Irrigação do Governo do Estado no alto sertão garante colheita da ‘Abóbora sergipana’

Além de ter mercado, o fruto serve de cultivo de rotação, para proteger o solo e controle de pragas e doenças

Foto: Gerência do Perímetro Irrigado Califórnia

Com investimentos na segurança hídrica do perímetro público, a abóbora apresenta viabilidade econômica, ajuda a balança comercial interestadual e é útil na rotação de culturas. Não é à toa que tem uma variedade chamada de ‘abóbora sergipana’. Ela é a mais cultivada no Perímetro Irrigado Califórnia, onde o Governo do Estado fornece água de irrigação e assistência técnica agrícola para 333 irrigantes de Canindé de São Francisco, alto sertão sergipano. Esses dois insumos foram essenciais para que os agricultores daquele perímetro conseguissem produzir, de janeiro a junho deste ano, 512,5 toneladas do fruto, em 28,85 hectares irrigados.

Até o fim do inverno, quando a chuva dá uma ajuda à lavoura, as colheitas continuam e a tendência é a de aumentar a produção da variedade também conhecida como jerimum de leite ou ‘abóbora maranhão’. Safra que atende Sergipe, mas tem procura em outros estados. O saldo da venda dessa produção do primeiro semestre é de aproximadamente R$ 675 mil em renda aos irrigantes. Além de ter mercado, a abóbora serve de cultivo de rotação, para proteger o solo e controle de pragas e doenças.

“Essa abóbora está com 120 dias e a gente plantou para o mercado de Salvador. É uma excelente rotação de cultura para o perímetro, com o pessoal da Coderse [Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe] dando apoio. A gente está vendendo bem. Esse é o segundo ano que a gente planta”, destacou Uindson Araga?o, quando mostrou a produção colhida, já no final de junho, no lote que ele gerencia a produção e que recebe assistência da Coderse.

Técnico em Agropecua?ria da Coderse, Luiz Roberto Vieira conta que a cultura da abóbora é uma alternativa econômica viável para todo produtor do perímetro Califórnia “O ciclo é curto, onde existem três adubações: a básica, a de fundação e duas de cobertura. Com as pragas e doenças, não tem tantos problemas aqui no Califórnia, graças à assistência técnica do Governo do Estado e do apoio da gerência local, que tem contribuído efetivamente para melhoria dessa assistência no perímetro”, pontuou.

Investimento
“Com os investimentos que o Governo do Estado vem aplicando aqui no perímetro irrigado, os produtores estão adquirindo mais confiança para trazer variedades de plantio certo, uma delas é a abóbora. Por conta da água que está sendo fornecida pelo Coderse e pelo solo muito bom para esse tipo de plantio, está sendo uma colheita de abóbora de resultado muito bom, escoada tanto para Sergipe quanto para Pernambuco e Alagoas”, explicou o gerente do Califórnia, Jonathan da Mota.

Vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), a Coderse, por meio da gerência local, tem feito obras e serviços de limpeza e reforma de canais, conserto de adutoras; recuperação de equipamentos, limpeza e drenagem das estações de bombeamento (EBs) e dos lotes, onde ocorre também a recuperação de hidrantes e estradas.

O Governo do Estado também doou 110 kits de irrigação localizada cada um com 500 metros de mangueira para microaspersão ou gotejo. Isso torna a irrigação nos lotes mais eficiente, diminui o consumo individual e contribui com a distribuição mais igualitária e menos suscetível a falhas. “A água agora não está faltando mais como acontecia. A respeito do fornecimento, a gente não tem problema mais, como tinha antes”, completou Uindson Araga?o.

Batata-doce é alternativa de renda para agricultores atendidos por irrigação do Governo do Estado

Perímetro em Canindé tem potencial para expandir produção. Irrigação e assistência técnica fazem irrigantes superarem dificuldades do clima e solo

Produção de batata-doce gera renda ao irrigante e oportunidades de trabalho em Canindé [foto arquivo pessoal | Coderse]

“Minha batata-doce tem qualidade e o comércio dela aqui é procurado demais. Aqui não existe batata desse tipo. Eu tenho água boa, a manutenção está 100% e o solo é de primeira. Dessa batata aqui ninguém produz”, afirma o agricultor irrigante Gilson de Jesus . Em Canindé de São Francisco, no alto sertão sergipano, ele é atendido pelo Governo do Estado no perímetro irrigado Califórnia, onde tem água de irrigação e assistência técnica agrícola o ano todo.

Vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), a Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse) tem cinco perímetros irrigados com vocação agrícola. O Califórnia é o que mais depende da irrigação e apresenta mais dificuldade no plantio da batata-doce, em razão do clima semiárido e solos argilosos e rochosos. Mas com o mercado crescente do produto e o incentivo público dos perímetros, os agricultores que investem no cultivo não se arrependem.

“O produtor de batata tem moral. A batata tem valor, não é um tipo de plantação qualquer. Se eu disser que custa tanto, é tanto. E o freguês corre atrás. Não sou eu que corro atrás, não. A importância do perímetro Califórnia é ter água de sobra para a gente trabalhar. O que é importantíssimo. É a melhor coisa do mundo que eu acho aqui, pois água tem”, acrescenta Gilson de Jesus, que produz a batata-doce ourinho roxa, variedade com maior valor de venda. 

De janeiro a abril, o perímetro irrigado de Canindé produziu 172,2 toneladas da raiz. Enquanto nos outros perímetros do agreste e centro-sul, onde se produz há mais tempo, foram 5.783,2 t. O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, observa que a batata-doce é, hoje, o produto que mais é produzido na soma da produção dos perímetros (10,8 t em 2022) e a tendência é que este ano o saldo ainda seja superado. 

“Os irrigantes contam com o trabalho da empresa para oferecer água e assistência. Com isso, apostam seu trabalho e recursos nos produtos que mais geram retorno. A produção de batata-doce no Califórnia, se comparada a outros perímetros,  ainda é pequena e tem espaço para mais produtores aderirem ao cultivo. O alimento recomendado por nutricionistas para emagrecimento e preparo físico, tem um mercado bastante promissor”, considerou Júlio Leite.  

Gerente do Califórnia, Jonathan da Mota aponta que o perímetro irrigado é de grande importância para a região do alto sertão, pelo incentivo que o Governo do Estado proporciona para os produtores. “Garantindo o fornecimento de água, eles têm a confiança de fazer novos plantios, como no exemplo da batata-doce. A batata ourinho roxa é uma coisa nova aqui e que está dando certo. Uma batata de boa qualidade, escoada aqui para Sergipe e para os estados vizinhos, como Pernambuco, Bahia e Alagoas”, pontuou.

Passo a passo
Gilson de Jesus diz a receita para vencer as dificuldades que o solo e o clima apresentam para acomodar o plantio de batata-doce. “Eu passo o arado na terra, gradeio, o trator faz a leira, a gente remonta na enxada, e depois vem o plantio. A rama tem que ser de qualidade. Daí vem a adubação, com 20 dias, depois eu passo um inseticida para a praga não comer a batata e o processo é esse”, explica.

Todo conhecimento do agricultor com o produto vem de sua origem na capital sergipana da batata-doce. “Eu sou de Moita Bonita e trabalhei muito com batata. Vim para cá tentar a vida com ela e está dando certo. O solo é meio duro, mas com trabalho o cara consegue. A plantação está boa. Graças a Deus está de primeira qualidade. O cara tem que mudar a cultura para batata-doce, inhame, estar pronto para tudo”, reforça Gilson de Jesus.

Convênio entre governos federal e estadual leva incentivo e inovação ao perímetro irrigado de Canindé

Até agora, 93 irrigantes da Coderse receberam doações de produtos de inovação agrícola e pecuária pelo ‘Lagos do São Francisco’. Programa tem vigência até 2024.
O gerente do Califórnia, Jonathan da Mota e o técnico agrícola da Coderse no ‘Lagos do São Francisco’, Joaquim Ribeiro, entregam sementes de milho e sorgo à irrigantes do perímetro irrigado [Foto: Coderse]

Com o objetivo de ofertar alternativas tecnológicas e incentivar o aparecimento de novos empreendedores em áreas de influência das represas do rio São Francisco, o projeto ‘Lagos do São Francisco’ reúne os esforços da Embrapa, Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), em convênio com a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). Sergipe tem como beneficiários produtores rurais dos municípios de Canindé de São Francisco, Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo.

Perímetro Irrigado que se estende por 333 lotes agrícolas em Canindé, o potencial produtivo do Califórnia está sendo levado em conta para que os agricultores irrigantes recebam incentivos e tenham acesso às inovações agrícolas e ambientais do projeto ‘Lagos do São Francisco’. Em 2023, os produtores do perímetro estadual já receberam sementes de milho; sorgo; tomate e seus insumos; mudas de goiaba resistentes à doença do nematoide; ração e pintos da raça rústica de galinha Canela Preta.

Pesquisador da Embrapa Semiárido (Petrolina/PE) e coordenador do ‘Lagos’, o engenheiro agrônomo Rebert Coelho informou que o projeto continuará a ser executado em Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco até janeiro de 2024. Ele explicou também que para a escolha dos produtores rurais participantes, são consideradas a aptidão, experiência e a estrutura disponível para levar adiante os sistemas de produção incentivados com as inovações.

“Em Canindé temos um agricultor com experiência na produção de goiaba (no perímetro Califórnia) para introduzir a variedade BRS Guaraçá, que mistura características da goiaba com araçá, é resistente à praga do nematoide e foi desenvolvida pela Embrapa Semiárido. Para distribuição dos pintos da raça Canela Preta, em Canindé, raça rústica difundida pela Embrapa Meio-Norte (Teresina/PI), foi necessário selecionar produtores rurais que tenham cercado de tela. Criadas soltas, não trariam o resultado esperado”, justificou Rebert Coelho.

Produtor irrigante do Califórnia, Jair da Silva recebeu do ‘Lagos do São Francisco’, 100 mudas da BRS Guaraçá e da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada da Seagri, que administra o perímetro irrigado de Canindé e ganhou 500 metros de mangueira de irrigação localizada, para implantar o novo pomar. “Eu já tenho uma área de goiaba produzindo e estou aumentando o plantio. Já que eu ganhei essas mudas, creio que em torno de uns oito meses elas já vão estar produzindo, essa é a expectativa. Eu vendo aqui para os feirantes e para Itabaiana. É uma plantação boa”, afirmou.

No perímetro Califórnia, além de Jair da Silva, o também irrigante Valmir Matos recebeu outras 200 mudas de goiabeiras. Lá ainda foram distribuídos pelo projeto 420 kg de sementes de milho BRS Gorutuba (Embrapa Milho e Sorgo), beneficiando 42 famílias de irrigantes; 480 kg de sementes de sorgo BRS Ponta Negra (Embrapa Milho e Sorgo), para 48 produtores; 160 pintos Canela Preta e oito sacos de ração inicial, beneficiando oito famílias, com produção de ovos e carne. Três mil sementes de tomate e 150 kg de adubo foram doados para o também irrigante Ozeias Bezerra. Em agosto, quando chegarem as lonas mulching, cedidas pelo ‘Lagos do São Francisco’, ele vai iniciar a lavoura de tomate.

“Eu já plantei tomate umas três vezes. A gente não semeou ainda por conta do período chuvoso. Vou fazer as mudas em julho e em agosto estaremos plantando no campo. Tomate nessa quantidade aqui em Canindé tem saída, porque é para o PAA, tem o PNAE, tem os feirantes. As três mil sementes vão dar, aproximadamente, 600 caixas. É um bom incentivo para o produtor mudar um pouco de cultura, deixar de plantar só quiabo”, contou o irrigante Ozeias. Ele está sendo orientado pelo técnico agrícola da Coderse, Joaquim Ribeiro, indicado pela Seagri para atuar no ‘Lagos do São Francisco’, em Canindé.

Diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite comemora o incentivo garantido pelo projeto, que já atendeu 93 irrigantes. “É muito gratificante saber que os nossos produtores estão tendo acesso a essas sementes e insumos, que são fruto das pesquisas de vários polos da Embrapa, às vezes até antes deles chegarem ao comércio. Não é por menos, os irrigantes têm toda a condição técnica para prosperar com essas inovações. Recebem a irrigação fornecida pelo Governo do Estado, a assistência agrícola e a assessoria em agronegócio dos técnicos da Coderse”, pontuou.

Irrigação localizada
Gerente do perímetro Califórnia, Jonathan da Mota, reforça a importância dos 35 kits de irrigação distribuídos para os irrigantes. Eles são para a adoção da irrigação localizada (gotejamento ou microaspersão), que é mais econômica do que a aspersão convencional. “Os kits de irrigação foram doados não só para esse produtor de goiaba, mas para diversos produtores aqui do perímetro. Essa ação serve para renovar o plantio dos agricultores e também dá uma assistência melhor. A Coderse vem desenvolvendo esse serviço na parte de doação, justamente para que eles tenham um incentivo para a produção. Tanto da parte de frutíferas, quanto da parte de hortaliças”, concluiu.

Irrigantes do perímetro estadual em Canindé poderão produzir sementes para marca de insumos agrícolas nacional

Indústria tem mais de 200 itens no catálogo para produzir vários tipos de hortaliças. Sementes de quiabo seriam primeiro produto fornecido por produtores do perímetro Califórnia

Visitas da cooperativa, técnicos da Coderse e representante da Agristar, feitas aos produtores irrigantes [foto arquivo pessoal – Coderse]

Empresa de porte nacional e com ampla linha de sementes está em tratativas para implantar unidade de produção em parceria com os agricultores do Perímetro Irrigado Califórnia. O polo agrícola que é mantido pelo Governo do Estado fica em Canindé de São Francisco, alto sertão sergipano. A possibilidade dos produtores rurais cultivarem e comercializarem esses insumos com a indústria, agrega valor sobre a produção convencional, que hoje foca na produção de alimentos.

Solo rico, sol abundante e a água do rio São Francisco bombeada pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), são os elementos que tornam a Agricultura no Califórnia uma aposta certa para o rendimento, de boas colheitas e durante todo ano. De olho em todo este potencial produtivo, a Agristar do Brasil foi até Canindé para entendimento comercial com os produtores.

“Viemos conhecer todo o sistema de irrigação e de produção que nos atraiu, para a  possibilidade de produzir sementes. Estamos com o apoio da Coofrucal (Cooperativa de Fomento Rural e Comercialização do Perímetro Irrigado Califórnia) e estamos conversando. Para garantir a compra da produção com um preço fixado, tem que atender uma série de detalhes. Mas é bom que aqui também tenha uma assistência técnica”, apontou o representante da indústria, Everton Morales, que já esteve duas vezes no Califórnia.

O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, expõe que além do fornecimento de água para irrigar os 333 lotes do Califórnia, a Coderse fornece assistência técnica agrícola e uma assessoria em Agronegócio. “Essa gama de serviços ao irrigante dá garantia de retorno ao investimento público que o governo do Estado faz no perímetro irrigado desde 1985, quando iniciou a sua construção”, pontuou.

“Empresas fora do nosso estado se interessam pela nossa produção, pelo nosso desenvolvimento aqui no perímetro Califórnia. A excelente produtividade no perímetro vem chamando atenção de pessoas que queiram investir no nosso perímetro. A parceria com a indústria será de grande ajuda para os produtores, uma renda extra, uma nova característica que pode ser implantada aqui”, avaliou Jonathan da Mota, gerente do Califórnia.

Levi Ribeiro é produtor irrigante no Califórnia e presidente Coofrucal. Para ele, trazer a empresa ao perímetro é importante para a geração de renda para os produtores, desenvolvimento da cooperativa e para o estado. “Eles estiveram aqui em março e viram um grande potencial. Até mesmo porque nós temos aqui água do rio São Francisco, solos férteis e um potencial que a gente pode explorar para a instalação de um projeto de produção de semente”, listou o agricultor. O produtor conta que desde o começo, a companhia estadual foi parceira na negociação com os representantes da indústria.

“Nós fomos até a Coderse, solicitamos ao gerente Jonathan e a equipe técnica, para estudarmos o projeto. Vendo a viabilidade. Na primeira visita, estivemos em alguns produtores fazendo foto, vendo in loco a produção do quiabo, e eles ficaram muito animados, otimistas com a capacidade de produção nossa região. Então a partir daí começou uma conversa com o pessoal da Coderse, que tem dado todo o apoio para a possível implantação desse projeto de produção de sementes, não só de quiabo como diversas outras hortaliças e frutas”, completou Levi Ribeiro.

Produção de quiabo em Canindé cresce 20% no 1º trimestre do ano alavancada pela irrigação estadual

Água fornecida pelo Perímetro Califórnia permite produção do alimento o ano todo
[foto: Fernando Augusto – Ascom/Coderse]

No Perímetro Irrigado Califórnia, mantido pelo Governo do Estado, em Canindé de São Francisco, no alto sertão sergipano, a produção de quiabo cresceu 450 toneladas no primeiro trimestre de 2023, em relação ao mesmo período do ano anterior. Alcançando as 2.250 toneladas nos três primeiros meses deste ano, a produção teve o valor médio de R$ 2,12 milhões.

A produção anual é maior no primeiro trimestre, por conta da grande demanda da Semana Santa. Mas, a água fornecida pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), no Perímetro Califórnia, permite produção o ano todo.

O agricultor irrigante Geraldo de Lima se dedica mais à produção do quiabo no inverno, entre o segundo e o terceiro trimestre, quando há pouca oferta do produto no mercado.

“Geralmente no verão eu planto pouco. Daí, quando está se aproximando do inverno, eu planto uma quantidade maior, que é quando geram os preços melhores”, expôs Geraldo de Lima. Segundo ele, o frio do inverno faz a produtividade do quiabo cair até pela metade, diminuindo a produção e elevando o preço de compra. “Porque o quiabo gosta do calor, no verão ele produz muito e o valor cai”,completou.

O produtor que tem 2,3 hectares com quiabo para colher a partir de maio, observou que alguns produtores abandonaram os pomares de ciclo longo, como a goiaba e a acerola, para investir no quiabo, que produz já a partir dos 60 dias após o plantio. Outro fator que incentivou o aumento da produção no primeiro trimestre é a qualidade do serviço oferecido ao irrigante. “Mas a irrigação desses últimos dias, com essa nova direção, está de parabéns. A irrigação está boa”, informou Geraldo de Lima.

Revitalização do perímetro
Na Coderse, companhia vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), o diretor de Irrigação, Júlio Leite, destaca o aumento da atenção dada à revitalização dos perímetros irrigados estaduais. Isso, segundo ele, já é reflexo da mudança que a empresa passou. “Deixamos de ser Cohidro, para ser algo maior. No caso da Diretoria de Irrigação, passamos a fazer obras e serviços para corrigir antigos problemas, aliado a um cronograma de manutenção mais efetivo”, revelou.

No perímetro Califórnia foi onde as mudanças mais foram notadas. “Fizemos a limpeza e a recuperação de canais de irrigação, reservatórios, estradas e pontes. Corrigimos a drenagem na estação de bombeamento principal, e abrimos drenos em lotes, para eliminar excesso de água e o risco da salinização. Distribuímos mangueiras para o produtor adotar a irrigação localizada e diminuir o consumo de água. A partir de projetos feitos pelos agrônomos da Coderse”, listou o gerente do Califórnia, Jonathan da Mota.

O investimento público feito no perímetro traz segurança para produtores que, como José Matos, investiram também na produção do quiabo o ano inteiro. “Eu me programo para colher o ano todo. Mas o meu foco maior de produção é a Semana Santa, o mês de Abril. Mas eu sempre tenho, não gosto de deixar faltar porque os clientes compram da gente três vezes por semana. Lá em Salvador, eu mesmo comercializo a minha produção”, disse o agricultor irrigante que calcula que cerca de 90% da produção de Canindé vá para a capital baiana.

Dia da Água em Canindé teve distribuição de equipamento de irrigação que economiza água

Microaspersão e gotejamento são tecnologias mais eficientes e diminuem mão de obra

Equipe Coderse entrega equipamento para irrigante Lindinalva Ferreira [foto: arquivo pessoal]
Companhia de desenvolvimento regional que administra o Perímetro Irrigado Califórnia em Canindé de São Francisco, a Coderse deu continuidade à distribuição de equipamentos de irrigação para modernizar os lotes. Na quarta-feira (22), quando foi celebrado o Dia Internacional da Água, foram mais sete, totalizando 14 produtores irrigantes beneficiados. Cada um recebendo a doação de 500 metros de mangueiras apropriadas para a adoção de uma das duas tecnologias mais modernas de irrigação. A microaspersão ou a irrigação por gotejamento, são modelos mais ecológicos por fazerem economia de água e dependem de menos mão de obra.

São produtores que querem abandonar o uso do sistema de irrigação por aspersão convencional, que desperdiça água e é menos eficiente. Um deles é Clovis Severino da Silva, que produz no Setor 07 do Califórnia, grato pela doação de equipamentos e outras ações que estão sendo feitas no perímetro irrigado.

“É uma contribuição que Coderse está nos dando, nos trabalhos que estão sendo realizado na limpeza de canais e de reservatórios, trabalho que nunca foi feito na nossa comunidade. Então a gente agradece hoje ao novo diretor e ao que está dando essa ajuda à comunidade”, declarou o agricultor irrigante e micropecuarista Clovis. No mesmo dia, a equipe local de técnicos visitou a sua área para estudos de construção de drenos, para evitar a salinização do solo. Ação realizada na segunda-feira (27), pela equipe do Califórnia.

Diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Coderse, Júlio Leite informa que as mangueiras estão sendo enviadas para todos os perímetros. Exceto nos perímetros irrigados Jacarecica I e Poção da Ribeira, onde toda a irrigação já usa esses métodos de irrigação.

“Pela experiência dos perímetros de Itabaiana, temos a comprovação da eficiência desses sistemas de irrigação. Lá, as áreas irrigadas aumentaram, enquanto o consumo de energia elétrica diminuiu. O agricultor economiza tempo e mão de obra com a irrigação fixa. Sem precisar mudar os aspersores de lugar para irrigar todo lote”, explicou Júlio Leite.

Diminuindo o consumo e a demanda de vazão desses lotes; a distribuição da água ocorre de modo mais uniforme para todos os irrigantes Califórnia. Por sua vez, o perímetro consome menos água e ainda economiza os recursos do Estado para custear o bombeamento.

“É um desafio nosso conscientizar e fiscalizar os titulares dos lotes para diminuírem o consumo com equipamentos mais eficientes, usar a irrigação nos horários determinados para seus setores e coibir qualquer adulteração nos mecanismos de controle da vazão de água que chega nos lotes”, relata o gerente do perímetro Califórnia, Jonathan da Mota.

A irrigante Lindinalva Ferreira, planta no último lote do Setor 07 em que chega a água do perímetro e por isso, já passou por dificuldades para ter água suficiente para irrigar as plantações com os 10 aspersores convencionais de uma vez nos seus 4,6ha irrigados. Ao mudar para a microaspersão ou o gotejamento, a necessidade por vazão de água no seu lote vai diminuir.

“Agradeço a Coderse que enviou essas mangueiras, para poder ajudar na agricultura aqui do meu lote, e obrigado”, disse Lindinalva Ferreira, que produz quiabo, goiaba, acerola e o feijão-de-corda há quase 10 anos no Califórnia.

Irrigantes atendidos pelo Governo do Estado em Canindé participam do SEALBA Show

Foto: arquivo pessoal

O Perímetro Irrigado Califórnia, administrado pela Coderse em Canindé de São Francisco, se fez presente no primeiro dia do SEALBA Show. A exposição agropecuária que aconteceu de 01 a 04, em Itabaiana, Agreste de Sergipe, recebeu a visita de representantes dos agricultores irrigantes, técnicos agrícolas e o gerente do perímetro do Alto Sertão Sergipano.

Ao levar o grupo do Califórnia ao SEALBA Show, o intuito da Coderse foi promover uma experiência que agregue valor à agricultura praticada no perímetro do Governo De Sergipe, com produtividade e eficiência técnica. Visando conhecer as novas tecnologias de plantio de alta performance expostas na feira e a troca de experiências com outros agricultores da SEALBA: região de alto potencial agrícola no Nordeste brasileiro que reúne Sergipe, Alagoas e Bahia.

“Sempre aproveitamos esses momentos para que possamos ter contato com empreendedores, produtores e empresários do Agro. Que, além de exporem seus produtos, máquinas e equipamentos modernos, nos orientam no sentido de podermos aplicar as novas técnicas em nosso sistema de produção”, salientou, Ozeas Beserra, irrigante do Califórnia e vice-presidente da Associação dos Agricultores de Canindé de São Francisco (ASSAI).

Levi Ribeiro, também irrigante e presidente da Cooperativa de Fomento Rural e Comercialização do Perímetro Irrigado Califórnia Ltda (Coofrucal), avaliou positivamente a oportunidade de conhecer o SEALBA Show. “Saímos dessa visita revitalizados. Bastante gratificados por ver que nossa Agricultura está sendo muito bem representada por diversas empresas e profissionais, que ajudam a desenvolver uma agricultura tecnificada e com eficiência produtiva”.

Já o gerente do perímetro Califórnia, Jonathan da Mota, disse que sempre estará à disposição para oferecer aos produtores e funcionários da Coderse, oportunidades como essa. “É para que todos tenham as mesmas condições de vivenciar esse momentos de troca de informações, de conhecimento e de intercâmbio cultural. Visando o fortalecimento da agricultura em nosso Perímetro”, concluiu.

O perímetro Califórnia participou também fornecendo mangas e goiabas, dos lotes dos irrigantes, para serem expostas no estande da Secretaria de Estado da Agricultura (SeagriSE), órgão em que a Coderse é vinculada ao Governo do Estado. São frutas produzidas com a irrigação pública e a assistência técnica fornecidas pela companhia estadual em Canindé.

Última atualização: 23 de março de 2023 19:09.

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