Agricultura familiar dá sabor aos festejos juninos em Sergipe

Milho verde ocupa uma parcela de terra de praticamente todos os lotes irrigados pela Cohidro em Lagarto e Canindé / Foto: Fernando Augusto/Cohidro

Do campo à mesa e da mesa ao paladar dos sergipanos, a variedade de comidas típicas nos festejos juninos faz parte das tradições da época. Milho cozido ou assado, canjica, manauê, mungunzá, arroz doce, beiju, queijada, sarôio e amendoim verde cozido têm como base os produtos cultivados pelos produtores familiares sergipanos.

De acordo como o Censo Agropecuário 2006, os agricultores familiares são responsáveis pelo cultivo de 70% dos alimentos que chegam à mesa da população brasileira. O governo do Estado incentiva o pequeno produtor com programas como o de Distribuição de Sementes, Regularização Fundiária, Feira da Agricultura Familiar, manutenção dos perímetros de irrigação pública, entre outros.

Em dois dos principais perímetros de irrigação pública, localizados em Lagarto e Canindé, por exemplo, a colheita de milho, neste mês de junho, deve chegar a 4.137.550 espigas. Nessas áreas a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) garantiu água para a plantação de 124,7 hectares (ha). Quase todos os 754 lotes assistidos pela empresa nesses locais reservaram uma parcela de terra para plantar milho, garantindo o produto antes mesmo da demanda dos festejos juninos. Essa oferta regulou os preços ao consumidor, que podem variar de R$ 40 à R$ 70 o cento, dependendo da quantidade, variedade e região, em que se compra.

Raimundo Rocha de Araújo é um dos agricultores irrigantes em Lagarto. Para ele, o milho cultivado serve como uma fonte de renda o ano inteiro, mas no São João a procura é ainda maior. “Vendo à R$ 45 o cento, para quem for revender e estou fazendo sete espigas por R$ 5 no varejo”, informou.

Distribuição de Sementes
Em 2016, o governo do Estado beneficiou 20 mil agricultores familiares de 21 municípios com a entrega de sementes certificadas distribuídas pela Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), com a operacionalização da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

O investimento de R$ 1.349.000,00 para o Programa de Aquisição e Distribuição de Sementes Certificadas na edição 2016 foi de R$ 1.349.000,00, oriundos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza administrado pela Secretaria de Estado da Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do trabalho, dos Direitos Humanos e Juventude (Seidh). Ao todo, foram distribuídas 200 mil toneladas de sementes distribuídas no período. Já as 17.450 horas de trator beneficiou 15.937 produtores em 13 municípios.

Em Nossa Senhora de Lourdes, um dos municípios beneficiados em 2016, a agricultora Florízia dos Santos, 57 anos falou da importância do programa. “Esse milho vai ajudar na nossa produção. Temos uma pequena propriedade de sete tarefas e vivemos do que plantamos”, relatou.

Na edição 2017, a entrega de sementes selecionadas do Programa Estadual de Distribuição de Sementes e Mecanização Agrícola será de 730 toneladas de sementes (300 de milho, 100 de feijão e 330 de arroz) e serão contratadas 14.545 horas de trator, que vão atender agricultores no preparo 7.272 hectares, em 25 municípios do semiárido – os produtores estão inseridos no Fundo Garantia de Safra. A entrega de sementes beneficiará 20.000 agricultores em todo o estado, um investimento de R$ 2.290.000,00. São sementes certificadas com ótima qualidade e produtividade, alto índice de pureza e geminação. Nas horas de trator, o investimento é de R$ 1.600.000,00, para beneficiar 7.272 agricultores. Os recursos totalizam R$ 3.890.000,00.

Em Campo do Brito, a pequena produtora Domingas de Andrade Santos, que recebeu sementes de milho e feijão da edição 2017, nesta quinta-feira, 22, explicou que o auxílio do governo é fundamental para o cultivo na região. “Nós precisávamos demais desse auxílio, pois dependemos completamente dessa atividade para viver. Estamos muito agradecidos e felizes”, disse.

Arroz do Baixo São Francisco
O arroz é o ingrediente principal para o popular arroz doce, que não pode faltar na mesa de comidas típicas do período junino. O governo do Estado incentiva a rizicultura no Baixo São Francisco. Em 2016, com a distribuição de sementes de arroz, por meio do Programa Estadual de aquisição e distribuição de sementes certificadas distribuiu 400 toneladas de sementes de arroz.

Apenas em 2016, os investimentos do governo no setor foram de R$ 1.606.231,83, beneficiando centenas de famílias. A produtora Maria Carlinda dos Santos, 70, de Ilha das Flores, é a prova de que os investimentos do governo fazem a diferença na região. Ela conta que a entrega de sementes de boa qualidade é um dos motivos para que a produção no Baixo São Francisco obtivesse destaque.

Entrega de Títulos de Regularização Fundiária
Com o processo de regularização fundiária das terras estaduais ocupadas de forma mansa e pacífica, por agricultores familiares, a gestão estadual, através da Emdagro, nos últimos anos, demarcou 67.774 imóveis rurais em 31 municípios sergipanos e entregou 18.001 títulos de propriedade em 18 municípios. De 2004 até hoje, foram investidos na Regularização Fundiária em Sergipe mais de 10 milhões de reais em convênios entre MDA/Incra/ Seagri/Emdagro.

O programa é voltado à agricultura familiar, produtores com até 50 hectares de terra. Alcança famílias que residem na terra por gerações ou terceiros que compraram dessas famílias, mas não possuem documentação além de recibo. O programa identifica as famílias que moram na localidade, legaliza a situação, evitando que haja gasto por parte dos posseiros. Com isso, eles podem ter acesso ao documento de aptidão para a agricultura familiar.

O agricultor Edgar Mendonça, 31, do município de Aquidabã, por exemplo, foi um dos beneficiados neste ano. Até a regularização, ele era considerado um posseiro. Ao pegar o título de sua terra, o agricultor disse que se sente mais seguro, pois tem garantia jurídica familiar do imóvel que ocupa, além de poder fazer novos investimentos, com o acesso ao Crédito Rural e à Assistência Técnica.

Fonte: Agência Sergipe de Notícias

Milho verde irrigado pela Cohidro vai colher mais de 4 milhões de espigas em junho

De agora em diante, todo dia é dia de colheita de milho verde, até chegar o dia de São Pedro. 

Irrigação permite plantar o milho em qualquer época do ano e fazer chegar ao mercado antes do período junino – Foto Fernando Augusto (Ascom/Cohidro)

Em dois dos principais perímetros de irrigação pública do Governo do Estado, a expectativa é a de colheita de 4.137.550 espigas em junho. Em Lagarto e Canindé de São Francisco a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) garantiu água para a plantação de 124,7 hectares (ha), quase todos os 754 lotes assistidos pela empresa nesses locais reservaram uma parcela de terra para plantar milho, garantindo o produto antes mesmo da demanda dos festejos juninos. Essa oferta regulou os preços ao consumidor, que podem variar de R$ 40 à R$ 70 o cento, dependendo da quantidade, variedade e região, em que se compra.

Segundo o diretor de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, esta produção nos demais perímetros de irrigação pública estadual só não foi maior devido à falta de chuvas em 2016. “A reposição de nossos reservatórios, que dispõe água para irrigar as barragens de cinco dos seis perímetros irrigados da Cohidro, não ocorreu no ano passado, devido à pouca chuva. O déficit hídrico repercutiu neste ano, em que tivemos que racionar água em Tobias Barreto e suspender em Itabaiana, nos perímetros Jacarecica I e da Ribeira (65km e 50km da capital). Nesses dois últimos, os produtores não puderam plantar milho verde pela incerteza de quando a chuva iria devolver a capacidade de irrigar regularmente. Salvo em Lagarto, em que as primeiras chuvas do ano foram suficientes para recuperar a barragem e em Canindé (213Km de Aracaju), que depende unicamente das águas do São Francisco para irrigar”, constatou João Fonseca.

José Carlos Felizola, diretor-presidente da Cohidro, considera o quadro positivo, já que a chuva veio em boa hora para recuperar as barragens e garantir a produção de milho verde. “A tradição seguida por quem não tem irrigação para produzir o ano inteiro, é a de plantar no São José para colher no São João e as chuvas deste ano chegaram na hora certa, permitindo que isso fosse possível acontecer. Mesmo se os nossos perímetros não tivessem recebido esta recarga d’água para irrigar e aumentar a oferta de milho em junho, foi também possível plantar sem precisar irrigação. Só não foi maior a produção de milho nos perímetros, por que a chuva demorou chegar ao Agreste, agravante que prejudicou os plantios dos nossos perímetros em Itabaiana”, lamentou.

A diferença entre depender só da chuva, que iniciou este ano farta, e de ter a irrigação, o agricultor irrigante do Perímetro Irrigado Piauí, José Roberto de Jesus, sabe bem. “Antes era mais complicado, porque não tinha irrigação e a gente esperava o período da chuva. Hoje, com a irrigação, a gente já pode plantar antes de São José, já vai molhando, tem água o suficiente, já facilita a colheita, mais”. As vantagens que o serviço oferecido pelo Governo do Estado promovem vão muito além de não precisar esperar a chover para plantar. “É, exatamente, não necessita tanto da chuva. Fica mais independente para o agricultor. Sempre melhora a produção, sempre dá espiga melhor. Fica bonito, não é?”, analisa o agricultor que plantou 2,64 ha de e antes mesmo de dar julho, estava colhendo milho verde em Lagarto.

Canindé
No Perímetro Irrigado Califórnia, o milho do período junino saiu da lavoura por até R$0,50 a espiga e neste ano foram plantados 90,775 ha pensando nos festejos, o que pode render, aproximadamente, a colheita de 2,95 milhões de espigas. Mesmo se não houver procura para todo este milho, ele pode vir a ser usado junto da palhada para a ração animal. José Leidison dos Santos é um dos agricultores irrigantes em Canindé que promove as três formas de comercializar o milho: a espiga, a palhada e o pé inteiro, para forragem. Para ele, essa flexibilidade garante mais segurança de plantar e ter certeza de que irá vender.

“O milho proporciona tudo, várias coisas. Nem penso no São João, que é só naquela época, a gente pensa no decorrer do ano inteiro, porque para a gente tanto faz a ração, quanto faz a espiga”, avalia Leidison. Mesmo assim, ele considera a venda da espiga mais vantajosa financeiramente, embora a forragem com a espiga junto tenha um valor de mercado diferente.“Tem, porque na hora que você for tirar a espiga, ela (a forragem) não tem peso, diminui bastante, mais o menos uns 50%.Se você quer uma ração com a espiga, você vai pagar ela no peso”.

Lagarto
Segundo o gerente do Piauí, Gildo Almeida Lima, já em março foram plantados 25,63 ha de milho, em abril, 8,30. Cada hectare produz de 20 a 25 toneladas e isso vai corresponder à 1.187.550 espigas colhidas. “De agora em diante, no perímetro da Cohidro de Lagarto, todo dia é dia de colheita, até chegar o dia de São Pedro. Aqui o preço varia de R$ 40 à R$ 50 o cento e sai a R$ 0,50 a unidade, no varejo”, informou. Ele disse que toda esta produção ainda gera, também em Lagarto, uma boa produção de ração animal. “25 toneladas de matéria fresca, palhada para ser utilizado com forragem”, acrescentou.

Raimundo Rocha de Araújo, adquiriu a produção de um lote de 0,66 ha, plantados com milho pronto para o consumo verde, no Perímetro Piauí. Pagou por ele R$ 3,5 mil e vai arcar com o custo de colheita e distribuição. Pagaria R$ 5 mil, se não houvesse um ataque de lagarta na plantação, já que sem isso, a área produziria 23.100 espigas, mas nessa lavoura colheu 17 mil sadias. “Vendo à R$45 o cento, para quem for revender e estou fazendo 7 espigas por R$5 no varejo”, informou.

Última atualização: 18 de janeiro de 2019 10:19.

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