosca Branca.

Por orientação dos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe, que também fornece a água de irrigação para 421 produtores rurais do município, as variedades de batata-doce infectadas deveriam ser substituídas por ‘sementes’ sem a doença. Não deu outra. Depois de adotar a ourinho roxa, desenvolvida pela Embrapa, todos voltaram a ter a produtividade igual era antes da praga.

Batata-doce é o cultivo preferido dos produtores do perímetro irrigado em Lagarto

Assistência técnica da Coderse orientou sobre doença que quase dizimou produção de variedade mais procurada. Primeiro trimestre produziu 124,5T de batata-doce

Foto: Arquivo pessoal

Produtores irrigantes voltaram a investir forte na produção de batata-doce em Lagarto, agora que contam com uma variedade livre de doenças, a ourinho roxa. A produção é fruto de ‘sementes’ com origem nas pesquisas da Embrapa Clima Temperado, que se adaptaram bem às unidades produtivas do Perímetro Irrigado Piauí, mantido pelo Governo do Estado naquele município. Lá, são cerca de 50 produtores produzindo  batata-doce durante o ano, ocupando continuamente uma área de 30 hectares (ha).

Em 2019, muitos desses agricultores atendidos pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), com água de irrigação de assistência técnica, abandonaram a bataticultura por conta da doença causada pela mosca branca na batata ourinho, a mais cultivada e lucrativa na época. As plantas doentes não produziam as raízes que usamos para alimentação, fazendo com que os irrigantes perdessem as safras inteiras. Já neste ano, no primeiro trimestre a produção de batata-doce foi de 124,5 toneladas,  25% maior que no mesmo período de 2022. Colheita que rendeu aos irrigantes R$ 138,6 mil.

Conforme conta o diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, a praga tinha infestado as ramas da lavoura anterior e que eram usadas para replantio das lavouras seguintes. “Desde o início, a orientação dos técnicos da nossa empresa foi a de buscar ‘sementes’ novas e que não tivessem origem nas lavouras já contaminadas. A dica foi certeira e esses bataticultores voltaram a plantar, colher, beneficiar e comercializar a batata-doce com todo estado e fora dele. Produto bastante requisitado pela alta qualidade da ourinho roxa”, pontuou.

Gerente do Perímetro Piauí, Gildo Almeida, relembra o problema com o carro-chefe da produção de batata-doce, a variedade ourinho tradicional. Mesmo ela tendo um ciclo de produção maior. “A batata-doce ainda é uma das principais culturas aqui. Agora que surgiu esse melhoramento através da Embrapa de Pelotas (RS), a ourinho roxa, é ela que está no auge aqui. Embora precise de 90 dias para colher, ela tem boa qualidade e está a todo vapor a produção aqui. O preço na lavoura agora é R$ 1,50/Kg”, informou.

Luciano Oliveira está plantando a nova variedade de batata-doce e está animado, mesmo tendo tido azar com ourinho branca no passado.”A ourinho roxa é a que o pessoal está mais plantando agora. Quando comecei a plantar batata, fui plantar a branca e não produzi nada. Isso foi há uns 4 anos atrás. Comecei a plantar batata-doce novamente agora recentemente, há uns dois meses e ainda vou colher daqui a 1 mês e já tem comprador. Mas eu acompanho os colegas que estão colhendo, ela é excelente, é boa de lidar”, revelou o produtor que tem 0,33 ha plantados com a ourinho roxa.

Já Helenilson Santos conta que naturalmente está voltando a obter a rentabilidade semelhante à que possuía antes da doença, quando todos lucravam com a ourinho tradicional. “Com a Ourinho roxa não, porém com a ourinho tradicional tivemos problemas demais! Eu parei um bom tempo e voltei ano passado, já com a roxa. Até o momento, graças a Deus, tem produção e saída em grande escala. Está tudo bem aqui agora e chovendo bem, ajuda muito também no controle da mosca branca”, completa o irrigante do perímetro Piauí.

Última atualização: 25 de maio de 2023 05:56.

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