Poço da Cachoeira vai ter água via perfuração da Cohidro

Povoado do município de Poço Redondo, localizado na divisa com o vizinho, Porto da Folha, o Poço da Cachoeira hoje depende totalmente da água vinda de fora, via caminhões-pipa, seja para beber, uso doméstico ou para os animais. Mas os ‘pipeiros’ pagos por programas federais, só garantem a água do consumo humano. Se não for pagando caro pelo transporte particular, não existe outro modo de abastecimento. Realidade que começou a mudar a partir do dia 22 de fevereiro, quando a equipe da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), iniciou perfuração de um poço na localidade, formada por cerca de 30 famílias.

A grande dificuldade de acesso à água na localidade, em torno de 150km da Capital, se deve principalmente pela profundidade média em que os poços devem ser perfurados para chegar aos depósitos hídricos subterrâneos, em torno de 130 metros (m). Para a tarefa, a Cohidro pôs em operação uma de suas novas perfuratrizes roto-pneumáticas que chegam aos 250m. Adquiridas via convênio com o Ministério da Integração Nacional, os três comboios de equipamentos custaram R$ 10 milhões, montante em que o Governo do Estado entrou com a contrapartida de R$ 100 mil, possibilitando o trabalho de três equipes simultâneas e fazer poços de até 500m.

Esse problema para perfurar poços na localidade, recentemente desapontou a moradora Ana Cléssia Jesus Batista Azevedo. Ela e o marido decidiram propor aos vizinhos, de forma colaborativa, contratar particulares para fazer um poço em seu lote. A contratada perfurou até terminar suas hastes, chegando aos 124m sem achar água, permanecendo sua família dependente da água que vem de fora. “Mesmo a gente comprando, está difícil. Aqui mesmo eu passei quase uma semana para chegar água, porque não tinha. Está difícil para todo mundo, muito difícil mesmo. E assim, a gente está se apegando a essa chance agora, né? Que Deus derrame água, porque a gente já tentou ali e não conseguiu, agora vem esse aqui e que Deus ajude porque vamos conseguir, sim. Nós temos fé”.

Paulo Sobral disse que o aparato técnico e dedicação de suas equipes pode fazer diferença, para chegar até a água

Paulo Henrique Machado Sobral, diretor de infraestrutura e Mecanização Agrícola da Cohidro (Dinfra), reconhece a dificuldade existente no local, mas disse que o aparato técnico e dedicação de suas equipes pode fazer diferença, para chegar até a água. “Estamos confiantes em nossas máquinas, operadores de sonda e, antes mesmo disso, na locação de nossa Geóloga Samiramisthais Linhares, que fez a locação do poço. Mesmo que esse feriado de Carnaval tenha interrompido a obra, vamos dar continuidade na semana seguinte, quando será terminado o serviço de perfuração”, disse, explicando que o desafio se faz maior pelo fato do solo ser rochoso, mas o que a perfuratriz desbravou 24m em poucas horas de operação.

A situação para Manoel Messias Militão, que cedeu a área onde está sendo feito o novo poço, não é diferente dos demais moradores. Ele cria gado e hoje depende totalmente de carro-pipa para também dar de beber aos animais. Os lugares para ir buscar, a cada dia, são mais longes. “Estava pegando numa barragem em Poço Preto (comunidade vizinha, em Porto da Folha), mas lá secou. A partir da próxima semana vai ter que ir pegar ou na Vaca Serrada (barragem recuperada pela Cohidro em 2012, à beira da SE-230, em Porto da Folha), ou em Sítios Novos (povoado em Poço Redondo)”, revelou.

Messias disse que existem outras barragens mais próximas, mas a falta de chuvas neste verão impossibilitou que elas se recuperem e influiu até com seu plantio de palma, que não vingou desta vez. Para ele, a solução será o poço e da mesma forma que hoje busca água em outras localidades, um sistema de abastecimento no Poço da Cachoeira vai poder ajudar os povoados da redondeza também, população que ele calcula ser maior do que 100 famílias. “Vai servir para nós todos, vai puxar até lá na estrada um encanamento, põe uma ‘caixona’ e o chafariz, para todo mundo poder pegar. E lá fica perto do poste, para puxar a energia”, visualizou.

Presidente Felizola disse que outros 3 poços serão perfurados em breve em Poço Redondo, assim como a construção de 3 barragens

O presidente da Companhia, filiada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), José Carlos Felizola Filho considera que este as ações da Cohidro estão voltadas a prover água tanto para o consumo e uso das populações como também para a dessedentação animal, principal atividade econômica da região sertaneja. “Aliado a esse poço, só nesse município temos mais três poços que serão perfurados no Assentamento Barra da Onça, onde também vamos construir três novas barragens para juntar água para o gado, beneficiando 200 famílias que vivem da atividade rural”, anuncia.

Situação de emergência devido à seca
Além das ações de criar novas fontes de captação de água, segundo o Diretor-presidente, na Empresa existe também o esforço de recuperar as que já existem. “Ainda em Poço Redondo, na Comunidade da Serra da Guia, estamos já com as máquinas recuperando uma grande barragem que serve às casas e os animais. O mesmo se dará no Povoado Queimadas, na sequência. Nessas localidades também temos a intenção de reativar antigos poços salinos. Mas o Programa de Recuperação de Barragens 2017, convênio entre Seagri e SEIDH (Secretaria de Estado da Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho, dos Direitos Humanos e Juventude), vai ao todo reformar 12 barragens em todo Estado, sempre em municípios em situação de emergência devido à seca”, garante Felizola.

As dificuldades para quem reside e trabalha no campo, em Poço Redondo e nos demais municípios atingidos pela falta d´água – prolongada pela estiagem que dura mais tempo que em outros anos – se reflete no lamento do trabalhador rural Everaldo Silvestre Correia. A chuva falta também para plantar o alimento para os animais e é cada vez mais difícil encontrar alternativas para compor essa ração. “A gente vai buscar nas usinas o pó de cana, para dar ao gado, para ver se dá uma sobrevivência. Algum ‘rolão’, tem que buscar lá na região de Aracaju, em Carira, em Pinhão. Mas nesses lugares, agora, já não está tendo mais água, está no final também. Hoje aqui, para conseguir água, só no caminhão-pipa e nem é toda hora, na hora que a gente precisa não tem. Tem que esperar 3, 4 dias. É pago, não é dado não. O poço muda muito, se o poço der água vai mudar 100%, não é?”, confia.

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Última atualização: 4 de fevereiro de 2018 10:18.