Perímetro Califórnia: Irrigante de Canindé opta pela acerola, evita agrotóxicos e garante melhoria na renda

Cohidro incentivou a mudança e a alternância de culturas, pelo aspecto técnico, econômico e de saúde
Josival Pinto [Reprodução de imagem de Jorge Henrique]

Cerca de 450 pés de acerola são cultivados no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco, no lote do agricultor Josival Pinto, atendido com irrigação pública e assistência técnica pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). O fruto apresenta produção constante durante boa parte do ano, mas se concentra no verão. Com um ciclo de apenas 21 dias, da flor ao fruto maduro, as colheitas são feitas em dias alternados. O produtor costumava cultivar quiabo, mas além do uso de agrotóxicos na produção, a rentabilidade estava sendo baixa devido aos preços conseguidos na comercialização.

Também vinculada à Seagri, a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) é quem faz a fiscalização do uso irregular de agrotóxicos no estado. Através de sua Coordenadoria de Insumos Agropecuários (Codia), somente no ano passado, atípico pelas medidas de restrição por conta da pandemia, foram realizadas 1.354 ações efetivas de combate ao uso abusivo desses produtos em estabelecimentos comerciais, prestadoras de serviços e, também, em propriedades rurais. Foi numa destas abordagens que Josival Pinto mudou a ideia sobre como manter suas lavouras. “Antes eu achava que só produzia bem com bastante agrotóxico. Hoje, graças a Deus é sem. Deixei de passar veneno, por causa da multa e por saber que é errado. Agora entendo como a fiscalização me fez bem. A limpeza hoje quem faz são as aves, que catam o besouro, eliminando tudo”, conta o agricultor irrigante.

Com o incentivo da Cohidro, foi possível realizar a alternância de culturas há mais de cinco anos e, hoje, Josival Pinto reduziu o uso de agrotóxicos. Segundo o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da companhia estadual, João Fonseca, isso é parte da assistência técnica dada ao irrigante dos perímetros. “A importância da alternância de culturas para a produção agrícola é que ele previne e diminui a propagação de doenças e pragas nas culturas que estão sendo produzidas naquele lote. Então, é importante os agricultores estarem alternando culturas para diminuir o uso de defensivos agrícolas. A pessoa planta o quiabo, depois planta o milho, depois pode plantar acerola, como foi o caso. Isso melhora a condição do solo e da planta no suporte a qualquer doença ou praga”, argumenta.

Com pés da aceroleira de até 5m de altura, o agricultor afirma que foi a melhor escolha desde que largou o plantio do quiabo. “Eu consigo colher todos os dias, mas três vezes por semana eu tenho contrato certo. Às vezes chega de R$ 30, R$ 35, R$ 40, a caixa [de 20 kgs]. Depende muito da colheita”, revela Josival, que explica que a demanda e preço variam de acordo com a produção: quanto mais frutos produzidos na região, mais o preço tende a cair e a procura a diminuir. Mas ele mantém uma clientela certa para vender sua acerola. Foi para chegar a esta segurança econômica que a Cohidro sugeriu ao produtor irrigante mudar a cultura agrícola. Além da questão sanidade das lavouras, a troca de culturas é incentivada devido ao aspecto econômico, como defende a gerente do perímetro Califórnia, Eliane Moraes.

“É uma tentativa que temos feito junto com os técnicos e o produtor, para que diversifique o produto que pratica no seu lote, e os que têm aderido estão tendo um resultado muito bom. A acerola foi uma das alternativas mais aceitas, tem um preço mais ou menos estável, nunca baixa a determinado patamar e eles têm uma colheita de duas a três vezes por semana. O Josival é um produtor que realmente aderiu ao sistema mais natural e está satisfeito com isso. Ele diz que acha bom porque cuida da saúde dele e das pessoas que ele fornece, e é importante essa conscientização”, conclui Eliane.

[vídeo] Sergipe Rural mostra produtor de Canindé bem-sucedido em optar pela acerola

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No último sábado (13), o Programa Sergipe Rural, da Aperipê TV, apresentou história do agricultor irrigante Josival Pinto, assistido pela Cohidro com irrigação e assistência técnica agrícola no Perímetro Irrigado Califórnia, do Governo de Sergipe, em Canindé de São Francisco. Para fugir dos baixos preços praticados pela comercialização das safras do quiabo e pelo excessivo uso de agrotóxicos na cultura, o agricultor familiar optou por produzir a acerola, a qual tem conseguido encontrar demanda e escoado a produção sem maiores dificuldades.

Em Sergipe, a acerola tem mercado diversificado, é vendida para o mercado varejista – feirantes e mercearias, às indústrias de produção de polpa para sucos e ainda tem a demanda das fábricas de essências que dão sabor e fortificam outros alimentos, como sucos, sorvetes e bolos. Neste último caso, a acerola colhida verde também tem mercado, por ela conter de três a quatro vezes mais vitamina C do que quando a fruta está madura.

Acerola verde amplia renda de irrigantes em perímetro mantido pelo governo do Estado

Fruto é vendido pelo dobro do preço antes de amadurecer, por conter de três a quatro vezes mais vitamina C
Valmir: “Com a água que chega no perímetro irrigado do governo, conseguimos produzir de forma satisfatória” (foto: Stefânia Leal)

Produtor rural em Malhador, município do agreste sergipano localizado a 49 km da capital, seu Walmir de Oliveira Silva cultiva acerola há 12 anos para vender a feirantes e à indústria de polpas. Agora, ele comemora a opção de comercializar o fruto ainda verde, ampliando a rentabilidade da plantação e abrindo mais postos de trabalho em seu lote. Profundo conhecedor do cultivo, ele avalia a acerola como uma lavoura que tem um mercado franco e rentabilidade boa. “Com a água que chega no perímetro irrigado do governo, conseguimos produzir de forma satisfatória”, comenta o agricultor, satisfeito.

O perímetro é uma unidade de irrigação pública mantida pelo governo do Estado, que fornece água para irrigação nos municípios Malhador, Riachuelo e Areia Branca, sem onerar os produtores. Quem administra a infraestrutura e fornece assistência técnica agrícola no Jacarecica II, desde a sua implantação, é a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe – Cohidro, estimulando a escolha de novos modelos produtivos que se diferenciam do que habitualmente é praticado nessas localidades, com o objetivo de criar novos mercados e evitar superproduções com dificuldade de escoamento.

“Temos um reservatório de 31 milhões de m³, que abrange todo o perímetro, mais 25 km de rede para conduzir a água por gravidade para todos os lotes. Se não fosse esse reservatório, não tinha toda essa produção. É a água que gera renda para os produtores”, diz o gerente do Jacarecica II, Osvaldo Andrade. A produção agrícola de cerca de 3.000 pessoas são diretamente beneficiadas pela irrigação de 829 hectares no perímetro, onde há 12 lotes empresariais, três em comodato e 609 famílias em assentamentos de reforma agrária.

A acerola já era vendida in natura nas feiras e para fábricas beneficiadoras de polpa. Mas, agora, a possibilidade de a indústria transformar o fruto verde em pó criou um novo produto para os plantadores ofertarem, podendo alçar um preço de venda duas vezes maior que o valor da acerola madura. Isso porque a concentração de Vitamina C na fruta antes de amadurecer pode ser de três a quatro vezes maior. Com ela, a indústria fabrica essências que dão sabor e fortificam outros alimentos, como sucos, sorvetes e bolos.

João Quintiliano, diretor de Irrigação da Cohidro, acrescenta que mais produtores irrigantes poderão passar a fornecer acerola verde em Sergipe. “Cerca de 30 produtores de acerola do perímetro Jacarecica II estão fornecendo acerola verde para uma indústria de alimentos localizada em Estância. O melhor é que a demanda pela acerola verde ainda tem espaço para crescer, visto que já foram iniciadas as tratativas para que os irrigantes que atendemos lá em Canindé [de São Francisco], no perímetro Califórnia, também passem a fornecer o produto para a mesma indústria, integrando a cadeia produtiva”, informa.

No período de colheitas, mais frequentes no verão, seu Walmir conta que contrata de 15 a 20 trabalhadores. Para ele, a escolha pela cultura da acerola vai além da demanda que a indústria da Vitamina C abriu. “A acerola tem uma vantagem muito grande, por se tratar de uma planta adaptável ao nosso clima tropical, uma planta rústica. Existem pragas, (tratadas) principalmente com adubação química; e quando a gente irriga, faz o controle natural”. O produtor reforça que a irrigação fornecida pelo governo do Estado tem sido fundamental para a continuidade da produção. “O gerente aqui do perímetro tem acompanhado todos os produtores. Só tenho a agradecer a Cohidro e pedir a continuidade desse apoio que eles já vêm dando”, concluiu.

Sergipe Rural: Acerola gera emprego e renda no Jacarecica II

A geração de emprego e renda a partir da irrigação pública foi tema de matéria especial no Programa Sergipe Rural de hoje, 16, que vai ao ar pela TV Aperipê. Em pauta, o cultivo da acerola do Perímetro Irrigado Jacarecica II, em Malhador, em momento próspero em que os produtores estão obtendo mais renda e contratando mais, devido ao mercado que se abriu na venda do fruto ainda verde para a indústria alimentícia.

Na TV Aperipê, o programa foi ao ar neste sábado, 7h30; mas reprisa no domingo, às 8h30; e na quarta-feira, às 9h.

Última atualização: 20 de fevereiro de 2019 19:39.