Oficina na Cohidro de Lagarto trata de plantas medicinais e vai até dia 6

Meirinha ministrando para os participantes da oficina, sobre confecção de remédios naturais – Foto Ascom-Cohidro

Na última terça-feira, 30 de agosto, aconteceu o primeiro dia da Oficina de Fitoterapia e Práticas Integrativas e Populares de Cuidado, no Perímetro Irrigado Piauí, município de Lagarto. O objetivo foi ensinar a teoria e a prática na seleção e manipulação das plantas medicinais para fabricação artesanal de medicamentos. Ocorre no espaço cedido pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) para a instalação de uma Farmácia Viva, em parceria como o curso de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Capacitação está sendo oferecida para 15 pessoas, dentre agentes públicos de saúde, líderes comunitários, estudantes e pessoas ambientadas às práticas de medicina alternativa por meio do uso de plantas medicinais. Além disso, houve a adesão de trabalhadoras rurais do próprio Perímetro Irrigado, que despertaram interesse em aprender a confecção de remédios naturais a partir das plantas que já tem em casa ou que poderão vir a cultivar, nas áreas de plantio da família. Na terça-feira seguinte, 6, será a sequência da Oficina, para a mesma turma.

Quem está ministrando as oficinas é Rosimeire Barbosa, mais conhecida como Meirinha, que orientou e ensinou como consumir de forma correta as ervas para a medicina. “O chá deve ser sempre consumido frio e sem açúcar, no máximo com mel ou açúcar mascavo. Já para gripe, morninho”, ressalta. Ela adverte ainda que mesmo sendo feito a partir de partes extraídas de vegetais, na considerada medicina natural há contraindicações como por exemplo o consumo em excesso da mesma substância. “Para o chá tem que tomar entre oito a 10 dias, não pode passar um mês com o mesmo chá, tem que mudar o tipo de planta, ir intercalando”, complementa.

Meirinha é coordenadora do Curso de Extensão no Campus de Lagarto da UFS e é quem mantem ativa a Farmácia Viva no Perímetro Piauí. O espaço é um laboratório a céu aberto para os estudantes ligados à Instituição de Ensino, agricultores irrigantes adeptos da “cura pelas plantas” e ainda serve para a realização de atividades do Movimento Popular de Saúde (Mops), entidade estadual que colabora com o horto medicinal e está atuando co-organização das oficinas.

Gerente do Perímetro Piauí, Gildo Almeida Lima acredita no benefício da atividade e prevê que as oficinas terão continuidade, tratando inclusive de outros temas. “Temos que explorar da melhor forma possível esse potencial produtivo que a irrigação pública nos proporciona, seja para produzir o alimento, seja para cultivar plantas medicinais. Nessa Farmácia Viva que temos aqui, são preservadas e estudadas mais de 50 espécies, para ser aplicadas nas aulas da UFS e nesse tipo de qualificação feita aqui hoje. Queremos fazer mais edições dessa oficina e outras, tratando da agricultura orgânica e alimentação natural”, avisou.

Agricultura Orgânica
Uma das participantes foi a agricultora Joselita Maria da Silva Carvalho. Ela já faz uso de alguns produtos naturais obtidos das plantas e conta que a curiosidade de aprender mais, para benefício de sua saúde e da família, fez com que ela participasse dessa e já confirmasse presença na próxima Oficina. “Foi um prazer participar e aprender muito mais sobre o uso de ervas. Há seis meses eu consumo a salsa e o chá cana do brejo, que serve para pedra nos rins, desde então me sinto bastante aliviada, bem melhor do quê fazer cirurgia”, relatou a irrigante do Perímetro Piauí que, embora não tenha ainda a atividade regulamentada, diz já praticar a agricultura sem o uso de agrotóxicos no Perímetro.

Para o presidente da Cohidro, José Carlos Felizola Filho, os perímetros irrigados aumentam o grau de utilidade pública quando agregam outras atividades além da produção de alimentos. “É sinal de que estamos no caminho certo quando vemos que além de gerar emprego, renda e garantir comida mais barata (porque é produzida no estado) na mesa do sergipano, também agregamos qualidade de vida ao povo, como a produção orgânica e as plantas medicinais, uma alternativa barata e menos invasiva a saúde das pessoas. Por isso o Governo investe na continuidade da irrigação pública, como vem fazendo nessa etapa em que estamos entregando mais R$ 507 mil em recuperação da eficiência das estações de bombeamento do Piauí”, considera.

A Técnica da Gerência do Desenvolvimento Agrário (Gedea) da Cohidro, Maria Terezinha Albuquerque, também participou do evento na intenção de expor o trabalho da Organização de Controle Social (OCS), um grupo formado por 11 agricultores orgânicos que existe há mais de 10 anos em Lagarto, modalidade agrícola que, para ela, combina perfeitamente ao cultivo de plantas fitoterápicas. “É importante as pessoas aqui do Perímetro conhecerem esse tipo de produção orgânica. O valor às vezes é mais caro, pois é tudo manual, com um trabalho muito minucioso onde envolve toda família. Mas além de cuidar da saúde com ervas medicinais, as pessoas têm que se preocupar com uma boa alimentação, a alimentação saudável, tem que saber escolher os alimentos”, disse Terezinha que conclui que “a alimentação natural é o complemento da medicina alternativa”.

Farmacêutica de formação, Nuccia Farias Albuquerque fez sua especialização acadêmica na alimentação natural e fala que escolher e preparar a comida de modo que se aplique todo seu potencial nutritivo, ela acaba se tornando o remédio para muitas doenças. “Vim no Perímetro e fiquei apaixonada com essa produção orgânica, de alimentos sem agrotóxicos. Pois existem médicos, pesquisadores aqui e no exterior, que afirmam que é possível se alimentar perfeitamente sem ficar doente, aproveitando corretamente os alimentos. Ocorre mudanças no seu corpo conforme você consome um alimento, como o açúcar, que fermenta no sangue e que já comprovadamente é um precursor do câncer. O remédio é a comida”, defende a especialista que participou como convidada à Oficina.

Última atualização: 16 de outubro de 2017 11:00.