Irrigação pública estadual bate recorde em 2025 com produção de 134,5 mil toneladas de alimentos

Programas de compras governamentais, manutenção e perspectiva de mais investimentos nos perímetros têm incentivado a produção agrícola
A produção de hortaliças na irrigação pública atende parte
considerável do mercado interno e leva o nome de Sergipe para outros
estados vizinhos // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

A produção agropecuária irrigada apresenta importantes resultados econômicos e sociais em Sergipe. Os seis perímetros irrigados administrados pelo Governo do Estado em sete municípios sergipanos, juntos, alcançaram a produção recorde de 134.567 toneladas (t) em 2025. São 1.762 unidades produtivas familiares beneficiadas por este serviço. O resultado incluiu também produção recorde de 3.844.629 litros (l) de leite no Jabiberi, perímetro de Tobias Barreto, município da região centro-sul. A produção geral e a de leite cresceram respectivamente 8% e 61%, em relação a 2024. Toda a produção de 2025 rendeu aos produtores irrigantes R$ 207.161.463,38.

Esse levantamento anual é resultado do trabalho realizado mês a mês pelos técnicos agrícolas da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), empresa pública vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) que fornece irrigação e assistência técnica nos perímetros. O Perímetro Irrigado Poção da Ribeira, que abrange povoados de Itabaiana e Areia Branca, no agreste sergipano, foi o perímetro com maior alta na produção agrícola, alcançando 22.109 t. Irrigante do Poção da Ribeira, em Itabaiana, Adilson Tavares de Jesus vive desde criança na região do perímetro irrigado e testemunhou a transformação que ele começou a fazer nas comunidades atendidas, há 38 anos. 

“Foi bom demais. Antigamente a vida da gente era muito sofrida, trabalhava assim na lavoura, só fazia uma farinha, só no inverno. Isso aí foi uma riqueza depois do perímetro para nós”, expôs o produtor. Ele está fornecendo produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas vende diretamente em três feiras de Aracaju e envia hortaliças para Salvador, diariamente.

Os agricultores do Poção Ribeira fornecem alimentos ao PAA da Conab, na modalidade ‘Compra com doação simultânea’, para atender pessoas em situação de insegurança alimentar em Santa Rosa de Lima, município da região leste do estado. Diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite informa que em quatro dos perímetros da companhia, há 127 produtores participando do PAA da Conab, em benefício de 15.500 pessoas carentes.

“O PAA e o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] federais; e o PAAE, do Governo do Estado, são programas que têm crescido o volume de investimentos e incentivam cada vez mais a produção nos perímetros irrigados. Por isso, a Coderse atua junto ao irrigante — complementando irrigação e assistência — dando um assessoramento na formalização das propostas, durante a organização das entregas periódicas e na prestação de contas”, explica ele.
 
Manutenção e melhorias
Já o presidente da Coderse, Paulo Sobral, destaca o volume expressivo de investimentos que a companhia está fazendo na melhoria da infraestrutura de distribuição de água para irrigação. “Em 2025, fizemos a recuperação do barramento do reservatório da EB-07 (estação de bombeamento) e a limpeza mecanizada da EB-02, do perímetro Califórnia, em Canindé de São Francisco. São obras que de imediato melhoram o serviço de fornecimento de água e elevam a confiança do irrigante, para ele investir com segurança e aumentar a produção”, indica. Ele ainda reforça que o recém-lançado edital da ‘Adutora do Leite’ contempla uma recuperação mais ampla do perímetro Califórnia.
 
Pecuária leiteira
O Jabiberi é um perímetro estadual de vocação pecuária, onde a maioria dos lotes se destina a criar gado de leite a partir do capim e material forrageiro irrigado. Os 3.844.629 litros de leite produzidos pelos seus irrigantes em 2025, foi beneficiado no laticínio de um dos produtores. A produção de queijo obteve uma renda estimada em R$ 13,1 milhões, 50,7% maior que a gerada no ano anterior. Esse resultado recorde reflete o crescimento do rebanho leiteiro em lactação do perímetro. Em 2024, eram 650 animais. Já em 2025, esse plantel saltou para 1.100 vacas.

“O laticínio que funciona no Jabiberi cumpriu todas as exigências sanitárias e obteve o registro no Serviço de Inspeção Estadual (SIE), no início deste ano, e a produção de leite no perímetro cresceu, em volume e aperfeiçoamento. Agora, os produtores irrigantes já trabalham na padronização da qualidade, buscando capacitação e consultoria para fornecer um produto com preço diferenciado, conforme eles atendam aos requisitos do tipo bronze, prata e ouro de leite. São investimentos que têm lastro na confiança pelo serviço que o Governo do Estado oferece por meio do perímetro”, completa o diretor Júlio Leite.

Ações do Governo do Estado que impulsionam agricultura e pecuária são destaque no Canindé Agro Show

Iniciativas fortalecem produção leiteira, potencializam atividade agrícola familiar e garantem segurança hídrica de pequenos produtores

Maquete apresentou aos visitantes do Canindé Agroshow o Programa Água Doce / Foto: Fernando Augusto

O Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), marcou presença na primeira edição do Canindé Agro Show, em Canindé de São Francisco, município do alto sertão sergipano. Realizado entre 12 e 14 de setembro, a gestão estadual expôs no evento ações em curso e os resultados alcançados a partir das políticas públicas em benefício do campo e dos produtores rurais.

A feira, que contou com 66 expositores, reuniu produtores rurais, pecuaristas, agricultores familiares, técnicos, pesquisadores, lideranças comunitárias e parceiros institucionais em torno de palestras, reuniões, exposições e comercialização de equipamentos agrícolas e insumos diversos. Além disso, houve dois dias de apresentações musicais, como dos cantores Natanzinho Lima e Raí Saia Rodada, e de grupos folclóricos locais. A estimativa é que o evento tenha injetado mais de R$ 7 milhões na economia do município e atraído aproximadamente 60 mil visitantes.

O secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva, representou o governador Fábio Mitidieri na iniciativa, com quem compartilha o objetivo comum de levar água para o setor produtivo do leite no alto sertão. “Em breve, vai começar a ser executada a obra da Adutora do Leite, a maior obra do Governo do Estado para a região do alto sertão; levando a água bruta do Rio São Francisco até Nossa Senhora da Glória e aproximando, pelo caminho, as criações de gado de leite ao acesso à água, inclusive Canindé, de onde vai partir a rede de distribuição”, enfatizou. 

Para ele, a Adutora do Leite e outras ações realizadas pelo Governo do Estado, como a preparação de aguadas para acumular a água das chuvas, são um incentivo importante à pecuária do alto sertão. “Estamos prevendo dobrar a produção de leite, o crescimento dos investimentos no setor pecuário e a abertura de novos postos de trabalho. A realização de novas exposições agropecuárias como esta de Canindé, já são um indicativo de que o campo está se desenvolvendo em ritmo acelerado, trazendo mais empresas interessadas em oferecer produtos e serviços para esse novo agronegócio. Parabéns à gestão municipal”, complementou o secretário.

José Adair Souza trabalha como porteiro em Canindé e em visita ao Canindé Agro Show, conheceu o programa Água Doce por meio da apresentação feita pela Seagri da maquete de uma unidade de produção de água dessalinizada. “Achei muito produtivo o sistema. Até pela seca que a gente passa aqui, ano após ano. Para que a comunidade beneficiada não dependa do caminhão-pipa. E também tem a importância para o gado, na questão de alimentação e da água de beber. Esse projeto é muito bonito e é muito gratificante saber que a gente tem aqui no nosso município e na nossa região”, destacou.

O ‘Água Doce’ é gerido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, coordenado em Sergipe pela Seagri e executado por suas empresas vinculadas. São 29 unidades operando em nove municípios do semiárido, sendo três só em Canindé. Outras três novas unidades foram construídas por meio da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) e entram em operação ainda em 2025. Serão então 2,6 mil famílias atendidas por 17 mil litros de água potável por dia. Em paralelo, o sistema comporta o fornecimento de água bruta para o gado e existe a possibilidade do plantio irrigado da planta forrageira atriplex, também conhecida por ‘erva-sal’, que é resistente à água salina e serve de ração animal.

Irrigação pública
“É de suma importância para para o PIB (produto interno bruto) de Canindé, porque se não fosse o Projeto Califórnia em Canindé, as pessoas iam depender mais ainda da prefeitura. Ele amplia a quantidade de pessoas trabalhando, de famílias que podem se sustentar através dos lotes”, acrescentou José Adair Souza, sobre o Perímetro Irrigado Califórnia. A infraestrutura é mantida pelo Governo do Estado no município para fornecer água de irrigação e assistência técnica em 337 lotes agrícolas, que produzem 32 mil toneladas de alimentos anualmente.

A Coderse, vinculada à Seagri, expôs o potencial produtivo da irrigação pública de Canindé e de Itabaiana, como o que se colhe nos perímetros irrigados Califórnia e Poção da Ribeira, respectivamente, ambos administrados pela companhia. Além do investimento para operação do bombeamento e de todo pessoal operacional, a companhia pública também tem investido em obras estruturantes para recuperar o perímetro de Canindé.

“No perímetro California, ainda neste mês, a Coderse concluiu importantes obras de recuperação das estações de bombeamento 07 e 02 do perímetro Califórnia, eliminando riscos de danos no equipamento de bombeio e a consequente parada no serviço de irrigação. No 07, reconstruímos todo o barramento do reservatório para conter um vazamento que atingia as máquinas e ainda oferecia risco de rompimento. Na estação 02, a maior do perímetro, ocorreu uma grande limpeza mecanizada para a retirada de plantas subaquáticas que obstruíram o sistema”, destacou o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral.

A Coderse ainda trouxe os seus parceiros diretos no perímetro de Canindé para o Agro Show: a Cooperativa de Fomento Rural e Comercialização do Perímetro Irrigado Califórnia (Coofrucal) e a Associação dos Agricultores de Canindé de São Francisco (Assai). Os grupos compostos unicamente por irrigantes do Califórnia. Durante a feira, os produtos dos associados e cooperados foram expostos no estande da Seagri.

“A participação da cooperativa e da associação em um evento desse é de suma importância. Oportunidade única de mostrar os produtos produzidos no Califórnia, por pequenos produtores, que é a agricultura familiar. É ter gente de todo local que passa a ver. O Califórnia, hoje, tem uma diversidade de cultura grande: quiabo, milho, macaxeira, tomate… Até brócolis aqui dá, que eu já plantei; lembrando da importância da Coderse, que fornece água para a gente de inverno a verão, praticamente oito horas por dia. Então, eu só tenho a agradecer ao prefeito por fazer um evento desse”, ressaltou o presidente da Assai e diretor da Coofrucal, Ozéias Beserra.

Emdagro
A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), também vinculada à Seagri, utilizou o estande da secretaria na Canindé Agro Show para divulgar e prestar maiores esclarecimentos aos produtores rurais sobre a Campanha de Vacinação Contra a  Brucelose. A mobilização do Governo do Estado vai garantir a imunização de bezerras e controlar a disseminação da doença, que afeta tanto a saúde animal quanto a humana, através da contaminação pelo leite cru, derivados ou contato com animais infectados.

Agro Show
O Canindé Agro Show, organizado pela prefeitura municipal no Complexo Agropecuário Orlando Gomes de Andrade, teve como objetivo a promoção de negócios e o desenvolvimento econômico do município, por meio da venda de produtos agrícolas, formalização de parcerias e acesso ao crédito rural, estimulando à economia local. Além disso, houve a difusão de conhecimento de novas tecnologias, capacitação e ‘networking’ para o setor, fortalecendo também a agricultura familiar.

O prefeito de Canindé de São Francisco, Machadinho Barbosa, agradeceu ao Governo do Estado pelo suporte à realização da iniciativa e presença na feira. “Esse é um evento que chegou para ficar. O governador Fábio Mitidieri deu todo o apoio necessário para a gente. Já agradeci a ele, mas vou agradecer hoje novamente à Polícia Militar de Sergipe, dando toda essa estrutura. No ano que vem, acontecerá novamente, entre 11 e 13 de setembro”, concluiu o gestor.

Governo de Sergipe participa do Canindé Agro Show e reforça apoio a setor no estado

Evento reúne produtores rurais, empresas, autoridades e especialistas para debater as tendências do setor agropecuário

Foto: Vieira Neto

Acontece entre 12 e 14 de setembro, em Canindé de São Francisco, a feira agropecuária Canindé Agro Show. O evento conta com apoio direto do Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e de suas vinculadas: Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Coderse) e Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). 

A feira é realizada no Complexo Agropecuário Orlando Gomes de Andrade e reúne produtores rurais, pecuaristas, agricultores familiares, técnicos, pesquisadores, lideranças comunitárias e parceiros institucionais em torno de palestras, reuniões, exposições e comercialização de equipamentos agrícolas e insumos diversos. O evento dá destaque para o agronegócio na caprinovinocultura, equinocultura, bovinocultura, apicultura, piscicultura, produção agroecológica e práticas conservacionistas sustentáveis do bioma caatinga

Representante do Governo de Sergipe na iniciativa, o secretário de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca, Zeca da Silva, destacou o trabalho das empresas públicas de assistência técnica e o grande potencial produtivo da região. “É uma alegria muito grande poder representar o governador Fabio Mitidieri na abertura da Canindé Agro Show, mais um evento que engrandece a produção agropecuária de nosso estado de Sergipe. O município abriga o maior perímetro público administrado pelo governo que tem gerado empregos e renda para milhares de famílias. Para ter ideia, a produção anual, só no perímetro irrigado Califórnia, é de 32 mil toneladas, com valor de produção anual de R$ 58 milhões. Além de mostrar o grande potencial produtivo do município e região do alto sertão, é um momento de troca de experiência e reforço das parcerias. Parabenizamos todos os que fazem a gestão municipal por essa realização”, evidenciou o secretário.

Além da assistência direta a agricultores e público em geral, durante a feira será possível conhecer o trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado em Canindé. A Emdagro, por exemplo, atua no município prestando apoio técnico a agricultores familiares, na confecção e regularização do Cadastro de Agricultor Familiar (CAF), desenvolvendo ações com programas como o Garantia Safra, Mão Amiga Leite, Sementes do Futuro – com a distribuição de sementes de milho e palma –, e ainda na área da regularização fundiária. A empresa também atua no setor da pecuária por meio do programa Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), voltada a bovinos na cidade, e disponibiliza vacinação contra Brucelose e Clostridiose, o que garante a sanidade do rebanho sergipano.

Durante a Canindé Agroshow, a Coderse também vai expor os resultados de suas ações no município, onde está localizado o maior dos seus seis perímetros irrigados, o Califórnia, que compreende uma área de 1.360 hectares. Na área, um total de 373 produtores agrícolas já colheram, desde janeiro, 18,4 mil toneladas de quiabo, goiaba, acerola, feijão-de-corda e outras hortaliças e frutas. Somente em 2025, a produção já injetou R$ 38,6 milhões na economia local.

A produção pecuária também é foco nas ações da Coderse em Canindé. Desde 2023, são 360 pequenas e médias barragens limpas, criadas ou ampliadas, beneficiando quase duas mil famílias com a água acumulada das chuvas, usada para abastecer o gado. Outro grande projeto do Governo do Estado, a Adutora do Leite, está em fase de implementação, e vai atender Canindé já em sua primeira etapa, beneficiando propriedades rurais de toda região, facilitando o acesso à água bruta captada no Rio São Francisco com as bombas da Coderse. Quando concluída, a previsão é ampliar os investimentos em tecnologia, qualidade genética dos rebanhos e a produção de leite do alto sertão, onde se concentra a maior bacia leiteira do estado.

Governo do Estado promove ações de fortalecimento da agricultura familiar em Sergipe

Atividade fundamental na economia de Sergipe, agricultura tem se desenvolvido ainda mais por meio das políticas públicas de assistência do Estado; nos últimos dois anos, já foram emitidos mais de 43 mil novos cadastros da agricultura familiar e quase três mil títulos definitivo de terra
Foto: Thiago Santos

Em Sergipe, a agricultura familiar não é apenas um meio de subsistência, mas um motor do desenvolvimento econômico e social. Representando 79% dos 95 mil domicílios rurais do estado, segundo o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), essa atividade tem ganhado ainda mais força com os investimentos do Governo do Estado. Por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), ações estratégicas estão garantindo assistência técnica, regularização fundiária, acesso a insumos e melhorias na infraestrutura, ampliando as oportunidades para os pequenos produtores e fortalecendo o setor no estado.

Esses incentivos impactam diretamente a vida dos produtores, como o agricultor Jadson dos Santos, 51 anos, morador do povoado Mangabeira, em Itabaiana. Ele cultiva, em um terreno de pouco mais de cinco tarefas, batata-doce, hortaliças e amendoim e destaca a importância das políticas públicas para o fortalecimento da agricultura familiar. “Os programas ajudam muito os pequenos produtores. Com a assistência técnica e o suporte oferecido, conseguimos melhorar a qualidade da produção e levar alimentos frescos e orgânicos para mais famílias”, afirma.

A agricultora Nivalda Santos Silva, que há 13 anos cultiva hortaliças, no povoado Mangabeira, em Itabaiana, abastecido pelo perímetro irrigado Poção da Ribeira, administrado pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), também ressalta os benefícios das iniciativas governamentais. Ela vende sua produção em diversas localidades, incluindo Aracaju, Feira de Santana e outros municípios da Bahia.

Participante do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) há oito meses, Nivalda explica que o programa tem sido importante para sua estabilidade financeira. “O PAA facilita muito nosso trabalho, pois já sabemos para onde nossa colheita será destinada. Isso dá segurança para continuar investindo na produção”, relata.

Filha de agricultores, Nivalda aprendeu a gostar de roça ainda na infância e, hoje, conta com o apoio da família para manter a plantação. “Trabalho com hortaliças há anos e sei como um solo bem preparado faz diferença. A assistência da Emdagro me ajudou a melhorar minha produção e a entender mais sobre pragas e adubação”, ressalta.

Além do suporte técnico, o fornecimento de água pelo governo tem sido essencial para os produtores, como é do agricultor Gilmar da Cruz Alves, 46 anos, morador da Serra Comprida, entre Itabaiana e Areia Branca. Há 30 anos, ele cultiva hortaliças, quiabo e batata-doce em um terreno de duas tarefas, enquanto seu pai possui outras sete tarefas de terra na mesma região. Ele destaca que o acesso à irrigação fornecido pela Coderse, no perímetro Poção da Ribeira, tem garantido a produtividade. “Trabalho desde cedo e tiro daqui o sustento da minha família. É gratificante saber que o que a gente planta chega à mesa de outras famílias”, afirma o agricultor, que também participa do PAA.

Acesso a políticas públicas
Outro ponto de destaque nas ações de fortalecimento da agricultura familiar pelo Governo do Estado é o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF), essencial para que os agricultores tenham acesso às políticas públicas do setor. “O CAF funciona como um passaporte para o produtor rural, permitindo que ele obtenha financiamentos bancários isentos de taxas e seja reconhecido pelo INSS para fins de aposentadoria”, detalha o gestor do escritório da Emdagro em Itabaiana, técnico extensionista Agenor Antônio Nascimento.

A Emdagro realizou a emissão de 19.915 Cadastros de Agricultor Familiar, somente em 2024. Ao todo, nos últimos dois anos, já foram mais de 43 mil novos documentos emitidos.  Além do suporte técnico, a empresa auxilia os agricultores na comercialização da produção, garantindo que os produtos tenham mercado garantido.

O agricultor Gilmar da Cruz Alves reforça a importância desse documento. “Com o CAF, conseguimos participar de programas como o PAA, o que nos dá mais segurança porque já sabemos para onde nossa produção vai”, pontua.

Apoio à agricultura familiar
O secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva, destaca que o Governo do Estado busca dialogar com pequenos, médios e grandes produtores, mas o atendimento preferencial é aos que mais precisam, que são os agricultores familiares. “A agricultura familiar é o carro-chefe das nossas ações. Eles são a maioria e os que realmente fazem os produtos chegarem às nossas mesas com alimentos que vêm dos perímetros irrigados atendidos pelo governo, dos assentamentos e das pequenas propriedades que têm recebido nosso apoio e receberão”, frisa.

O gestor do escritório da Emdagro ressalta que o investimento em assistência técnica tem permitido um atendimento mais eficiente aos produtores. “Com mais profissionais no campo e escritórios reestruturados, conseguimos atender melhor os agricultores. Agora, há mais agilidade para resolver questões técnicas, como controle de pragas, irrigação e melhoramento do solo”, explica Agenor. 

O município de Itabaiana possui cerca de 6.200 propriedades rurais, das quais 80% pertencem a famílias que vivem exclusivamente da agricultura. As hortaliças são a principal produção da região, abastecendo mercados dentro e fora do estado, incluindo Salvador, Pernambuco, Maranhão e até o Rio Grande do Sul. 

Outras ações
Em 2024, o Governo de Sergipe reforçou a equipe técnica da Emdagro com a nomeação de 55 novos servidores concursados, entre engenheiros agrônomos, médicos veterinários e técnicos agrícolas, distribuídos nos escritórios regionais do estado. Além disso, foram realizadas reformas e melhorias em diversas unidades, como os escritórios de Simão Dias e Porto da Folha, além da construção de um novo espaço em Canindé de São Francisco.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca juntamente com suas vinculadas (Emdagro, Coderse e Pronese), atua na assistência técnica e extensão rural, na pesquisa agropecuária, na regularização fundiária e ainda na defesa sanitária animal e vegetal.

Com o objetivo de garantir melhores condições para a produção agrícola, o Programa Sementes do Futuro mais que dobrou os investimentos na distribuição de sementes de milho e arroz, totalizando R$ 5,2 milhões. Além disso, a distribuição de 362 mil raquetes de palma forrageira beneficiou 259 produtores, garantindo alimento para o rebanho em períodos de estiagem.

Segurança
Nos últimos dois anos, o Governo de Sergipe, por meio da Emdagro, entregou quase três mil títulos definitivos de propriedade a pequenos produtores que há décadas ocupavam a terra sem a devida documentação. Na área pecuária, Sergipe conquistou o status de estado livre da febre aftosa sem vacinação, após 23 anos de imunização obrigatória.

A campanha de vacinação promovida pela Emdagro atingiu mais de 90% do rebanho bovino e bubalino do estado. Outro destaque é o Programa Pecuária Mais Brasil, que tem investido na melhoria genética do gado leiteiro. Em 2024, foram inseminadas 510 matrizes bovinas, além de 60 ovinos e 84 caprinos, contribuindo para o aumento da produtividade.

“Nos últimos dois anos e meio, praticamente, já entregamos quase três mil títulos definitivos de propriedade a pequenos produtores rurais e agricultores familiares. No ano passado Sergipe mais que dobrou os investimentos para a compra e a distribuição de sementes de milho e arroz, a fim de promover o fortalecimento da agricultura familiar. Agora em 2025, o Governo do Estado já investiu R$ 3 milhões na aquisição de 206 toneladas de sementes certificadas de milho, para atender mais de 20,6 mil famílias de pequenos produtores”, informa Zeca da Silva.

Já por meio do Programa Citricultura Sustentável, foram entregues 210 mil borbulhas aos pequenos produtores de mudas cítricas, a fim de estimular a produção e elevar a previsão de safra. “Podemos citar muitos mas ações, a exemplo da regularização e melhoramento genético do rebanho com inseminação e vacinação gratuita, investimento no garantia-safra que agora em março começou pagar R$ 17 milhões para os pequenos agricultores que perderam a safra passada, como também a política de certificação dos laticínios e outras agroindústrias”, detalhou o secretário.

Tecnologia da agricultura regenerativa aumenta produtividade da batata-doce

Método visa a fazer crescer a produção do tubérculo em todo o estado, mas sem que haja a necessidade do aumento de área de produção. Iniciativa será aplicada em perímetro irrigados
Apesar do solo argiloso, o cultivo da batata-doce nos perímetros irrigados de Canindé tem suas vantagens diante do solo rico, insolação prolongada e baixa incidência das doenças típicas de regiões mais úmidas // Foto: Perímetro Irrigado Califórnia

Sergipe é o segundo maior produtor de batata-doce do Nordeste, conforme levantamento das safras de 2023, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram 67.049 toneladas colhidas naquele ano, só perdendo para o estado do Ceará (163.530). A produtividade, de 18 toneladas por hectare, é superior à média nacional (15), mas inferior a do Ceará (20,2). Uma iniciativa para que a produtividade cresça ainda mais e aumente a produção da raiz tuberosa em Sergipe é a implantação de quatro campos demonstrativos de aplicação da tecnologia de agricultura regenerativa em perímetros irrigados estaduais, a partir de Termo de Cooperação com empresa de consultoria sergipana e o Governo do Estado.

 Esses campos demonstrativos serão montados em lotes comercialmente produtivos e que já tenham afinidade com o cultivo da batata-doce irrigada. A Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), fez uma avaliação técnica e escolheu quatro produtores experientes no cultivo do vegetal em três perímetros irrigados de diferentes regiões do estado: Califórnia, em Canindé de São Francisco, alto sertão; Jacarecica I e Poção da Ribeira, em Itabaiana, no agreste, região onde se concentra a maior produção do estado.

 “São perímetros que fazem uma boa amostragem de como são os principais climas e tipos de solo explorados para a produção da batata-doce irrigada. A Seagri e suas vinculadas, Coderse e Emdagro, abraçaram a ideia de um parceiro da iniciativa privada de testar a tecnologia da agricultura regenerativa com foco na produtividade. Pensando em fazer crescer a produção da batata-doce em todo estado de  Sergipe, mas sem que seja necessário o aumento de área, substituindo as outras produções agropecuárias”, pontuou o presidente da Coderse, o engenheiro agrônomo Paulo Sobral.

Termo de Cooperação
A área experimental do cultivo é viabilizado pelo Termo de Cooperação  entre a Seagri, Coderse, Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro) e a GTerra Consultoria Agropecuária. O diretor da empresa privada sergipana, Gilberto Bruto Oliveira, esclarece que o projeto é baseado na demonstração das potencialidades da tecnologia da agricultura regenerativa no cultivo da batata-doce em Sergipe. Um conceito norte-americano, em que o equilíbrio da nutrição do solo consegue equilibrar a saúde da planta.

“O projeto tem como objetivo trazer para os perímetros irrigados, assistidos pela Coderse, técnicas agrícolas baseadas na reabilitação do solo e conservação dos sistemas produtivos e alimentares, como foco principal na regeneração, conservação do solo e segurança alimentar. É a utilização de práticas agrícolas sustentáveis com uma visão holística que, ao tempo em que promove a recuperação e a regeneração dos sistemas produtivos, estabelece novos patamares produtivos, trazendo renda para o irrigante”, detalhou Gilberto Bruto.

 O engenheiro agrônomo Gilberto Bruto informa que o agricultor que abrigar os campos demonstrativos não terá custos com os insumos necessários à introdução da agricultura regenerativa. Ele somente vai contribuir com a área e sua mão de obra. “São usados condicionadores de solo líquidos antes e durante o plantio. Depois há a utilização de produtos biológicos e químicos na plantação. O agricultor vai receber 100% dos produtos”, completa.

 Comparando técnica
Cada campo demonstrativo será implantado em uma área de cultivo do dobro do tamanho, onde metade terá a aplicação da agricultura regenerativa e a outra vai receber os tratos culturais que o agricultor, propositalmente escolhido por sua experiência no cultivo de batata-doce, está acostumado a fazer. Diante disso, será possível que bataticultores de todo o estado e profissionais do meio agrícola possam fazer um comparativo entre as duas técnicas. Irrigante do perímetro Califórnia, José Bernardino Neto hoje já dedica todo seu lote à plantação do tubérculo, de olho no mercado cada vez mais atrativo para quem produz.

“Estou pensando em expandir para outros mercados, além de Canindé. Tendo uma produção maior, é tocar o barco para frente, investir para ter resultado”, planjeou Bernardino Neto. O produtor está animado com a assistência que vai receber das empresas públicas e da consultoria privada para produzir mais em sua nova área já lavrada, comprometido em seguir as recomendações técnicas. “Vou fazer tudo. Com a ajuda, a gente faz tudo”. Sobre o tipo de batata-doce que vai usar para plantar no campo demonstrativo, Bernardino disse que será a mesma variedade que já produz: a ‘roxinha comprida’

Assistência técnica
Engenheiro agrônomo da Coderse, Paulo Feitosa considera que a aplicação da agricultura regenerativa é o desenvolvimento da cultura para obter melhor qualidade do produto. “Essa é a essência para aumentar a produtividade, promover uma nutrição vegetal com base na adubação da folha, na melhoria do solo. E, por consequência, você tem uma melhor qualidade do produto e produtividade da cultura”, avaliou. Para o especialista em irrigação, ao aumentar a produção, promove a melhoria para o produtor, que dificilmente conseguiria implantar a tecnologia sem essa assistência técnica e os insumos.

 “Quando você tem uma cultura bem colhida, bem produzida, ela tem mais resistência para algumas pragas ou doenças. Bem nutrida, ela fica mais imune. Mesmo que ela tenha alguma praga ou doença, ela tolera um pouco melhor e sem prejuízo para a produção. Estamos regenerando o solo para futuras produções e desenvolvimento de novas espécies de produção”, concluiu Paulo Feitosa.

Perímetros irrigados do Governo de Sergipe geram polos de desenvolvimento agrário no estado

Suporte de abastecimento hídrico e assistência técnica são determinantes para a produção de diversas culturas, gerando emprego e renda

Quiabo é item mais produzido no perímetro Califórnia / Foto: Fernando Augusto

Para garantir subsistência e oportunidade a milhares de sergipanos, o Governo de Sergipe mantém por todo o estado perímetros irrigados públicos estaduais. Com eles, o Estado conduz o funcionamento do sistema de abastecimento de água bruta para irrigação. A política gera emprego e renda no campo, garante a permanência do trabalhador na zona rural e cria condições de trabalho, além de colaborar para a segurança alimentar e nutricional em todo o território estadual.

Atualmente, o Governo do Estado mantém seis perímetros irrigados públicos: Califórnia, em Canindé de São Francisco; Jabiberi, em Tobias Barreto; Jacarecica I, em Itabaiana; Jacarecica II, entre Malhador, Itabaiana e Riachuelo; Piauí, em Lagarto; e Poção da Ribeira, entre Areia Branca e Itabaiana. A gestão é executada por meio da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri).

Histórico
Técnico agrícola atuante no perímetro Califórnia à época de sua inauguração, Edmilson Cordeiro recorda o início do projeto. “Por volta de 1986, houve a desapropriação de duas fazendas: Califórnia e Cuiabá. O nome do perímetro veio daí. Até hoje existem os setores Cuiabá e Califórnia, apesar de o local inteiro ter recebido um nome só. O perímetro foi inaugurado em 1987, e, hoje, é um dos sustentáculos econômicos da região”, narra.

São 1.360 hectares irrigados e 373 lotes agrícolas. À época da inauguração, se plantava apenas quiabo, milho e feijão-de-corda. Há cerca de 15 anos, a fruticultura foi iniciada, com a vinda de mudas de outros locais do Brasil. Hoje, destacam-se também as produções de acerola, goiaba, aipim, abóbora e hortaliças. A produção é destinada ao abastecimento local, a feiras e supermercados de Aracaju e Itabaiana, e também chega à Bahia e a Alagoas.

Já no perímetro Jabiberi são 220 hectares de área irrigável e 96 lotes agrícolas, onde predominam a produção de leite, com 650 vacas alimentadas com material forrageiro irrigado e 60 irrigantes. No Jacarecica II, são 820  hectares e 344 lotes, com destaque para as culturas da cana de açúcar, aipim, banana e batata-doce. No perímetro Piauí, 703 hectares e 421 unidades produtivas agrícolas são base para a produção de pimentas destinadas à indústria de molhos e conservas, batata-doce, amendoim, quiabo, milho verde, mandioca, aipim, maracujá e hortaliças. E no Poção da Ribeira, são 650 hectares e 466 unidades produtivas, onde o destaque é a produção de batata-doce, quiabo e hortaliças.

“Se não fosse a irrigação, aqui não teria nada. O perímetro foi um celeiro criado no semiárido para evitar o êxodo rural. Antes, o produtor tinha que ir para outros locais para procurar emprego. Por aqui só tínhamos pescador e vaqueiro, e precisamos transformá-los em agricultores. Eles tinham a agricultura de subsistência anual, nas chuvas de inverno. Mas, com a chegada do perímetro, melhorou bastante, porque começaram com a agricultura irrigada. E essa mudança de consciência veio com o Governo do Estado e a Cohidro, hoje Coderse”, conta Edmilson sobre o perímetro Califórnia, mencionando uma experiência que ocorreu de forma similar, guardadas as proporções, em todos os perímetros.

Assistência
Para que o produtor se adapte a novas culturas e saiba a melhor forma de manejo daquilo que planta, os técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos da Coderse atuam em todos os perímetros irrigados prestando assistência técnica. Além de ajudar no controle de pragas e doenças, os profissionais auxiliam na correção de solo e na utilização dos equipamentos de irrigação. No perímetro Califórnia, por exemplo, são seis técnicos em atividade, cada um cuidando de um dos setores nos quais a área se divide.

“Para aumentar a produtividade de uma área, precisamos de um processo de análise de solo bem feito, de uma adubação de fundação bem feita e dos parcelamentos de adubação de cobertura posterior, além de uma variedade altamente produtiva. Também é preciso ter um manejo adequado”, explica o técnico em agropecuária da Coderse que atua no perímetro Califórnia, Luiz Roberto Rocha.

A inserção de tecnologias e a adoção de práticas sustentáveis também fazem parte do trabalho de assistência. É o caso do uso de fertilizantes e defensivos orgânicos, da rotação de culturas, da fertirrigação e da mudança de métodos de irrigação, como o gotejo, a aspersão e a microaspersão.

“Nosso objetivo é fazer com que o produtor melhore de vida. Ou seja, que ele diminua os custos de produção e aumente a produtividade, e que ele consiga vender o produto por um preço justo. Todos os produtores que acolheram nossas sugestões por aqui melhoraram suas condições de vida”, detalha Luiz Roberto.

Estrutura
O trabalho de assistência permite que o governo alcance o produtor do perímetro de forma integral, para além do abastecimento hídrico. E em se tratando da parte estrutural dos perímetros irrigados em Sergipe, diversos investimentos vêm sendo feitos para garantir a cobertura das propriedades e o bom funcionamento dos sistemas e suas instalações.

Ao longo do ano passado, 32 mil metros de mangueiras para irrigação localizada foram distribuídos nos perímetros. O trabalho do Governo de Sergipe, por meio da Coderse, também envolve a limpeza e recuperação de placas em canais, recuperação das estradas vicinais, limpeza e drenagem em lotes, assim como melhorias nas estruturas desses territórios.

“Cada perímetro conta com pessoal técnico para fazer reparos em tubulações, conexões e manutenção de bombas e motores elétricos. A Coderse também promove licitação para seleção de empresas especializadas na recuperação de bombas e motores, e regularmente realiza obras em estações de bombeamento, barragens, reservatórios, adutoras e canais de irrigação”, informa o diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite.

Depoimentos

O apoio estrutural e técnico oferecido pelo Governo de Sergipe, por intermédio da Coderse, faz a diferença na vida dos produtores. É o caso de José Matos, que está há mais de 30 anos no perímetro Califórnia e acompanhou seu crescimento. Em seu lote, a cultura principal é o milho, embora também produza abóbora, quiabo e outras variedades. A produção do milho já tem destino certo: vai para Salvador, para uma fábrica de pamonha. E os restos culturais se transformam em silagem para alimentar o gado da região.

“Vi o progresso que a região teve com o perímetro. A vida da agricultura familiar é árdua. As pessoas chegam ao supermercado e não sabem o trajeto que a mercadoria percorreu até chegar ali e o que aconteceu para ela chegar à mesa, para ser consumida. Em algumas culturas, a gente precisa cuidar de 70 a 90 dias. Também há um cuidado específico do preparo do solo, o tempo de estrada, e tudo isso exige mão de obra. Sem contar os técnicos, que dão o sangue e têm toda a boa vontade”, afirma.

Windson Silva Aragão, gerente do lote de José Matos, complementa: “Se não fosse o governo trazer água para cá, não tinha nada. O mais importante é a água, que é barata, praticamente de graça. O preço cobrado é irrisório. E se não fosse o apoio dos técnicos, a gente também não andava”.

Brendo Eduardo Nunes de Araújo, o Dudu, tem 22 anos e é filho de José de Araújo Lima, conhecido como Sérgio de Bel. Juntos, pai e filho cuidam da propriedade de 14 tarefas no perímetro Califórnia, que produz milho, feijão e quiabo. Eles ressaltam a importância da parceria entre Governo de Sergipe e produtores.

“Desde criança que eu trabalho aqui com meu pai. Já cheguei a morar fora, mas sempre voltava para trabalhar. É o que eu sempre gostei, estou aqui de cinco da manhã a seis da tarde, todo dia. Os técnicos sempre estão por aqui, ajudando e monitorando para saber o quanto a gente está plantando, se a água está chegando certinho e se a gente está precisando de alguma coisa. Isso é em todo lugar. Nessa região, graças a Deus e ao governo, a gente é rico por isso: pela água, que muitas cidades vizinhas não têm e precisam. Pagamos pouco e usufruímos muito. Aqui, todo mundo vive do perímetro irrigado”, descreve Dudu.

Ivonaldo Lima Silva trabalha na produção de acerolas, e afirma ter nascido e se criado cuidando da terra. Mesmo tendo morado em outros estados, ele retornou a Canindé de São Francisco para seguir na lavoura. Ele recorda que o apoio da Coderse foi um diferencial para sua lida diária.

“O pessoal da Coderse deu a sugestão de mudar a irrigação tradicional para o microaspersor. Para a gente ficou melhor, porque nos livrou do peso. É mais sossegado. A produtividade também melhorou. Antigamente, a gente tinha que esperar uma hora de água pra depois mudar os canos. Agora, você molha três a quatro tarefas de uma vez só. A gente faz a programação com base no que os técnicos orientam”, lembra.

Destaques na produção
A atuação da Coderse nos perímetros irrigados, somada ao esforço incessante dos produtores e dos trabalhadores rurais, vem rendendo grandes resultados para a agricultura e a pecuária sergipanas. Nos cinco perímetros irrigados com vocação agrícola, foi registrado um quantitativo de 110.155 toneladas de alimentos produzidos em 2023, que ocuparam a área plantada de 4.971,55 hectares e tiveram um valor de produção estimado em R$ 205.167.139,88. No perímetro Jabiberi, com vocação à pecuária, 2.295.500 litros de leite foram produzidos, o equivalente a R$ 5.096.010,00.

Um dos destaques no estado é a batata-doce, que registrou aumento de produção de 80% entre 2022 e 2023. De um ano para o outro, o volume aumentou de 11.025 toneladas para 19.841. A raiz é produzida por todos os cinco perímetros com vocação agrícola. Já o tomate teve aumento de 160% na produção, saltando de 344 toneladas em 2022 para 849 em 2023. Produzem o fruto os irrigantes dos perímetros Califórnia e Piauí. Quanto ao feijão-de-corda, o crescimento na produção foi de 41%: de 686,2 toneladas em 2022 para 966,3 em 2023. A leguminosa é produzida nos perímetros Califórnia, Piauí e Jacarecica I e II.

No perímetro Jabiberi, onde predomina a pecuária de leite, a produção aumentou em 26%. Foram 1.826.478 em 2022 contra 2.295.500 litros em 2023. Já o milho verde teve aumento de 20% na produção. As 4.795 toneladas  produzidas em 2022 se converteram em 5.733 em 2023. Produzem o cereal irrigantes de todos os cinco perímetros com vocação agrícola. O amendoim aumentou a produção em 19%, indo de 815 toneladas em 2022 para 967 em 2023. A leguminosa, que cozida é Patrimônio Imaterial Sergipano, também é produzida em todos os cinco perímetros com vocação agrícola. Outro aumento considerável, de 23%, ocorreu na safra do mamão, que é produzido no perímetro Piauí. Em 2022, foram 141 toneladas, enquanto em 2023 foram 174.

“Juntos, os seis perímetros irrigados administrados pela Coderse injetaram em seus municípios, a partir da comercialização da produção irrigada, R$ 210.263.149,88 em 2023. Só no perímetro Jabiberi, o leite bruto, que rendeu mais de R$ 5 milhões, foi convertido em laticínios e gerou uma renda somada de R$ 11.384.838,00. Em Itabaiana, nos perímetros Poção da Ribeira e Jacarecica I, foram gerados R$ 64.229.486,25 para os 590 irrigantes. Em Areia Branca, Malhador e Riachuelo, gerou-se o equivalente a R$ 88.667.195,31.Já em Lagarto, o perímetro Piauí garantiu aos 421 irrigantes a renda de R$ 6.349.595,60. Em Canindé, a renda obtida com a venda de frutas, hortaliças, cereais e material forrageiro foi de R$ 45.920.862,72. Esses bons números refletem, para além de índices econômicos, o compromisso do Governo de Sergipe com a população do campo e com o desenvolvimento social do estado”, sublinha o diretor-presidente da Coderse, Paulo Sobral.

Seagri e vinculadas levam novas ações e serviços a Campo do Brito

Durante a 14ª edição do ‘Sergipe é aqui’, a Seagri entregou 28 títulos de terra para agricultores

Durante a realização da 14ª edição do ‘Sergipe é aqui’, nesta sexta-feira, 27, no município de Campo do Brito, dois destaques se diferenciaram em relação às últimas edições do governo Itinerante: a entrega do projeto para construção de uma casa de beneficiamento de mel, que vai atender a comunidade do povoado Garangau, por meio da Associação Britense de Apicultores; e a entrega de 28 títulos de terra para agricultores familiares. Além disso,  a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e suas empresas vinculadas, Emdagro e Coderse, ofereceram outros serviços prestados.

Ações da Coderse

A  Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) também ofereceu seus serviços à população de Campo do Brito, onde tem uma gama de serviços prestados em perfuração, instalação e recuperação de poços. Já o abastecimento humano da área urbana depende da barragem da Ribeira, que também é ponto turístico do município.

Administrado pela companhia estadual, o reservatório recebeu obras de limpeza e desassoreamento para ampliar sua capacidade de armazenamento de água. A barragem foi construída para atender o Perímetro Irrigado Poção da Ribeira, em Itabaiana, e desde 1987 a Coderse atende 466 lotes agrícolas, com água de irrigação e assistência técnica para a produção de hortaliças, beneficiando diretamente mais de 4.660 pessoas.

Fonte: Agência Sergipe de Notícias

Produção de batata-doce nos perímetros irrigados estaduais em 2023 já superou todo o ano de 2022

Polos de Itabaiana lideram a produção, com 11 mil toneladas; irrigação da Coderse facilita plantio em qualquer época do ano
Produção de batata doce no Perímetro Irrigado Jacarecica – Fernando Augusto – Ascom Coderse

A batata-doce representa uma boa alternativa de renda para o agricultor, e o momento tem sido favorável para o cultivo do tubérculo em Sergipe. Somente entre janeiro e julho de 2023, os cinco perímetros irrigados de vocação agrícola do Governo de Sergipe já produziram 13,56 mil toneladas, superando em 23,27% toda a produção do ano anterior, que foi de 11 mil toneladas.

Com o fornecimento de água administrado pelo Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), os perímetros irrigados também contam com a assistência técnica oferecida pela empresa pública.

De acordo com informações da Coderse, devido ao baixo custo de produção e à curta duração do ciclo, que propicia um fluxo regular de capital e maior produtividade, o sistema de produção e beneficiamento da batata-doce em Sergipe envolve mais de 600 famílias nos perímetros irrigados.

Nas feiras livres e mercados públicos, a comercialização do produto ainda gera renda para mais famílias, conforme destaca o secretário de Estado da Agricultura, Zeca Ramos da Silva. “Nos sete primeiros meses de 2023, o valor de produção anual está estimado em R$ 25 milhões, 66,7% maior do que o de todo ano de 2022, que foi de R$ 15 milhões. Isso demonstra a importância social e econômica da cultura no estado”, detalha Zeca da Silva.

No Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, no centro-sul do estado, Luciano Oliveira cultiva uma nova variedade de batata-doce, e compartilha seu entusiasmo com a produção. “A ourinho roxa é a que o pessoal mais está plantando agora. Com essa nova variedade, já na penúltima safra, superei a meta de produção de 120 quilos por tarefa”, comemorou o agricultor, que também produz amendoim e milho na irrigação pública. “É uma batata excelente e boa de lidar. Com água em abundância, fica favorável para nós, agricultores”, considerou.

Perímetros produtivos
A maior produção de batata-doce em Sergipe está nos perímetros irrigados administrados pela Coderse em Itabaiana, no agreste sergipano. Em 2023, de janeiro a julho, o Poção da Ribeira produziu 7,97 mil toneladas e o Jacarecica I, 2,88 mil toneladas.

O Perímetro Irrigado Jacarecica II também não fica para trás. Situada entre os municípios de Riachuelo, Malhador e Areia Branca, até julho deste ano, a região teve uma produção de 2,2 mil toneladas de batata-doce. É nele que a família de Allysson Junior da Silva tem um lote assistido pela Coderse. O que chama a atenção em sua plantação de batata-doce é a produtividade e a organização da lavoura, dividida em parcelas de plantio com idades diferentes.

“Cresci trabalhando com meu pai e, de uns três anos para cá, ele me deu esta área onde estou produzindo. Ele sempre gostou dessa excelência em qualidade, e eu tento seguir os passos dele”, conta Allysson Junior, e revela que um dos segredos do sucesso da família no plantio da batata é a adubação com esterco de gado.

O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, observa que, atualmente, a batata-doce é o item de maior destaque quando somadas as produções dos perímetros (11 mil toneladas em 2022), e a tendência é que o saldo ainda seja superado este ano. “Os irrigantes contam com o trabalho da empresa para oferecer água e assistência. Com isso, apostam seu trabalho e recursos nos produtos que mais geram retorno. A própria rama da batata colhida vai servir no plantio da próxima lavoura. O produtor não tem custo com sementes. O ciclo produtivo, de três a quatro meses, também é rápido, se comparado ao inhame e à mandioca”, explicou Júlio César Leite.

Governo de Sergipe intensifica ações para garantir segurança das barragens sergipanas

Acompanhamento é feito por meio de monitoramento, fiscalização e operações preventivas

Governo de Sergipe intensifica ações para garantir segurança das barragens sergipanas – Barragem Jabiberi / Foto: Arquivo/ Semac

Toda vez que há uma alta precipitação pluviométrica, os reservatórios tendem a acumular um grande quantitativo de água. Quando estes alcançam sua capacidade máxima, há a possibilidade do processo de vertimento, que se dá quando o excesso de água acumulado é extravasado pela barragem. Esse processo é algo normal, realizado com a finalidade de conduzir a água de forma segura por meio de uma barreira, servindo como sistema de escape. O acompanhamento desse procedimento faz parte das ações desenvolvidas pelo Governo de Sergipe, no intuito de garantir a segurança das barragens e da população localizada às margens. Essas ações envolvem o monitoramento, como também a fiscalização, além de operações preventivas, seja no período de altas pluviométricas ou de estiagem.

Sergipe conta atualmente com os seguintes reservatórios: Três Barras, de responsabilidade do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs), localizado no município de Graccho Cardoso; Sindicalista Jaime Umbelino de Souza, conhecido como Poxim, de responsabilidade da Deso, localizado no município de São Cristóvão; Governador João Alves Filho, localizado nos municípios de Campo do Brito e Itabaiana; Governador Dionísio Machado, de responsabilidade da Coderse, localizado no município de Lagarto; Jabiberi, de responsabilidade da Coderse, localizado em Tobias Barreto;  Jacarecica I, localizado no município de Itabaiana; Jacarecica II, de responsabilidade da Coderse, situado nos municípios de Areia Branca, Malhador e Riachuelo.

Na maior parte destes reservatórios, a água armazenada se destina ao atendimento das demandas do abastecimento público e de perímetros públicos irrigados. A gestão desses reservatórios é de responsabilidade dos empreendedores, o que significa que eles angariaram recursos para a construção dessas estruturas, como também é responsabilidade a operação, dados e segurança das barragens que estão nesses reservatórios.

Monitoramento
Já a Secretaria do Meio Ambiente e ações Climáticas (Semac) atua como órgão gestor dos recursos hídricos no estado, monitorando os recursos acumulados em reservatórios (lagos, lagoas, açudes), como também aqueles que estão em rios e poços. Desde 2018, a secretaria, por meio da Diretoria de Recursos Hídricos, em parceria com a Agência Nacional de águas e Saneamento Básico (ANA), tem conduzido o monitoramento do nível e do volume d’água dos reservatórios de Sergipe. A atividade é de extrema importância para a gestão de recursos hídricos, visto que permite a tomada de decisões relacionada aos aspectos da segurança das barragens e da segurança hídrica, por meio do estabelecimento de quatro estágios: normal, atenção, alerta e emergência.

O monitoramento se dá a partir da leitura diária do nível de água nas réguas (chamadas de estações limnimétricas) instaladas nos reservatórios, realizados por observatórios locais.  Os observadores inserem os valores lidos no sistema de Gerenciamento de Dados Hidrológicos (GDH), da ANA. No momento, está em fase de transição para um novo sistema, o HidroOberva, por meio do qual será possível inserir as leituras do nível d’água, a partir dos aparelhos celulares dos próprios observadores. Posteriormente, na Semac, as leituras desses níveis  inseridas no sistema são transformadas em volume, através das chamadas curvas “cotax área x volume” dos reservatórios. As informações resultantes são publicadas semanalmente no Boletim de Monitoramento do Volume dos Reservatórios.

De acordo com a engenheira civil da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Ana Paula Ávila Barbosa, a depender do estágio em que os reservatórios se encontram, os gestores poderão realizar ações específicas, tais como a diminuição do período diário de irrigação, suspensão temporária das outorgas de diário de uso de recursos hídricos destinados a usos não prioritários e racionamento da água para consumo humano. “A importância desse monitoramento é fundamental para o gestor público conhecer a quantidade de água que está acumulada. Então, esse monitoramento tem o aspecto para a segurança hídrica, no que diz respeito ao volume de água acumulada para o gestor tomar as decisões com mais precisão e segurança. A grande maioria dessas barragens serve tanto para irrigação como também para abastecimento humano. É interessante, por exemplo, havendo a possibilidade de período prologado de seca, para a adoção de algumas ações previamente, antes que o período se instale”, explicou a engenheira. 

Outra ação regular é relacionada à análise de dados, que envolve o monitoramento constante das informações coletadas nas barragens, como níveis de água, pressão, temperatura, entre outros parâmetros relevantes, para identificar possíveis anomalias.

Segurança
Além disso, o acompanhamento e fiscalização das barragens são medidas fundamentais para garantir a segurança dessas estruturas. Isso envolve a adoção de diversas ações por parte do Governo de Sergipe, como as inspeções regulares, realizadas periodicamente nas barragens para identificar possíveis problemas estruturais, erosões, infiltrações, desgastes, entre outros.

Para melhor coordenar essas ações, o Governo de Sergipe instituiu por meio do decreto nº 298 de 28 de abril de 2023, o Grupo de Trabalho para Estudos de Segurança de Barragens destinadas à acumulação de água. O GT é constituído por especialistas das secretarias de Estado do Meio Ambiente (Semac), Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), da Superintendência Estadual de Proteção e Defesa Civil (Supdec), e das companhias de Saneamento de Sergipe (Deso) e de Desenvolvimento Regional (Coderse). O objetivo é promover a segurança das barragens existentes; e incrementar a articulação entre o órgão fiscalizador do Estado, o órgão estadual de Proteção e Defesa Civil e os empreendedores, para o desenvolvimento das ações da Política Nacional de Segurança de Barragens.

O grupo está sob a coordenação da Semac e da Sedubi. Com isso, rotineiramente é realizada uma série de reuniões para discutir uma agenda de visitas e medidas a serem adotadas. O intuito é estabelecer um Plano de Segurança de Barragens, com diretrizes e medidas para prevenir riscos e garantir a eficiência operacional, além de padronizar protocolo para situações de emergência.

De acordo com o geólogo da Semac, João Carlos Santos da Rocha, os órgãos estão trabalhando para padronizar as ações para que todos atuem de forma conjunta para promover a segurança dessas barragens. “A ideia é que cada empreendedor, a cada seis meses, ao menos, visite a barragem para fazer um Relatório de Inspeção de Segurança Regular, para garantir que ela está funcionando de acordo, e não tenha nenhum problema que possa prejudicar a segurança dessas estruturas”, declarou João Carlos.

Dessa forma, o Governo do Estado tem trabalhado com objetivo de estabelecer a implementação de ações de manutenção regular e preventiva, visando mitigar riscos e garantir a integridade das barragens. “Em períodos em que estamos passando com altas precipitações, quase todas as barragens estão vertendo. Então, a preocupação é que ela tem que ter uma quantidade de água que esteja passando pelo vertedor foi dimensionado pelo projeto. A gente costuma dizer que a barragem é uma obra viva, com o tempo, ela vai sofrendo muitas alterações e a gente tem que acompanhar essa estrutura, que é de responsabilidade dos empreendedores. Então eles têm que garantir a segurança dessas obras. A Semac fiscaliza para verificar se esses empreendedores estão cuidando dando bem dessas barragens”, frisou o geólogo.

João Carlos tranquiliza ainda a população em relação a qualquer risco de rompimento das barragens, destacando que elas estão sendo monitoradas regularmente e em plenas condições de segurança. “Não há risco. Por isso que a gente trabalha fazendo esse acompanhamento rotineiro, no intuito de garantir essa segurança. Esse monitoramento é muito importante porque as barragens estão muito próximas de núcleos habitacionais. Então esse cuidado é fundamental porque, além de ser uma obra em que que foram investidos milhões na estrutura, ela atende à população e perímetro irrigado. Então, essas ações envolvem dois aspectos importantes: a segurança hídrica e da estrutura da barragem”, pontuou o geólogo da Semac.

Fonte: Notícias do Governo

Irrigantes dos perímetros estaduais apresentam propostas ao programa de ‘Compra com doação simultânea’

Se aceitas as propostas, alimentos atenderão mais de 20 mil pessoas; produção com irrigação da Coderse combate insegurança alimentar e nutricional

Escolha dos alimentos a serem propostos nos projetos ao PAA supre as necessidades alimentares diárias de cada de cada pessoa beneficiada com a doação [foto Fernando Augusto – Ascom Coderse]

Agricultores de quatro perímetros irrigados estaduais apresentaram cinco propostas de fornecimento de alimentos à edição 2023 do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), promovido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se as propostas forem aceitas, esses irrigantes vão entregar à “Compra com doação simultânea” 378,8 toneladas de alimentos, que serão remunerados em mais de R$ 2 milhões e atenderão 20,2 mil pessoas em situação de insegurança alimentar, pelo período médio de 12 meses.

Ao todo, 137 agricultores são atendidos com água de irrigação, assistência técnica agrícola e assessoria para a formalização e preenchimento dos formulários on-line para transmissão desses projetos ao Governo Federal. Os alimentos frutos da irrigação beneficiam famílias na melhora da qualidade nutricional e incentivo aos hábitos saudáveis de alimentação.

O diretor de Irrigação da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), Júlio Leite, informou que fizeram propostas para o PAA irrigantes dos perímetros irrigados de Canindé de São Francisco (22), Itabaiana (30), Lagarto (48) e Malhador (37).  

“As mais de duas mil unidades produtivas dos perímetros recebem água de irrigação e assistência técnica para produzir durante todo ano. Por isso, podem fazer a entrega de alimentos com qualidade e em quantidade que atendam às demandas do PAA e de outros programas de compra institucional. Desde 2008 os perímetros do Governo do Estado participam do programa e nele já foram entregues mais de quatro mil toneladas de alimentos”, expôs Júlio Leite.

No histórico, dos 14 anos de participação no PAA, promovido pela Conab, as entregas de alimentos gerados nos perímetros da Coderse promoveram mais de 150 mil benefícios. Por um lado, pessoas em vulnerabilidade social receberam os alimentos pelo período médio de um ano e em quantidades que atendem uma dieta alimentar diária. Do outro, os agricultores irrigantes foram remunerados em cerca de R$ 13 milhões pelo cultivo desses produtos, na soma de todas as propostas aceitas e com entregas concretizadas.

O técnico da Diretoria de Irrigação da Coderse, Sandro Prata, informou que o prazo para a entrega das propostas à Conab terminou no dia 30 de junho. Para ele, a edição 2023 do PAA tem uma tabela de preços pagos pelos produtos bastante atrativa para o produtor. Sandro afirmou ainda que tem expectativa de que a Conab vá aceitar um número de propostas de associações maior do que já ocorreu em qualquer um dos anos anteriores.

“Estão sendo pesquisados os preços praticados na capital de cada estado. É uma remuneração com preços de mercado que melhora o escoamento dos produtores, garantindo preços justos, inibindo desta forma a ação dos atravessadores. Por ser uma comercialização periódica, geralmente quinzenal, e por um período fixo de meses, o agricultor pode planejar os plantios e colheitas, tendo ainda mais retorno ao investimento e trabalho na lavoura”, considerou Sandro Prata.

Canindé
Produtor irrigante do Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé, Ozeias Beserra participa da Associação dos Agricultores de Canindé de São Francisco (Assai). O grupo de 22 agricultores é autor de uma das propostas originadas nos perímetros e propôs a entrega de 78 toneladas de alimentos, a partir de remuneração total de R$ 555 mil. A ideia é fornecer alimentos pelo período de um ano e atender cinco mil pessoas assistidas pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social do município de Canindé. Segundo ele, a proposta contemplou alimentos que possam ser entregues do início ao fim do projeto.

“Colocamos justamente as culturas que a gente consegue produzir em qualquer época do ano, que é o quiabo, o milho, a alface, a berinjela. Daí também entram as frutas: acerola, goiaba, maracujá”, listou Ozeias Beserra. A preocupação do PAA é a oferta de produtos frescos, in natura, e com valor nutritivo agregado, possibilitando a adoção de hábitos alimentares saudáveis às famílias em situação de vulnerabilidade social atendidas.

Além da irrigação e a assistência técnica para produzir, os lotes recebem apoio para participar do PAA. “A Coderse nos ajuda com o projeto. O técnico Sandro Prata é quem faz o projeto. Se não fosse ele, a gente não conseguiria entregar a proposta, porque para fazer um projeto desse é complicado. E a empresa também disponibiliza um técnico para acompanhar e nos ajudar nas entregas”, completou Ozeias Beserra.

Última atualização: 31 de julho de 2023 11:57.

Acessar o conteúdo