Funcionários da Serhma e Cohidro participam de curso de projetos em irrigação

Alunos aprendem projetos de irrigação em CAD baseados em clima; solo; ecossistema; cultivo; alternativas de economia energética e de mão de obra, como a irrigação noturna e fertirrigação.

[foto: Ascom/Cohidro]
Funcionários e estagiários da Superintendência Especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente de Sergipe (Serhma) e da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), vinculadas respectivamente às Secretarias de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (Sedurbs) e da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), participam do curso de elaboração de projetos de irrigação, aplicado pelo engenheiro agrônomo e mestre em irrigação da Cohidro, Luiz Gonzaga Luna Reis, que tem quase 40 anos de experiência no serviço público estadual. A intenção foi perpetuar os conhecimentos técnicos dos funcionários da ativa, preservando-os no acervo das instituições públicas.

Além das aulas teóricas semanais, a capacitação já levou alunos a realizarem aula prática no município de Neópolis. “Foi realizada, com o auxílio dos alunos, a medição de vazão do trecho de um riacho pertencente à Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco”, frisou Ailton Rocha, superintendente da Serhma.

A ideia de melhorar os conhecimentos dos funcionários surgiu a partir de demandas referentes aos processos de irrigação no Estado. O engenheiro agrônomo Luiz Gonzaga relatou no evento que a sua motivação em oferecer o curso é a de poder disponibilizar o seu conhecimento para outras gerações de servidores públicos do Estado. “Não teve data para começar ou terminar o curso. [Na Sehrma] o pessoal faz o projeto de irrigação e eu só concluo quando eles estiverem aptos a fazerem um projeto sozinho”, enfatizou ele, que hoje ensina para uma turma em cada instituição.

O curso aborda o dimensionamento hidráulico baseado nas condições climáticas do local, edafológicas e da cultura a ser irrigada; fertirrigação; sistemas de automação; projeto desenvolvido em CAD (desenho assistido por computador); aplicação prática em campo e a irrigação noturna. “Este curso tem a finalidade de especializar profissionais da área agronômica em projetistas de irrigação localizada (microaspersão e gotejamento)”, complementa o especialista.

Para o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Fonseca, é uma oportunidade para os novatos expandirem seus conhecimentos e das instituições manterem suas expertises na área de irrigação. “Quando esses funcionários ‘prata da casa’ se aposentam, muitas vezes levam consigo muito da experiência que os próprios entes públicos adquiriram, através da contratação e da vivência adquirida por estes profissionais. O que, muitas vezes, a reposição de pessoal não consegue recuperar a curto ou médio prazo. Que a iniciativa de Luiz Gonzaga, a partir do convite da Serhma, sirva de exemplo para outros colegas nossos. E que também os outros órgãos possam ter iniciativas parecidas, para passar o conhecimento adiante”, salientou o diretor.

Engenheiro agrônomo na Coordenadoria de Outorga e Fiscalização da Serhma, Francisco Freitas Santos destacou as qualidades pessoais e técnicas do colega veterano, o que para ele tem facilitado bastante o andamento do curso em que é aluno. “Luiz Gonzaga é uma generosidade, uma pessoa formidável. Tem uma gentileza, uma disponibilidade. É um coração tão bom, que eu acho que não tinha pessoa mais adequada para ministrar esse curso. Sem contar com o conhecimento prático e teórico que ele tem sobre o tema. Aqui, para a outorga e fiscalização, o curso é extremamente fundamental. É a base para o entendimento do que se passa dentro da elaboração dos projetos de irrigação que são apresentados aqui. Nós recebemos processos para análise, dos interessados em utilizar a água, de manancial superficial ou subterrâneo, para fins de irrigação”.

39 anos Cohidro: serviços priorizam permanência e produção no campo beneficiando os sergipanos

Dia 13, comemoram 403 servidores, 14 mil beneficiários dos perímetros, 3.500 empregados no Platô de Neópolis e população rural atendida por poços e barragens

[foto: Fernando Augusto]
Uma empresa jovem, mas que se orgulha dos seus quase 40 anos de serviços prestados à população sergipana. O sentimento resume o que pensa quem faz a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), que completa 39 anos de criação neste dia 13 de abril. Seja perfurando e instalando cerca de 4 mil poços para a captação de água subterrânea; utilizando, fornecendo ou recuperando barragens de grande a pequeno porte para abastecimento humano, dessedentação animal e irrigação. Nos perímetros irrigados estaduais, 1.804 lotes agrícolas recebem água para a produção que superou 90 mil toneladas em 2021. Já no Platô de Neópolis, administrado por concessões públicas da Cohidro, a produção média anual é de 370.000 toneladas. E o investimento continua, o programa estadual Pró-Campo prevê R$ 15,3 milhões em ações que passarão pela companhia estadual a partir deste ano.

Ozeias Beserra é um dos agricultores irrigantes de Canindé de São Francisco assistidos pela companhia vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). Para ele, é importante a parceria que a Cohidro tem com os produtores. “Aqui, no Alto Sertão de Sergipe, ela vem nos dando água o ano todo. Também prestando assistência técnica aos pequenos produtores, para que produzam seu alimento”, acrescenta. No Perímetro Irrigado Califórnia, há 35 anos em atividade, o esforço da empresa pública é em manter a estrutura funcionando. Para isso, recuperou quatro estações de bombeamento (EBs) e tem do Pró-Campo o sinal verde para investir nas duas restantes. “Nós sabemos da dificuldade, mas são em todas as áreas. Mas é muito importante o apoio da Cohidro e do Governo do Estado aqui para o Califórnia. Se não fossem eles, a ajuda e parceria que a gente tem, nós não teríamos este resultado”.

São R$ 981.515,83 do Pró-Campo destinados para a recuperação da estrutura civil e mecânica das EBs 05 e 07, do Califórnia, e 02 do Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto. Para o diretor-presidente da Cohidro, Paulo Sobral, a empresa pública vai completar seus 40 anos, em 2023, já com uma cara nova. “O volume de investimentos que a Cohidro está protagonizando agora, quando completamos 39 anos, é provavelmente o maior desde que cinco, dos seis perímetros irrigados, foram entregues em 1987. E vai muito além dos perímetros de irrigação. São cerca de R$ 16,5 milhões entre Pró-Campo e emendas parlamentares para perfuração ou recuperação de poços e sistemas de abastecimento de água no campo. Ao mesmo tempo em que há a previsão de recuperarmos 1.021 barragens de terra, em regiões em situação de emergência pela falta de chuvas. Trabalho que iniciou na Barra da Onça, em Poço Redondo”, informou.

“O investimento nos perímetros é necessário, para que a história de sucesso, na produção de alimentos e geração de renda tenha continuidade. Mais da metade dos produtos da cesta básica de Aracaju, a mais barata do Brasil, tem influência direta nesta produção”, avaliou o diretor de irrigação da Cohidro, João Fonseca. “Fizemos um esforço extra para que os recursos próprios pudessem, além de manter o funcionamento, fazer a revitalização das EBs. E, agora, o Pró-Campo vem dar este fôlego extra para concluirmos este trabalho”, avaliou o diretor Administrativo e Financeiro da empresa, Jean Nascimento. “Sem dúvida, será nos sistemas de abastecimento e barragens o maior volume de investimentos recebidos do Pró-Campo, ampliando esta nossa atuação de levar água e dignidade às famílias que vivem e produzem no campo”, acrescentou a diretora de Infraestrutura Hídrica da Cohidro, Elayne de Araújo.

Orgulho
Assistente administrativa da Cohidro, Luciene Pinto, guarda de cabeça a data de sua admissão na empresa: 04 de julho de 1983. “Eu me sinto mais que orgulhosa fazendo parte desta empresa. Porque, para mim, não é só um trabalho. Ela é minha mãe, é quem me deu tudo, minha casa, pude criar meus filhos, tudo. E acredito que ela cresça ainda mais daqui para frente. Até porque nós hoje temos um grupo especializado que tem dado muito resultado em poços e nos perímetros irrigados,” avalia.

Para o administrador Ceciliano Gama, é importante comemorar os resultados obtidos nesses 39 anos. “É uma empresa estadual de vital importância à sociedade, com seus perímetros irrigados, produzindo hortifrutigranjeiros. E seus poços tubulares, levando água de qualidade aos mais carentes, evitando assim a mortalidade infantil e o êxodo rural. E, hoje, eu sou o que sou, graças a essa gloriosa empresa, e me sinto orgulhoso em fazer parte dela”, ressalta o também funcionário.

Governo do Estado reforça assessoria técnica para irrigantes participarem do Alimenta Brasil

Projetos de aquisição de alimentos diminuem a vulnerabilidade social e ampliam a geração de renda no campo, comprando do produtor por preços acima do mercado

[foto: arquivo pessoal]
O saldo é de 4,2 mil toneladas de alimentos doados para alimentar, pelo período médio de um ano, 155.701 pessoas em insegurança nutricional, movimentando mais de R$ 10,6 milhões, pagos nas 1.693 participações de agricultores irrigantes dos perímetros do Governo do Estado. Isso ocorreu nos 14 anos em que eles forneceram produtos ao antigo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab, na modalidade ‘Doação Simultânea’. Em 2022, estes produtores rurais atendidos pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) nos perímetros, estão recebendo atenção extra da Gerência de Agronegócios da empresa para adequar e enviar novas propostas de participação ao novo programa federal Alimenta Brasil.

O gerente-técnico Sandro Prata auxilia na regularização das associações e cooperativas formadas nos perímetros irrigados da Cohidro e as assessora para formular e honrar as propostas feitas ao programa federal. Mas no Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, ele agora conta com o reforço dos técnicos em agropecuária Anildo Caldas e Jackson Ribeiro, com experiência nestes projetos após passagem pelas empresas de desenvolvimentos Sustentável (Pronese) e Agropecuário (Emdagro) do Estado de Sergipe, que como a Cohidro, são vinculadas à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). Na última semana, eles se reuniram com toda a assistência técnica daquele perímetro de Lagarto. Lá, duas associações já forneceram alimentos ao programa federal e uma terceira associação está sendo formada para atender outra parcela dos 421 agricultores com lotes atendidos com irrigação pública.

“O objetivo da reunião foi esclarecer que o sistema CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) ainda está em período de testes e que as DAPs (Declaração de Aptidão ao Pronaf) feitas agora, ainda serão válidas por dois anos. E já que eles estão concluindo a formalização da uma nova associação, nada melhor que ter a DAP jurídica para poder participar das propostas neste ano”, argumentou Sandro Prata. Ele destaca que em Lagarto, eles têm a mobilização extra de organizar a Associação de Produtores do Perímetro Irrigado Piauí (APPIP) para fornecer alimentos a partir de recursos ainda liberados em 2021, conforme os critérios propostos no ranqueamento das propostas em todo estado.

O presidente da Appip, Antônio Cirilo Amorim, considerou válido o reforço dado à assistência e assessoria técnicas nos projetos para os programas de aquisição de alimentos. “O homem do campo precisa trabalhar com a presença dos técnicos no dia a dia na sua roça. Então, precisa sim. Depois dessa pandemia, as coisas mudaram muito. Então, precisávamos de mais apoio dos técnicos da Cohidro na nossa lavoura. Em relação ao Alimenta Brasil, nós estamos tentando enviar uma proposta para ir para a Conab. Eu tenho certeza que a gente vai poder participar desse alimenta Brasil, o que para nós é uma grande alegria, poder fazer uma nova renovação na associação, junto com a Cohidro. Porque a gente tem esse apoio da Cohidro aqui, graças a Deus, e vamos colocar o agricultor para trabalhar novamente. Uma proposta sempre faz o agricultor se renovar”.

O diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Fonseca, orienta que o irrigante deve procurar os seus escritórios locais, para ser assessorado a participar dos programas de aquisição de alimentos. “Seja uma entidade formal, informal ou participação individual, existem técnicos aptos para orientar a regularização da documentação, que dá credencial para a participação. A elaboração das propostas, que é onde o produtor diz o quê, quando e quanto ele pode fornecer de alimentos para a ‘doação simultânea’. Em alguns desses programas, a associação também tem que dizer para que entidade irão doar; item que exige atenção redobrada ao fazer o projeto. Sendo aceita a proposta, o produtor conta com a ajuda da Cohidro para organizar a sua produção para cumprir o cronograma de entregas, na mobilização para as entidades receberem, na prestação de contas e no recebimento do pagamento pelos produtos”.

Antônio Cirilo ainda destacou que os projetos de ‘Doação Simultânea’ estimulam a atividade da Agricultura Familiar. “O agricultor não parou de trabalhar, mas não tem essa alegria que tinha antes dos projetos, porque neles a gente já trabalhava com venda garantida. É totalmente diferente, você já plantou sabendo para onde vai colocar. E outra coisa é você plantar para se aventurar no mercado, o atravessador leva tudo”, desabava o irrigante do perímetro Piauí. “Todas as propostas do ano anterior ainda estão em aguardo de recursos. Vamos insistir em elaborar mais propostas para este ano, conforme liberação do sistema e recursos do Governo Federal. Temos também uma nova associação em nosso perímetro irrigado em Malhador. Os representantes querem nossa ajuda para fazer as propostas deste ano”, completa Sandro Prata.

 

Dia Mundial da Água: Cohidro protagoniza investimento de R$ 17,5 milhões para ampliar acesso à água em Sergipe

Ações são paralelas ao trabalho de racionalização do uso e controle de desvios de água

[foto: Fernando Augusto]
Em Sergipe, é possível comemorar o Dia Mundial da Água, neste 22 de março. A partir de ações que já vinham sendo realizadas pelo Governo do Estado e que agora ganharam força via Programa Pró-Campo, a população que vive distante das redes convencionais de distribuição, tem mais oportunidade de continuar a viver e manter a família no campo. Cada vez mais eles têm acesso à água nas obras e serviços realizados pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). Para 2022, estão programadas ações de construção ou ampliação de sistemas de abastecimento de água e dessalinizadores, recuperação de barragens e revitalização de perímetros de irrigação pública estadual. Esta que, de outro modo, se moderniza e é otimizada pela empresa pública, sanando o desperdício de água e recursos operacionais.

“O agricultor que recebeu o incentivo da Cohidro para, por exemplo, a modernização do sistema de irrigação, adotando agora a irrigação fixa e econômica, já consegue produzir mais e dedicando menos do seu tempo diário para irrigar as plantas. A microaspersão, com sistema automático e uso de fertirrigação, precisa de menos mão de obra e menos água para ter o mesmo resultado que os antigos equipamentos tinham, desperdiçando água. Sem dúvida, temos o que comemorar nestes perímetros onde ocorre a troca do velho pelo novo e a Cohidro, orientando e incentivando esta mudança, muda junto. Reduzindo o consumo diário da água para poder enfrentar melhor os períodos de estiagem e a destinação de água para o consumo humano. Visto que a população é cada vez maior”, avalia o diretor de irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Fonseca.

Segundo o diretor-presidente da Cohidro, Paulo Sobral, pelo Pró-campo, o Governo de Sergipe vai investir R$ 981.515,83 na revitalização da estrutura física e manutenção elétrica e mecânica das estações de bombeamento (EBs) 02, do Perímetro Irrigado Piauí, em Lagarto, e 05 e 07, do Califórnia, em Canindé de São Francisco. “O Pró-Campo vai dar continuidade a um trabalho que vínhamos fazendo, revitalizando as EBs para ter mais capacidade técnica para atender o agricultor irrigante, melhor estrutura para os nossos funcionários operarem o sistema e sanar os desperdícios causados pelo mau funcionamento e danos provocados pelo tempo de vida dos perímetros. Todos com mais de 30 anos em operação”, considerou o presidente.

Paulo Sobral ainda reforça que, paralelo às obras, nos perímetros foram empregadas equipes para fiscalizar o desvio de água. “Ao mesmo tempo em que os desvios feitos nas tubulações da Cohidro desperdiçam água, elas deixam os agricultores mais distantes da EBs com menos pressão do sistema e às vezes até sem água. Estamos acabando com isso, racionalizando e universalizando o acesso à água”.

Infraestrutura hídrica
Para além dos perímetros de irrigação, o forte da atuação do Pró-Campo estão sendo os sistemas de abastecimento e as barragens. Eles promovem o abastecimento humano, a dessedentação animal e até mesmo pequenos projetos de irrigação. “São 72 sistemas de abastecimento que serão implantados ou recuperados, a partir de um investimento de mais de R$ 5,3 milhões. Sem falar dos mais de R$ 2 milhões do convênio firmado com a Codevasf, para também perfurar e instalar poços no interior sergipano. Outros R$ 5,7 milhões já estão sendo investidos na revitalização e ampliação de 1.021 barragens de terra, essenciais à pecuária em regiões de seca”, concluiu o presidente da Cohidro.

São obras que iniciaram em 2021 e tiveram continuidade neste ano. A diretora de Infraestrutura Hídrica e Mecanização Agrícola da Cohidro, Elayne de Araújo, destaca a barragem Chapéu de Couro, em Poço Redondo. “No assentamento Barra da Onça, as obras na barragem já começaram no mês passado e estão adiantadas. Por outro lado, em Indiaroba temos obras iniciadas para ampliar a capacidade de seis sistemas de abastecimento de água, que agora vão levar este recurso vital até as casas, promovendo mais qualidade de vida. A mesma qualidade de vida que vão ter também localidades do Sertão Sergipano, com os mais de R$ 3,3 milhões previstos no Pró-Campo para investir no Programa Água Doce. Criando novas ou ampliando as unidades de dessalinização de abastecimento de água potável e para unidades produtivas”, acrescenta a diretora.

 

Convênio entre Codevasf e Cohidro aplicará emendas de bancada no abastecimento de água em comunidades rurais sergipanas

Beneficiados com sistemas de abastecimento implantados pelo Governo do Estado residem em localidades longe das redes convencionais de abastecimento

[Foto: Ednilson Barbosa]
No final da última semana, foi assinado novo convênio entre as companhias de desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) e dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), para a aplicação de recursos fruto de emendas federais de bancada na ordem de R$ 2.160.174,00. Os fundos federais que têm a Codevasf como unidade orçamentária, farão o custeio de obras de perfuração de poços tubulares e de instalação de sistemas simplificados de abastecimento de água realizadas pela Cohidro – vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) – atendendo à população rural de comunidades do interior sergipano.

O convênio prevê o investimento de R$ 1.800.053,00, recursos originários de emenda parlamentar indicada pelo senador Alessandro Vieira; somados ao valor de outra emenda, indicada pelo deputado federal Fábio Mitidieri, no valor de R$ 360.121,00. Cabe à Codevasf, empresa pública vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, fazer a transferência dos recursos e fiscalização da execução financeira durante os 36 meses de execução das obras.

No ato realizado no dia 28 de janeiro, a Cohidro foi representada pelo seu diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola, João Fonseca. Conforme esclareceu o diretor, a companhia estadual realizará a licitação de materiais de consumo para os serviços de perfuração e dos componentes para a montagem dos sistemas de abastecimento. Sendo que a execução técnica das obras será feita pelas equipes da companhia estadual. “A seleção das áreas de intervenção a serem atendidas será feita em diálogo com a própria Codevasf e demandas apresentadas pelas assessorias dos parlamentares”, completou.

O superintendente regional da Codevasf, Marcos Alves Filho, agradeceu a confiança dos parlamentares e destacou a capacidade técnica e expertise da Cohidro nos serviços de perfuração e instalação de sistemas de abastecimento. “Particularmente fico muito feliz em contribuir com esta ação que traz desenvolvimento e benefícios sociais importantes para as comunidades”, pontuou.

“Hoje, demos um passo importante em nosso trabalho para garantir a segurança hídrica de todos os sergipanos. A assinatura deste termo de cooperação vai atender povoados de vários municípios do nosso estado que sofrem com a falta de acesso à água. Esses investimentos são fundamentais para garantirmos o mínimo de qualidade de vida à população e condições para a produção para consumo familiar”, destacou o senador Alessandro Vieira, presente à assinatura do termo de cooperação entre Cohidro e Codevasf.

De perfil empreendedor, irrigante atendido pela Cohidro busca registro de produtor orgânico

Lote do agricultor tem abacaxi, macaxeira, inhame, coco verde, mamão quatro variedades de banana e de batata-doce

[foto: Paulo Ricardo]
Na Grande Aracaju, fica Riachuelo, um dos três municípios beneficiados pelo Perímetro Irrigado Jacarecica II, do Governo do Estado. Com a água e assistência técnica fornecidas pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), é neste município que produz o agricultor irrigante Francisco de Araújo, mas a colheita ele mesmo vende na capital, no Mercado Municipal do bairro Augusto Franco. A clientela fiel opina no que o produtor deve plantar e deposita nele toda a confiança de que ele está vendendo produtos agroecológicos, cultivados sem agrotóxicos. Mesmo assim, o empreendedor quer ir além e está prestes a conquistar a certificação de que seus produtos são orgânicos, com registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

“Já foi aprovado pelo MAPA, ele veio, pegou nosso produto, levou, fez o teste e foi aprovado. Nós não estamos hoje certificados por causa do coronavírus, que eles não puderam vir e ficou barrado, porque eles são de Brasília. Mais para terminar, eles disseram que assim que estiverem liberados para vir, logo vai ser constituído”, explicou Seu Francisco. Enquanto isso, na sua lavoura ele prossegue seu processo de transição e utiliza produtos alternativos como a cinza, para adubar; o leite, para combater doenças; e a manipueira, líquido extraído do processamento da mandioca, como inseticida. Todo o seu lote de 8,5 hectares também está protegido da contaminação da ‘deriva’ do agrotóxico usado nos lotes dos vizinhos, com um grande barreira quebra-vento feita com o plantio de capim de corte e bananeiras.

Diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Fonseca expõe que, na assistência técnica agrícola oferecida aos irrigantes, é dada uma visão realista da dificuldade em produzir orgânicos. “A ideia sempre foi estimular essa produção orgânica nos perímetros irrigados, mas a gente sabe que não é uma coisa fácil para o produtor conseguir. Demanda um tempo de carência para isso de no mínimo 2 anos para ele sair da agricultura convencional para a orgânica. E daí ele vai solicitar o selo dos órgãos fiscalizadores. Hoje temos o selo do MAPA, que já facilita essa comercialização e os mercados, mundial e brasileiro, estão demandando cada vez mais produtos livres de agrotóxicos. A gente louva a iniciativa dele e a Cohidro está aqui, para apoiar no que for preciso”, avisou o diretor, fazendo votos que o produtor tenha sucesso em transformar totalmente seu lote para a produção orgânica.

Empreendedor, Francisco de Araújo praticamente eliminou a figura do atravessador de sua produção, vendida quase toda na sua banca do Mercado Augusto Franco e, por conta disso, segundo ele os preços são mais baratos que na concorrência. Deste contato direto com o cliente final, o produtor dá a liberdade ao freguês de opinar naquilo que ele irá plantar em seu lote, para depois trazer para à venda na banca. Como retorno dessa atenção especial, Francisco conquistou a confiança junto ao cliente de que suas frutas e vegetais têm qualidade e são produzidas sem o uso de agrotóxicos. Boa-fé que o agricultor adquiriu também para comercializar uma parte menor da sua produção com a Cooperativa de Produtores Orgânicos de Sergipe (Coopersus). Instituição que vende os produtos dos cooperados em um ônibus itinerante estacionado em shoppings centers e órgãos públicos em Aracaju.

Francisco produz banana-da-terra, prata, da pão e da maçã; mamão; batata-doce das variedades cenoura, tipo beterraba, roxa e da branca; macaxeira; inhame; coco verde e abacaxi. “A produção não é como a do pessoal que planta convencional. O meu demora 2 a 3 meses a mais, porque é natural e também o abacaxi dos outros não tem o doce igual a este. A vantagem é que você está vendendo um produto com saúde, não está vendendo um produto sabendo que vai fazer mal para os seus clientes e a você mesmo. Se eu uso veneno e mato o meu cliente, daqui a uns dias eu não tenho mais clientes né, e está tendo boa saída”. É a partir da irrigação, fornecida durante todo ano pela Cohidro, que o agricultor consegue ter sempre uma diversidade de produtos para oferecer. “A irrigação é a parte fundamental. Sem a água não vai para frente, esse projeto aqui foi uma benção de Deus”, avalia o Francisco.

[vídeo] Agricultor do perímetro Jacarecica II faz sucesso por ser empreendedor

O programa Agro-SE, da TV Atalaia, mostrou nesta quarta-feira (01), matéria da repórter Sayonara Hygia e imagens de Thiago Williams, um pouquinho da história do agricultor irrigante Francisco de Araújo. Ele produz uma grande variedade de produtos em seu lote irrigado pelo Governo do Estado, através da Cohidro, no Perímetro Irrigado Jacarecica II, em Riachuelo. Neste perímetro, o irrigante não tem nenhum custo para irrigar as plantações diariamente, já que a água chega ao lote por gravidade.

Por outro lado, o produtor elimina o papel do atravessador, barateando seus produtos ao vendê-los direto ao consumidor, em sua banca no Mercado Municipal do bairro Augusto Franco, em Aracaju. Hoje, que já é comerciante bastante conhecido na Zona Sul da Capital, a escolha do que ele vai plantar no seu lote no Jacarecida II é definida pela preferência dos clientes, que sempre sugerem qual alimento gostariam de comprar em sua banca. O que cria uma relação de fidelidade entre cliente e comerciante.

Governo de Sergipe assina Termo de Cooperação para melhorias no perímetro irrigado de Canindé

[Foto – Vieira Neto]
Na última semana, em Canindé de São Francisco, o Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE) e a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), assinou um Termo de Cooperação Técnica que tem por finalidade a limpeza de reservatórios anexos às estações de bombeamento (EBs) e dos canais de irrigação que distribuem água para essas seis EBs do Perímetro Irrigado Califórnia. A Parceria também abrange a recuperação das estradas vicinais que cortam o mesmo perímetro, mantido pela Cohidro naquele município.O DER, vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade (SEDURBS), fez a entrega dos equipamentos: retroescavadeiras, pá carregadeira, motoniveladora e roçadeira hidráulica; que serão disponibilizados à Cohidro através da cooperação por um ano. A Cohidro vai arcar com os custos operacionais e toda manutenção e reparo das máquinas durante a vigência do termo. O presidente do departamento estadual, Anderson das Neves, considera importante o Governo do Estado somar esforços para apoiar a população do perímetro. “Este apoio estrutural, através dos equipamentos, vem para poder melhorar as atividades e o transporte nos perímetros irrigados, melhorando a irrigação e o escoamento dos produtos que estão sendo plantados”, avalia.Já a Cohidro é vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca de Sergipe (Seagri) e o secretário Zeca da Silva também participou do ato, assinando o termo de cooperação como interveniente. “Eu acho que essa administração da Cohidro está obtendo êxito porque enxerga o problema, sabe que não tem condições de resolver sozinho, mas faz parceria com as prefeituras, com outros entes do Estado e no final, quem é beneficiado é a população. Com esta parceria, a gente vê a importância para toda uma geração de empregos, de produtividade, de renda. A economia se movimenta como um todo e tudo isso faz um círculo virtuoso”, considerou.As obras que a Cohidro pretende realizar com as máquinas do DER/SE, melhoram a qualidade do serviço de irrigação pública prestado, desobstruindo os canais de irrigação e reservatórios. Com isso, aumenta a vazão de água que chega nos lotes e melhora a conservação dessas estruturas, dos equipamentos de bombeamento da empresa estadual e dos sistemas de irrigação dos agricultores irrigantes. Diretor-presidente da Cohidro, Paulo Sobral avista um campo fértil a novas cooperações entre a companhia e o DRE. “Espero que este seja o primeiro Termo de Cooperação de muitos que podem ocorrer entre estes dois entes públicos do Governo do Estado. Existe esta mesma demanda nos outros cinco perímetros, com estradas vicinais, canais de irrigação e reservatórios”, expõe.Ainda estiveram presentes ao evento o deputado estadual Jeferson Andrade, que também testemunhou o Termo de Cooperação; os verdores municipais de Canindé, Juarez de Vavá (presidente da Câmara), Adriano de Bomfim, Hugo de Pank, Klebinho e Eliel Torres; o presidente do Instituto Tecnológico e de Pesquisas do Estado de Sergipe (ITPS), Kaká Andrade; diretores, gerentes e funcionários da Cohidro e do DER; agricultores irrigantes do perímetro Califórnia e um dos seus representantes: o presidente da Cooperativa de Agricultores Irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia (Coofrucal), Levi Ribeiro.

“Avaliamos como uma ação muito importante, muito positiva para o nosso perímetro. Vai trabalhar a manutenção dos canais, do mato que está invadindo e os próprios reservatórios. Então, é bem-vinda e somos gratos pela ação. Com certeza, após este trabalho de limpeza de canais nós teremos, acredito que no mínimo 20% de melhoria na irrigação. Além do mais, com a melhoria nas estradas, a gente tem condição de melhor circulação dos produtos”, concluiu o presidente da Coofrucal.

Cohidro estima produção de 1.795 T de milho verde irrigado para o período junino

Agricultores de quatro perímetros devem colher 2,3 milhões de espigas em área superior a 120 ha, no período

[Foto: arquivo pessoal]
A pandemia de Covid-19 pode até querer atrapalhar a festa, mas a tradição do consumo de milho verde no período junino resiste, contribuindo não só para a perpetuação da tradição cultural, mas também com a geração de renda para os sergipanos que plantam, transportam e comercializam o produto. Nos perímetros irrigados administrados pela Companhia de Desenvolvimento de Recurso Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) não é diferente: o milho verde é o cultivo predominante em praticamente em todos os lotes, seja para comercializar ou para o consumo da família no período de festas. Em quatro dos seis perímetros – Califórnia, Jacarecica I, Piauí e Ribeira – são esperados 1.795.000 quilos colhidos em junho, o que corresponde a 2.332.000 espigas. O perímetro o Califórnia, situado em Canindé de São Francisco, é onde está sendo aguardada a maior colheita: 960 mil espigas só para este mês.

A maioria da produção é destinada à demanda interna, mas existem exceções. No Califórnia os agricultores irrigantes fornecem para feiras livres de algumas cidades de Alagoas. No perímetro Piauí, em Lagarto, o milho verde atende mercados baianos, na região da divisa com Sergipe, como informa o gerente do perímetro, Gildo Almeida. “O pessoal de Paripiranga compra milho verde aqui para vender para aquela região de lá; tem pessoas de Boquim que pegam aqui; e essa semana encontrei um comprador de Campo do Brito”, conta Gildo. Dos perímetros irrigados de Itabaiana também saem cargas diárias para a capital baiana. “Se até o São João não tiver milho chegando em Salvador, com certeza um pouco desse milho daqui deve ser enviado para lá também”, reforçou o técnico agrícola do perímetro Jacarecica I, Simeão Santana.

[Foto: Fernando Augusto]
Derinaldo Brito, irrigante do perímetro Jacarecica I, plantou 0,6 hectares (ha) de milho verde, pensando no São João. “Sempre planto nesse período, para vender na feira mesmo. Este milho faz 50 dias que plantei e vou colher daqui uns 15 dias. Só planto o milho nesse período; tiro a batata-doce e planto; e quanto tirar o milho, ponho o quiabo. Vejo que tá R$ 40 o cento, mas vai depender do tempo”, afirma o agricultor. Não se perde nada no lote. Tem a oferta de palha do pé de milho, depois de colhido verde, e até com, se tiver alguma sobra de espigas: tudo é picado para servir de ração para as vaquinhas que ele cria no lote. “Aproveita a palha para o gado que crio. Dá para aproveitar a palha do milho, o milho e a rama da batata”, completa Derinaldo. No Jacarecica I, foi estimada a área de 37 ha plantada para o período junino de 2021, o que pode promover uma colheita de 481 toneladas, ou 740 mil espigas.

Em Canindé, para o período junino neste ano, foram plantados 48 hectares de milho verde irrigado também pensando nos festejos, o que pode render, aproximadamente, a colheita de 624 toneladas. Mas, segundo o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Fonseca, nem todo esse milho tem como destino certo a mesa dos sergipanos. “Nós temos uma produção de milho que irá atender, na época junina, a população do Estado de Sergipe, mas nessa produção, principalmente em Canindé, há uma predisposição dos irrigantes em produzir milho também para que, no próximo verão, possa acontecer a integração entre o irrigado e o sequeiro, para o fornecimento de ração para os animais da nossa bacia leiteira”, explica João Fonseca.

Manoel Alves [Foto: arquivo pessoal]
A gerente do Califórnia, Eliane Moraes, reforça que a produção de milho no perímetro do Alto Sertão Sergipano é continuada, acontecendo durante todo ano. “Neste mês de junho ainda vão plantar mais, e colher em 65 dias. Cerca de 16 hectares foram plantados em maio, para colher lá para agosto”, revela a gerente. O irrigante no perímetro Califórnia planta o milho com a certeza de que vai colher, já que a irrigação fornecida diariamente garante o desenvolvimento das plantas e também tem a certeza de que, se não for como espiga, ele vai encontrar comprador para outros usos do produto. Um deles é Manoel Alves, que sempre aproveita esta época para plantar milho, esperando as boas vendas. “Plantei uma roça, uma tarefa (0,33 ha) de milho para vender agora no São João, mas se não vender a gente sabe que dá para fazer outras coisas com ele”, confirma o agricultor.

 

 

 

Irrigação pública estadual influencia na maior parte dos itens da Cesta Básica mais barata do Brasil

Irrigantes do Perímetro de Lagarto produzem esterco e forragem, abastecendo municípios do entorno

Gilvan e as batatas-doces, que tem as ramas utilizadas na alimentação animal [Foto: Gabriel Freitas]
Além de tomate, mandioca, banana e cana-de-açúcar, que influenciam diretamente nos preços que fazem de Aracaju a capital com a Cesta Básica mais barata do Brasil por quatro meses seguidos, a irrigação pública dos perímetros estaduais também produz forragem para bovinos. Com a adição do leite, da manteiga dele derivada e da carne bovina, sobe para sete o número de alimentos da cesta básica, cuja produção é favorecida pela irrigação estadual, dentre os 12 pesquisados mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). No Perímetro Irrigado Piauí, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e irrigação de Sergipe (Cohidro) em Lagarto, há os criatórios que produzem sua própria ração, os que vendem capim de corte, forragem de milho, ramas de batata-doce e esterco até para produtores fora do perímetro, promovendo a ‘Integração Irrigado-Sequeiro’.

Gilvan Lima reserva um hectare de seu lote, no perímetro Piauí, para a produção contínua dos capins de corte das espécies palmeirão, roxo e elefante, para alimentar 10 cabeças de boi de engorda e 17 vacas de leite. A ração dos animais é composta da mistura de capim, palhada e espigas de milho e restos culturais, como o pé da mandioca – chamado por eles de ‘manaíba’. “É tudo do plantio que eu faço. O milho, quando eu não coloco verde picado, com espiga e tudo, eu moo o grão de milho seco junto com o capim”, explica o produtor rural. Para ele, a chegada do perímetro abrangendo sete povoados de Lagarto modificou toda a forma de produzir. “Antes, era complicado, mas depois da irrigação foi outra coisa. Planto o milho, planto o capim. Até a rama da batata-doce se aproveita para o gado. Antes do perímetro, só tinha capim no inverno. Tinha que dar tudo contado e comprar fora o farelo”, lembra.

Segundo o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Fonseca, o excedente do plantio de capim, somado a todo milho para silagem e restos culturais gerados nos 421 lotes do perímetro de Lagarto, suprem um mercado consumidor de ração animal e outros insumos, bem maior que os 14,5 km² do perímetro Piauí. “Em Sergipe, 29 municípios são considerados pela Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) como de clima semiárido, em que o déficit hídrico é muito grande, prejudicando a atividade agrícola na maior parte do ano. Por isso, em nossos seis perímetros incentivamos, além do produto in natura, a produção de espécies vegetais para alimentação animal, que o agricultor possa comercializar o excedente com o mercado do entorno dos perímetros”, defende.

A pecuária dentro do perímetro irrigado é uma prática paralela à agricultura, que muito se aproveita desta oferta de água para a produção da ração, como afirma o gerente do Piauí, Gildo Almeida. “Tem entre 15 e 20 produtores que usam o capim de corte para sustentar suas criações de gado, e tiram o sustento da venda das cabeças de gado de corte, do leite e do esterco”, conta. Segundo ele, é no verão que se torna mais importante a oferta de água para a pecuária, suprimindo a falta de pastos verdes. “Usam o capim e a palhada do milho para fazer silagem e sustentar o gado nesta época de estiagem. Muitos fazem o confinamento, para abate; mas a maioria é para produção de leite”, conclui Gildo.

Para Gilvan, compensa plantar capim. “No verão, quem tem um capim verde, ganha dinheiro. Pois se não tem gado, vende o capim. Quando tem capim de sobra no inverno, eu dou para os vizinhos que têm criação. Porque se o capim ficar muito velho, é ruim. É melhor tirar, adubar e plantar de novo”, ensina o irrigante. Em seu lote, criando gado, o número de produtos só aumenta. Vai do leite, que vende para um atravessador; até o adubo natural, indispensável para a produção agroecológica. “O esterco eu vendo também, para quem não gosta de usar agrotóxicos e adubos químicos. É muito bom adubar com o esterco no verão. Eu mesmo uso no capim de ração, no cultivo do milho e na batata-doce italiana e roxinha”, finaliza.

Última atualização: 26 de abril de 2021 15:19.

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