[vídeo] AgroSE mostrou cultivo de melão em pleno inverno inverno do Alto Sertão Sergipano

Espécie frutífera de cultivo ainda tímido em Canindé de São Francisco, o melão agora ganhou destaque no lote de Erivaldo Peixoto, atendido com água de irrigação e assistência técnica agrícola pelo Governo do Estado, através da Cohidro, no Perímetro Irrigado Califórnia, situado naquele município. Foi o que mostrou a reportagem do programa Agro SE, da TV Atalaia, em julho.

A dificuldade encontrada pelo produtor para emplacar o melão no Alto Sertão Sergipano foi maior, pois a sua lavoura vai passar a maior parte do seu ciclo produtivo (que leva torno de 75 dias) vai ser durante o inverno chuvoso. Época de maior incidência de pragas e doenças. Uma primeira lavoura — cultivada por Erivaldo Peixoto quase toda no período seco — alcançou um excelente produção: 25 toneladas de frutos de qualidade comercial, em 5 mil pés cultivados em 0,7 hectares. Sucesso que rendeu até a realização de um Dia de Campo.

[vídeo] Dia de Campo de produção de tomate de alto rendimento em perímetro de Canindé


No final de junho, o programa Sergipe Rural, da Aperipe TV, foi até o Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco, acompanhar o Dia de Campo do Cultivo Irrigado do Tomate, realizado no lote do agricultor irrigante Erivaldo Peixoto. Ele é atendido pelo Governo de Sergipe com água de irrigação e assistência técnica fornecidos pela Cohidro, e no evento, coorganizado pela companhia pública, mostrou para os colegas de perímetro e comunidade acadêmica, os métodos utilizados para plantar tomate em pleno Semiárido.

Produzir tomate de qualidade comercial no Alto Sertão Sergipano sempre foi um desafio aos agricultores. No outono e inverno, quando a chuva aumenta a incidência de pragas e doenças, a dificuldade ainda é maior. Com o apoio da Cohidro, , Erivaldo Peixoto conseguiu vencer esses dois obstáculos. Sempre de olho no preço de venda do fruto, que sobe neste período pela baixa oferta dos estados que são os maiores produtores.

Agricultor assistido pelo Estado demonstra sucesso com tomate em perímetro irrigado

Cohidro e agricultor divulgaram técnicas para desafiar geografia e mau tempo, diversificando produção no perímetro estadual e criando novos parceiros

[foto: Fernando Augusto]
Na última semana, durante o Dia de Campo do Cultivo Irrigado do Tomate, o agricultor irrigante Erivaldo Peixoto; que produz com a água de irrigação e assistência técnica agrícola no Perímetro Irrigado Califórnia, mantido pelo Governo do Estado em Canindé de São Francisco; explicou todos os métodos e aparato que utilizou para conseguir êxito na produção, que está em plena colheita de frutos de padrão comercial e em lavoura de alta produtividade. O evento reuniu outros produtores curiosos com o sucesso de Erivaldo; professores do Instituto Federal de Alagoas (IFAL); estudantes e técnicos em Agropecuária das empresas de desenvolvimento (do Vale do São Francisco) Codevasf, (Agropecuário de Sergipe) Emdagro, Cohidro e da Prefeitura Municipal.

Produzir tomate de qualidade comercial no Alto Sertão Sergipano sempre foi um desafio aos agricultores. No outono e inverno, quando a chuva aumenta a incidência de pragas e doenças, a dificuldade ainda é maior. Com o apoio da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), que administra o Califórnia e co-organizou o Dia de Campo, Erivaldo Peixoto conseguiu vencer esses dois obstáculos. Sempre de olho no preço de venda do fruto, que sobe neste período pela baixa oferta dos estados que são os maiores produtores.

“Compensa até demais, uma lavoura dessa, eu estou tendo dificuldade por causa da chuva, mas ainda vou chegar à colher em média 50 toneladas de tomate. O quilo na roça está em média de R$ 2,80 a R$ 3. Se hoje eu gasto nela R$ 35 mil, como ela está aí e se manter essa janela de preço, eu posso fazer uma média de R$ 150 mil”, contabilizou Erivaldo Peixoto. O produtor palestrante idealizou um dia de campo em que não só ele pudesse contribuir. “É importante para essas pessoas que vêm para aprender, para perguntar como plantar. Se ele não tiver um conhecimento, eu posso dar uma assistência. O meu amigo, o técnico da Cohidro, também pode e tem as pessoas aqui que trabalham [na área de assistência] ou que são alunos, que estudam para fazer isso”.

A gerente do perímetro, Eliane Moraes, acredita que as novas culturas possam oferecer uma alternativa de geração de renda e de produção dentro do perímetro. “O tomate não é uma cultura que tenha tradição aqui no Perímetro Irrigado Califórnia. Por isso, teve uma assistência técnica diferenciada, um acompanhamento que foi sucesso. E que hoje está culminando com a colheita e com esse evento. Que vai dar visibilidade a este trabalho feito. Um fator multiplicador, para mostrar aos produtores a possibilidade de obter sucesso neste plantio também”.

“Diversificar é oportunizar. É dar uma chance para o solo se recompor, é abrir janelas de oportunidades. É participar de uma comercialização de oportunidades onde se visa mais renda e produção, com o mesmo esforço e dedicação empregada na agricultura tradicional”, avalia Tito Reis, funcionário da Cohidro, que trabalha no setor do Califórnia, no qual Erivaldo Peixoto produz. Formando em Agronomia, o servidor busca no Ifal, onde é acadêmico, mais conhecimento para agregar aos projetos de inovação do tomate, hoje sendo colhido, e há pouco tempo, do melão. Como duas culturas de alternância econômica e de diversificação de oferta de produtos no perímetro estadual.

O também produtor irrigante do Califórnia, José Gomes, já tentou plantar tomate várias vezes, mas por conta do ataque de lagartas, sempre perde cerca de 90% da colheita. “Eu quero saber se o vizinho está produzindo bem e o que é que ele passa que eu não passo. Eu plantei e pretendo plantar, porque eu tenho comércio na feira e eu planto para vender para fora. Se eu tiver a minha produção, eu não estou comprando, eu estou plantando para vender o meu. Meu interesse é esse, de poder trabalhar com o tomate, que é uma planta que a gente sabe que na feira é muito ‘vendável’”.

Perímetro-escola
Zilná Brito, professora do curso Técnico em Agropecuária do Centro Estadual de Educação Profissional Dom José Brandão de Castro, em Poço Redondo, recebeu com satisfação o convite para levar seus alunos dos 3º e 2º anos ao dia de campo. “Eles já têm essas disciplinas na sala de aula, e quando a gente vem para um dia de campo deste, com o cultivo do tomate irrigado, eles já associam a prática à teoria. É onde eles conseguem realmente visualizar o problema, alguma estratégia que eles possam fazer para esse trabalho que eles fazem na escola. A gente vem até agradecer à Cohidro pela oportunidade de os alunos poderem participar também desse evento”.

Já a aluna do 3º ano de Agropecuária, Franciele do Nascimento, acredita que o dia de campo vai trazer mais bagagem para tudo aquilo que eles já viram no curso. “Um momento de vivência muito importante na nossa finalização do curso. Eu e o meu companheiro vamos realizar um trabalho que vai falar sobre pragas e doenças do tomateiro mesmo, e vai ser uma experiência que a gente vai levar para o futuro e para escola também. Recebendo mais conhecimento, experiência, vivência dentro do campo. As oportunidades são poucas, então vamos aproveitar bastante”.

Perímetro estadual realiza Dia de Campo sobre cultivo irrigado de alta performance do melão

Participantes foram orientados sobre procedimentos e insumos utilizados na lavoura

[foto: Fernando Augusto]
Espécie frutífera de cultivo ainda tímido em Canindé de São Francisco, o melão agora ganhou destaque em um Dia de Campo realizado na última semana, no lote de Erivaldo Peixoto, atendido com água de irrigação e assistência técnica agrícola pelo Governo do Estado no Perímetro Irrigado Califórnia, situado naquele município. Estudantes de nível técnico e superior, além de outros agricultores, puderam conhecer toda a técnica utilizada pelo produtor irrigante, que comparou os resultados do melão amarelo, cultivado com a água do perímetro e solo do Alto Sertão Sergipano, ao que ele cultivava tempos atrás, em Pernambuco.

“Aqui eu estou achando melhor porque a terra é suficiente. Ele já se habitua, a terra já tem o nutriente chamado potássio, que dá o ‘brix’ do melão, essa coloração boa que ele tem. E temos uma área muito boa de água e que tem menos pragas”, adianta seu Erivaldo, que no perímetro Califórnia colheu 25 toneladas de frutos de qualidade comercial, em 5 mil pés cultivados em 0,7 hectares.

Todo o ciclo produtivo de 67 dias da lavoura do melão — cultivado com o uso de moderno sistema de irrigação por gotejamento e uma completa ‘dieta’ de nutrientes aplicados via fertirrigação — foi orientado e anotado por técnicos da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro); empresa vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e que administra o perímetro Califórnia. A exposição deste levantamento, e principalmente as impressões descritivas do agricultor, foi o conteúdo programático do Dia de Campo.

Tarcila Silva, estudante de Engenharia Agronômica no Instituto Federal de Alagoas, Campus Piranhas, considerou o Dia de Campo do Cultivo Irrigado do Melão bastante proveitoso, por conciliar a teoria da sala de aula com a prática. “Lá na frente, isso vai contribuir muito. O mais interessante foi ver o produtor explicando”, avaliou.

No Curso Técnico Agropecuária oferecido no Centro Estadual de Educação Profissional Dom José Brandão de Castro, em Poço Redondo, estuda Márcia Araújo. Para ela, o cultivo do melão como foi visto no Dia de Campo, pode oferecer uma rentabilidade maior ao agricultor. “Vou levar o conhecimento que eu aprendi hoje. E, com fé em Deus, algum dia aplicar quando eu me formar, para poder ajudar alguns produtores também”. Cursando o 3º ano do Técnico em Agropecuária, Giclecia Vieira considerou ótima a experiência que teve no Dia de Campo. “Eu pensava que o melão não dava aqui no Sertão, e hoje deu para ver que pode ser plantado e colhido”.

Práticas agrícolas
Luely Feitosa é engenheira agrônoma e professora do Dom José Brandão que acompanhou os alunos do Técnico em Agropecuária no Dia de Campo. Ela expõe ter lhe chamado a atenção a atuação do agricultor no Dia de Campo, como responsável por explicar os procedimentos adotados no ciclo da lavoura. “Tem agricultores que desenvolvem técnicas e práticas agrícolas, como uma técnica fantástica, e que nos ensina muito mais. Para nós, essa troca de experiência é riquíssima para o aprendizado, para o dia a dia do profissional, seja ele aluno ou professor. É fantástico e gratificante ver que tem um produtor rural que tem essa disponibilidade de dividir com a gente essa experiência dele, está de parabéns”, cumprimenta.

“[Em Pernambuco] onde eu plantava melão, tinha muita dificuldade com a mosca branca e o fungo chamado oídio. A gente gastava na média de R$ 16 mil a R$ 18 mil em um hectare de melão, e hoje aqui eu só gasto R$ 12 mil. Então, eu estou otimista com essa produção daqui. E tem o mercado em Caruaru (PE), em Recife (PE) e em Garanhuns (PE). Lá está faltando mercadoria. Se eu tivesse mais parceiros para plantar, tinha como escoar de dois a três caminhões por semana. E em Sergipe nós temos também, conseguimos escoar o melão para Itabaiana”, completou Erivaldo Peixoto, há 4 anos no perímetro Califórnia como produtor irrigante do Setor 05.

Diversificação
A assistência técnica oferecida pela Cohidro inclui a orientação por variar as culturas adotadas, para não haver superprodução e o agricultor encontrar dificuldade de escoamento. Segundo a gerente do perímetro Califórnia, Eliane de Moraes, aumentar a área cultivada com o melão só contribui com a tarefa dos técnicos da empresa. “Por exemplo, com o quiabo os atravessadores costumam baixar o preço de compra pelo excesso de produto. Dando uma margem de lucro muitas vezes insuficiente para o agricultor garantir o seu sustento. Apostar no melão agora, na uva e pera, como já fizemos em parceria com a Embrapa, pode ser uma saída para encontrar mercados com mais vantagem para quem produz”, afirma.

Funcionário da Cohidro e também estudante de Agronomia no IFAL de Piranhas, Tito Reis trouxe da academia a ideia e os métodos científicos para que a lavoura de alta performance do seu Erivaldo fosse tema de um dia de campo. “É ajudar o sistema de produção na diversificação de culturas, trazer o conhecimento da sala de aula. Na qualidade de acadêmico, funcionário da Cohidro e técnico em Agropecuária que sou, tenho a preocupação em trazer a melhoria da qualidade produtiva para dentro do perímetro Califórnia. Aplicando as práticas; os tratos culturais e fitossanitários; melhorando a qualidade do solo, para que o solo venha produzir mais; todo o acompanhamento técnico que a gente desenvolveu, passando para o produtor o nosso conhecimento, para que eles possam produzir com qualidade e com regularidade”.

Estudantes de Alagoas fazem visita acadêmica em perímetro irrigado estadual em Canindé

Aula prática foi em plantações de uva, pera, melão e tomate; irrigadas e assistidas pela Cohidro

 

Com o retorno das atividades educacionais à normalidade, após o período de isolamento social da pandemia, são retomadas as visitas acadêmicas dos cursos de tecnologias rurais. O Perímetro Irrigado Califórnia, mantido pelo Governo de Sergipe em Canindé de São Francisco, sempre foi um destino bastante procurado para aprender como se dá a agricultura que ocorre durante todo ano, produziu em 2021 mais de 40 toneladas de alimentos e gerou em torno de R$ 44 milhões em renda para as 1.863 pessoas beneficiadas. Isso graças à irrigação e assistência técnica fornecidas pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro). A Empresa pública, que administra o Califórnia, recebeu na última semana duas turmas de estudantes do curso Técnico em Agropecuária do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), campus do município de Santana do Ipanema.

Maria Eduarda está no módulo 2 do curso de Agropecuária, achou muito interessante as produções de uva, pera, tomate e melão, que a sua turma no IFAL visitou no perímetro Califórnia, sexta-feira (06). “Tem uma organização, tem um planejamento, tem uma assistência, tem tudo que um produtor precisaria para desenvolver sua cultura. E foi muito positiva essa viagem para mim, e para os meus colegas, porque nós adquirimos bastantes conhecimentos. Oportunidade única, foi um sonho estar em Canindé, visitando o perímetro Califórnia. É algo muito desenvolvido, é surreal. O que eu tirei de positivo foi a humanidade dos produtores, são pessoas bem simples e legais, honestas, que vou levar para o resto da minha vida tanto profissional como pessoal. Por este dia maravilhoso, agradeço a parceria da Cohidro, pelo trabalho desenvolvido no perímetro irrigado, e pela disponibilidade da visita”.

A produção de pera e uva, hoje consolidadas, foram campos experimentais implantados em parceria com a Embrapa de Petrolina (PE). Já os campos de tomate e melão fazem parte de um trabalho de introdução de novas culturas e variedades, feito pelos técnicos da própria Cohidro. “Este tipo de visita é bastante importante para empresa, pois nós divulgamos o nosso perfil produtivo, as nossas condições produtivas. E para os alunos, que conseguem ver um trabalho sendo executado de forma prática, onde eles vivenciam, juntos dos técnicos e produtores, todos os procedimentos que eles viram em sala de aula de forma teórica”,considerou o funcionário da Cohidro, Tito Reis, que acompanhou professor e estudantes às plantações do Califórnia durante a visita técnica.

Doutor em Ciências Agrárias, Irrigação e Drenagem, o professor do IFAL de Santana do Ipanema, Vlademir Silva, foi quem trouxe os alunos e orientou a visita acadêmica ao perímetro da Cohidro em Canindé. Segundo ele, o objetivo era fazer os estudantes conhecerem a realidade de uma área produtiva. “Vão conhecer a cultura propriamente dita e ela se desenvolvendo dentro de uma área irrigada. E para eles entenderam também como é que funciona um plantio, desde a semente até a produção. Também vem a realidade do produtor, as dificuldades que se tem em nível de instalação de áreas de plantio, ainda mais em um momento de guerra e os fertilizantes caros. Outra coisa é entender: eu estou me formando para que? Para desenvolver essas áreas, para estar participando desse processo, pegar um nível de extensão e levar essas informações para esses produtores. Mas para que isso aconteça, eles têm que conhecer isso”, analisou.

Para a gerente do perímetro Califórnia, Eliane Moraes, as visitas acadêmicas são vias de mão dupla, em que estudantes e agricultores saem ganhando. “A presença de estudantes e professores nos lotes, levando o conhecimento teórico, acaba contribuindo com o produtor e os nossos técnicos, que sempre têm algo para aprender nesta troca de conhecimentos. E o inverso também acontece, pois só o agricultor tem a vivência prática de lidar com a lavoura e sabe a forma como planta e solo se comportam. Por isso, sempre fazemos um esforço extra para receber esses visitantes”, expôs.

Também aluno do campus Santana do Ipanema, Flávio Barbosa identificou como positiva a presença dos técnicos agrícolas da Cohidro no desenvolvimento das lavouras irrigadas. “Como estudante da área, vi que a assistência técnica está presente. As lavouras sadias, viçosas, com rotação de culturas e conhecimento dos agricultores, demonstrado ao falar da cultura. Um ponto que eu achei positivo foi a troca, a simbiose entre o agricultor, o técnico e a academia em questão. E como lembrança, fica todo o conhecimento dessa visita técnica, que, para mim, foi um dia de campo”, impulsionou o estudante.

Cohidro estuda transferência de tecnologia de produção de leite entre Tobias Barreto e Canindé

Visitação ocorreu em um período em que as pastagens se recuperam de uma das piores secas – Foto Fernando Augusto (Ascom Cohidro)

Quinta-feira, 8, foi dia de visita em que técnicos do Perímetro Califórnia e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), em Canindé de São Francisco, visitaram os colegas e conheceram a estrutura e modelo produtivo do Jabiberi, em Tobias Barreto. Ambos polos agrícolas são atendidos pela infraestrutura de irrigação do Governo do Estado, administrada pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro). A intenção é a transferência de tecnologia do programa ‘Balde Cheio’ de produção de leite, implantado no Centro Sul Sergipano desde 2010, para o Alto Sertão.

O Perímetro Irrigado Jabiberi, que fica 123 Km ao sudoeste de Aracaju, focou sua aptidão à criação de gado leiteiro quando, em 2010, a assistência técnica e a irrigação pública da Cohidro, a consultoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Sergipe (Sebrae-SE) e financiamento do Banco do Brasil, possibilitaram a implantação do modelo de produção de leite do ‘Balde Cheio’, criado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em sua unidade de São Carlos-SP. Técnico agrícola da Cohidro que acompanha o projeto desde o início, José Reis Coelho contabiliza os resultados obtidos.

“Após os dois anos introdutórios do programa, o resultado do Balde Cheio foi de 40 criadores que aderiram ao sistema e hoje produzem juntos uma média diária de 3,7 mil litros de leite, 73% a mais do que era gerado no início do programa. Num dos melhores anos de produção, 2015, foram gerados 1.342.795 litros de leite, 8,7% a acima do ano anterior”, salienta Coelho. Ele e o gerente do Perímetro, José Fernandes de Oliveira, receberam os visitantes com uma palestra que ilustrou todos os aspectos técnicos do programa, seguido de uma visita até dois produtores que aderiram ao sistema de produção e o conservam até hoje.

A essência do sistema de manejo do Balde Cheio consiste em dividir a área de pastagem irrigada em pequenos piquetes, onde os animais pastam por 12 ou 24 horas, a depender do tamanho do rebanho e deste cercado. No turno seguinte, este mesmo gado é realocado noutro espaço em que o capim está alto e pronto para o pastejo. O pasto antes usado para alimentar as vacas, vai repousar por cerca de 12 dias até novamente servir de alimento, tempo em que recebe irrigação diária e adubação para se recuperar. Fora isso, há orientações que envolvem a disponibilidade de água em tempo integral e uso de alimentação complementar à base de proteína encontrada na gliricídia, planta arbórea que, se plantada na área comum ao gado, ainda serve de sombra, outro fator obrigatório no programa de produção de leite.

Técnico agrícola do Cohidro em Canindé, distante 213 Km da Capital, Joaquim Ribeiro ficou animado com a possibilidade do ‘Balde Cheio’ ser implantando também no Alto Sertão. “Sim, é possível sim, é uma boa alternativa para os pequenos agricultores lá do Califórnia, porque eles sentem muitas dificuldades com a comercialização com os produtos que eles produzem lá no perímetro e o leite é muito bom a comercialização é muito fácil, que nem foi dado depoimento dos produtores aqui do Jabiberi, que não tem dificuldade nenhuma de vender o leite, sempre comercializam tudo que tem”, avaliou.

Para o presidente da Cohidro, José Carlos Felizola, a introdução do programa em Canindé tem tudo a ver com a característica da região. “A aptidão de todo Alto Sertão Sergipano, quando se fala da atividade rural, é a pecuária e mais precisamente, a que envolve a produção de leite. Embora o Perímetro Califórnia tenha sido projetado para a produção vegetal (fruticultura e horticultura), a possibilidade de um sistema de produção leiteira, sem aquela necessidade de vastas áreas de terra, a partir dos piquetes irrigados, pode ampliar a renda ao homem do campo. Ao diversificar os produtos gerados em sua área irrigada, ele dispõe de maior retorno financeiro”, defende.

Lenaldo Soares da Silva, mais conhecido por Galego, defende que o programa trouxe benefícios aos produtores que aderiram, no Jabiberi. “Compensa, é muito bom o Balde Cheio, antes eu produzia 20 litros, 30, disso para trás.Hoje, eu já alcancei 200 litros, que foi do começo do Balde Cheio, aquilo foi uma maravilha para mim. Agora ‘descambou’ um pouco, mas que o projeto foi bom para nós, foi sim. Hoje eu estou com 70 e poucos litros, mas eu sei que lá na frente eu vou conseguir um objetivo maior. Foi por causa da seca, das águas que não tivemos. Como você está vendo, está bom agora, mas há um mês atrás, era tudo seco”, recorda.

O diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto explicou que a partir de dezembro passado, em face do baixo nível hídrico da Barragem do Jabiberi, a prioridade do ficou sendo apenas com a dessedentação animal, isso para poder garantir reservas para a captação feita pela Deso, que fornece água potável à sede municipal e povoados. “Antes que não fosse possível nem matar a sede do gado, foi decidido interromper o fornecimento da água usada para irrigar a pastagem, mantendo o fornecimento somente duas vezes por semana. E isso durou até o início das chuvas, em abril, quando a barragem foi recarregada, até verter”, justificou. Para ele, “a importância dessa visita técnica é a possibilidade de implantarmos o projeto em Canindé visando oferecer mais uma atividade econômica aos produtores, bem como um melhor aproveitamento dos lotes irrigados, diversificando suas atividades”.

A viabilidade em Canindé
Vereador de Canindé e irrigante do Califórnia, Adriano de Bonfim acompanhou os técnicos da Cohidro e Emdagro na visita a Tobias Barreto, tanto para conhecer o método, pensando em modificar a forma como cria seu gado, como também foi representando a Câmara e a população canindeense, que viria a ser beneficiada, caso seja implantado em seu município o programa. “Bom, muito bom, é uma experiência, uma oportunidade que poucos produtores têm. Isso é um avanço, Canindé está precisando não ficar naquela rotina do quiabo, tem de ter uma mudança, e isso aí é uma solução para a bacia leiteira no Alto Sertão”.

Eliane de Moura Moraes, gerente do perímetro da Cohidro em Canindé, foi quem organizou a visita e avalia qual foi o retorno da viagem técnica. “Foi importantíssima, porque a gente viu a viabilidade de implantar esse projeto lá no Califórnia.E hoje, eu já estou considerando isso uma realidade, porque você viu o produtor que veio, o Adriano de Bonfim, vereador da cidade e também os técnicos aqui. Viu o entusiasmo e eles é que vão fazer essa implantação.E a gente fica feliz, isso vai melhorar a condição do produtor, a condição econômica e financeira do produtor, que as vezes fica limitado a uma cultura e que vai abrir horizontes”, considerou.

 

Gestora da Emdagro de Canindé, Rita Selene Quixadá Bezerra participou da visita a Tobias Barreto para conhecer o Balde Cheio.“Foi fantástico, tudo foi muito valido e é um projeto que eu acredito que dê muito certo”, considera. Sua instituição é responsável pela assistência técnica à pecuária em todo Estado e ela, também Médica Veterinária, vê possibilidade de sua equipe contribuir na implantação do projeto no Alto Sertão. “Com certeza, a parceria é boa com a Cohidro, com Eliane, e eu acredito que a gente vai dar bem certo. Como sou técnica da Emdagro, tem a parte vegetal, mas tem a animal, principalmente quando entra na parte de saneamento animal, na parte de manejo, de boas práticas na produção de leite”.

Presenças
Também participaram da visita ao Jabiberi os técnicos agrícolas do Califórnia Edmilson Cordeiro, Roberto Ramos (Beto) e Tito Reis; os auxiliares técnicos da Cohidro, Andrea Santtos, do Califórnia e Jonathas Bruno, da Gerência de Desenvolvimento Agrícola (Gedea).

Milho produzido no Perímetro de Canindé promove integração Irrigado-Sequeiro ao servir à nutrição animal

Variedades hoje utilizadas pelos irrigantes, alcançam o tamanho de colheira do milho verde aos 70 dias e aos 85, está pronto para fazer silagem – foto Fernando Augusto (Ascom-Cohidro)

A utilização e comercialização do milho para a formulação de ração animal é cada vez mais constante dentre os produtores irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia em Canindé de São Francisco, há 213km de Aracaju. Infraestrutura hídrica criada pelo Governo do Estado, e administrada pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), para desenvolver a agricultura no Semiárido, mas que vem fornecendo a alimentação à pecuária, via silagem ou produção de feno.

Como silagem ou na produção de feno, processo ocorre aproveitando a palhada, após a colheita, ou ainda destinando toda ou parte da lavoura para a formação da forragem. Isso resulta em uma integração da agricultura irrigada – feita no Perímetro – e a pecuária leiteira, nas áreas de sequeiro. Ou seja, propriedades rurais fora do projeto de irrigação pública e que não contam diretamente com o benefício, estão tendo acesso à ração animal por esta via.

José Carlos Felizola, diretor-presidente da Cohidro, considera positivo o fenômeno, por mais pessoas serem assistidas indiretamente pela Companhia, e isso no Semiárido Sergipano, região carente de recursos hídricos para manter qualquer cultivo voltado à nutrição animal.

“Ocorre uma ampliação da área assistida pelo Governo do Estado com a irrigação pública, para além do território que compreende o Perímetro da Cohidro. No Sertão, aonde a principal atividade rural e a pecuária leiteira. Isso reflete positivamente em uma maior resistência do sertanejo, criador de gado de leite, aos efeitos da seca”, considerou Felizola.

Agricultor irrigante do Califórnia, José Leidison dos Santos, produz milho para vender espiga destinada ao consumo humano, mas também a palhada ou o pé inteiro, para fazer forragem de nutrição animal. “O preço aqui varia, vai de R$ 0,25, mas dependendo da precisão, o cara paga até R$ 0,50 o quilo da ração e a gente tira a espiga também. A gente tira assim, suponha que seja 2ha. Tira um para vender a espiga, porque ajuda você financeiramente a pagar uma gradiação de terra, pagar um adubo, um trabalhador, ajuda muito. Porque se você plantar só para vender a ração não sai, é muita gente que trabalha né? Então, a gente tem que saber dosar dos dois lados”.

Já Pedro Luís Martins, produz o milho, irrigado no Califórnia, só para fazer a silagem, alimento para sua própria criação de gado, atualmente de 15 novilhos. “85 dias o pé está pronto para silagem, ele já tem espiga né? Já está no ponto de silagem. Aí é só botar debaixo da lona para cozinhar. Aí, quando der 45 dias, você pode dar ao gado. Mas dependendo da lona, você pode colocar 1 ano, 2 anos, 3 anos”. O método que o agropecuarista usa se adéqua ao fato de lavoura, silo e criação estarem em um mesmo lote, mas a palhada com a espiga também pode ser triturada e desidratada, em forma de feno, o chamado ‘rolão’, que facilita inclusive no armazenamento e transporte.

Mercado
Em Canindé, o milho do período junino pode sair da lavoura há preços de até R$0,50 a espiga e neste ano foram plantados 90,775ha pensando nos festejos, o que pode render, aproximadamente, a colheita de 2,95 milhões de espigas. Mas segundo o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, nem todo este milho tem, como destino certo a mesa dos sergipanos.

“Nós temos uma produção de milho que irá atender, na época junina, a população do Estado de Sergipe. Nessa produção, principalmente em Canindé de São Francisco, há uma predisposição dos produtores em produzir milho também para que no próximo verão, no segundo semestre de 2017, possa estar havendo a integração entre o irrigado e o sequeiro, para o fornecimento de ração para os animais da pecuária leiteira do nosso Sertão Sergipano”, justificou João Fonseca.

Técnico agrícola e servidor da Cohidro, alocado no Perímetro Califórnia, Tito Reis explica como os produtores que ele assiste, nos lotes irrigados, fazem a comercialização da ração animal. “Além dos produtores que plantam para o consumo humano, a palhada se utiliza para forragem, então o produtor tem diversas formas de melhorar o seu sistema de comercialização. Existem pessoas que vem com o interesse de querer o milho completo, ou seja, o pé junto com a espiga, para pode enriquecer a base nutricional da forragem. E existem outros compradores, que compra o milho, só o palhagem. Eles não levam em consideração muito, para diminuir o custo, ele usa só a palha como base nutricional para os animais, e ai deixa para o produtor, a espiga, que ele consegue vender para os mercados, dentro do Estado e até fora dele, como Salvador, Maceió e no Ceasa em Aracaju”.

Última atualização: 18 de janeiro de 2019 10:18.