Técnicos do governo estadual levam experiência de uso da calda sulfocálcica para agricultores do Jacaré-Curituba

Fungicida, acaricida, inseticida e fertilizante, receita caseira é barata e bem aceita entre irrigantes atendidos pela Coderse e Codevasf no alto sertão

Laudelino Ferreira é o irrigante do Jacaré-Curituba em que primeiro experimentou a aplicação de calda sulfocálcica // Foto: Fernando Augusto (Ascom Coderse)

Já conhecida há mais tempo pelos agricultores irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia — mantido pelo Governo de Sergipe, em Canindé de São Francisco, alto sertão sergipano — a calda sulfocálcica é um defensivo agrícola de preparo caseiro eficiente em plantações de goiaba, manga, coco, limão, pinha, acerola, dentre outras. Há cerca de um ano teve início uma cooperação técnica com o vizinho Projeto Público de Irrigação Jacaré-Curituba, federal, que está preparando os técnicos agrícolas e produtores rurais para também usarem a solução de baixo custo.

A calda sulfocálcica é feita da mistura de enxofre e cal virgem em água fervente, que age como fungicida, acaricida, inseticida e também fornece os nutrientes cálcio e enxofre às plantas. Na receita do perímetro Califórnia, o custo da solução chega aos R$ 0,40 por litro. Quem ensina a fórmula e suas aplicações é o técnico agrícola Luiz Roberto Vieira, da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), empresa vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri).

“Fica um custo lá embaixo. Em um tambor de 200 litros de água vai pegar 10 de enxofre, que custa R$10,00 e 10 de cal, que custa R$ 70,00. Um excelente custo-benefício. Tem tripla ação com uma vantagem de ter 19% enxofre, que é adubo foliar e 6% de cálcio”, ensinou o técnico agrícola da Coderse. Em Canindé a companhia estadual administra o perímetro Califórnia, fornecendo água de irrigação e assistência técnica para 337 produtores rurais.

Cooperação técnica

O Jacaré-Curituba é administrado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Segundo o seu técnico em agropecuária e extensionista, Avelange Santos, uma cooperação técnica com o perímetro Califórnia foi criada a partir da iniciativa dos agricultores irrigantes assistidos no projeto público de irrigação federal. Eles procuraram a equipe técnica do Jacaré-Curituba para também usar a calda sulfocálcica em suas lavouras, em Canindé e Poço Redondo. 

“Os produtores já tinham conhecimento, através da televisão, que ela seria útil no controle de algumas doenças nas culturas. E aí, como a gente não tinha na época a prática, com a parceria dos técnicos da Coderse podemos replicar essa atividade aqui, no Jacaré-Curituba. O mais interessante é que alguns produtores tiveram a habilidade de aprender e eles mesmos passaram a confeccionar e fazer a aplicação. Então, não se limitou apenas aos técnicos”, reforçou Avelange Santos. 

O extensionista Avelange conta que sempre ocorreram parcerias frutíferas com o perímetro irrigado estadual e antes de fabricarem a calda sulfocálcica, os agricultores puderam ver de perto a sua eficiência. “Inclusive, a gente também fez intercâmbio com outros produtores do Califórnia. Levamos nossos produtores para conhecer algumas experiências que estão dando certo, para controle de pragas e doenças. E isso está sendo muito gratificante”, concluiu.

Manga

“Eles não conheciam o procedimento e o pessoal da Codevasf falou com a gerência do nosso perímetro, que autorizou que eu viesse para cá junto com eles para que eu pudesse demonstrar na prática como era o processo do uso da calda. A minha dúvida na época era se daria certo na cultura da manga, porque eu nunca tinha usado. Fizemos 400 litros e depois foi mais 800. Tudo foi aplicado em 971 pés de manga”, recordou o técnico do perímetro Califórnia, Luiz Roberto.

Laudelino Ferreira é o irrigante do Jacaré-Curituba em que primeiro experimentou a aplicação de calda sulfocálcica em suas 971 mangueiras, há cerca de um ano, e conta que já viu o resultado. “A calda é muito boa. A produção estava sendo baixa, quando passei pela primeira vez, tive renda com a produção. Para mim este ano foi bom e no próximo vai estar melhor. O custo é acessível e o benefício é incalculável”. 

Um dos diferenciais para Laudelino Ferreira usar a calda sulfocálcica é a baixa toxicidade. Ele adota o não uso de agrotóxicos. “Eu não gosto de passar veneno. Prejudica a gente que passa, a natureza e também quem vai se alimentar com o fruto”, finalizou o agricultor, que a partir da ajuda dos técnicos da Codevasf e Coderse já produz o seu próprio defensivo.

Abóbora cultivada em perímetros irrigados do Governo do Estado aumenta produção em Lagarto e abastece indústria de sementes em Canindé

Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe incentiva produção fornecendo água de irrigação e assistência técnica o ano todo

Produção de abóbora tem incentivo da irrigação fornecida nos perímetros do Governo do Estado em Canindé e Lagarto / Foto: Ascom/Coderse

Como reflexo do investimento do Governo de Sergipe na agricultura, o ano de 2023 foi encerrado com bons resultados no setor. Estima-se que, no ano passado, a colheita da abóbora nos perímetros irrigados da Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri), tenha alcançado 801 toneladas. O resultado do perímetro Piauí, em Lagarto, no centro-sul do estado, chama atenção, pois lá foram colhidas 64,5 toneladas do alimento em 2023, enquanto em 2022 não houve registro de colheitas do fruto. 

Outro destaque de 2023 foi o perímetro Califórnia, em Canindé de São Francisco, no alto sertão sergipano, que no último ano ingressou em um novo patamar de produção, com lavouras de abóbora próprias para a produção de sementes de uso comercial. No município, uma lavoura de quase um hectare, irrigada pela Coderse vai fazer de Canindé um novo produtor de sementes de abóbora. A plantação recebeu atenção especial dos agricultores e dos técnicos agrícolas da empresa pública, pelo nível de exigência da indústria que vai comprar a produção.

De acordo com o presidente da Cooperativa de Fomento Rural e Comercialização do Perímetro Irrigado Califórnia (Coofrucal), Levi Ribeiro, a compra de insumos foi viabilizada por meio do fornecedor de sementes Agristar do Brasil e as análises de solo e preparo da terra foram financiados pela cooperativa, com posterior reembolso na colheita. Contudo, ele reforça que o apoio da Coderse no processo foi fundamental. “Toda a assistência técnica agrícola [para os irrigantes do Califórnia inseridos no projeto] continua sendo da Coderse”, informou o produtor.

O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, comemora o resultado da parceria entre produtores irrigantes e a indústria de nível nacional. Ele informa que, além da abóbora, esses mesmos irrigantes de Canindé também começaram a produzir em 2023, para colherem em 2024, sementes de quiabo, berinjela, pimenta jalapeño e cebola. “O perímetro de Canindé continua sendo o principal produtor de abóbora irrigada entre os perímetros estaduais. Só ele totalizou 737,8 toneladas em 2023, mas agora também vai gerar sementes para iniciar as novas plantações em todo país, o que comprova o potencial produtivo do alto sertão, com a água fornecida pelo Governo do Estado”, justifica Júlio Leite.

As 801 toneladas colhidas em 2023 pelos produtores irrigantes dos perímetros da Coderse em Canindé e Lagarto ocasionaram em um retorno financeiro superior a R$ 1 milhão. A produção ocupou uma área total de 45,5 hectares, mas vale ressaltar que, naquele ano, aproximadamente 10 hectares foram plantados com abóbora que serão colhidas somente no início de 2024.

Lagarto

Em Lagarto, um dos agricultores responsáveis pelo resultado positivo é Gildeon Dias, que planta abóbora há cerca de quatro anos, em propriedade rural atendida pelo perímetro Piauí. Ele já colheu o fruto na primeira semana de 2024. “Foi plantado no final de agosto, e tem o tempo médio para colheita de 120 dias. São quatro tarefas (1,3 hectares) irrigadas da abóbora jerimum. Só plantamos a abóbora uma vez por ano, pela facilidade de plantio e baixo custo da produção”, detalhou  o irrigante.

O gerente do perímetro irrigado Piauí, Gildo Almeida, chama atenção para o retorno financeiro obtido a partir da produção. “Em 2023, a produção de 64,5 toneladas gerou R$ 77,5 mil em renda para os irrigantes do perímetro Piauí e ocupou uma área total de 2 hectares. Mas para colher em 2024, o nosso perímetro já tem outros dois hectares plantados com abóbora. Se considerar que em 2022 não contabilizamos colheita de abóbora, serão dois anos seguidos de avanço na produção do fruto”, avaliou.

A lavoura de Gildeon rendeu 18 toneladas de abóbora. Dessas, 15 toneladas já foram vendidas para fora do estado pelo preço de R$ 3,40 o quilo, dando uma rentabilidade considerada muito boa ao produtor. “O preço não tem como prever, porque dependo muito da oferta e da procura que vai ter na época da colheita”, complementou o irrigante. Embora não seja para uso comercial, como em Canindé, Gildeon reserva as sementes de cerca de 30 abóboras para o replantio, a ser feito entre agosto e setembro.

[vídeo] Estação Agrícola destaca produção de uva e pera em perímetro da Cohidro em Canindé

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Após três anos seguidos do cultivo de uva e dois de pera em Canindé, produtores fazem balanço positivo. Conforme a reportagem do programa Estação Agrícola, da TV Sergipe, a produção abriu novos mercados, como o fornecimento do produto para a produção de vinho e suco. A tendência é, hoje, de aumento das áreas cultivadas. A implantação das duas culturas agrícolas foi possível através da parceria firmada entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Semiárido), de Petrolina-PE, e os perímetros irrigados Jacaré-Curituba (Codevasf) e Califórnia (Cohidro), em Sergipe.

Leia mais em: https://coderse.se.gov.br/?p=19580

[vídeo] Produtores do perímetro irrigado de Canindé iniciam entregas ao PAA

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O programa Sergipe Rural, da Aperipê TV, no último sábado (18) mostrou reportagem que acompanhou a primeira entrega de alimentos feita pela Associação dos Agricultores de Canindé de São Francisco (ASSAI), formada por irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia, ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Conab. Os alimentos adquiridos dos agricultores na modalidade “Compra com Doação Simultânea”, estão sendo doados para 316 famílias em situação de insegurança alimentar naquele município. Em perímetros irrigados da Cohidro, como o Califórnia, outros três projetos similares estão autorizados para iniciar entregas e outros dois estão em processo de ranqueamento para também participar. Às cinco propostas, se aceitas, poderão injetar em torno de R$ 600 mil nos perímetros irrigados do estado e destinar mais de 200 toneladas de alimentos à doação.

[vídeo] Irrigantes plantam abóbora em Canindé com irrigação e assistência técnica da Cohidro

Reportagem do programa Sergipe Rural, da Aperipê TV, mostrou o irrigante Samuel de Oliveira, que planta 2 ha de abóbora em seu lote, no Perímetro Irrigado Califórnia, em Canindé de São Francisco. Ele recebe o atendimento da Cohidro de duas formas: a água de irrigação que chega através de canais e adutoras, e a assistência técnica.

É o técnico agrícola Roberto Vieira, da Cohidro, que presta assistência ao agricultor e tem orientado a produção do fruto com base na análise de solo, na qual o resultado pode determinar o tipo e quantidades corretas de adubação para fazer a correção dos nutrientes necessários ao crescimento das plantas.

Quarta colheita de uvas em perímetro irrigado consolida cultura no Sertão

Cohidro e Embrapa promoverão Dia de Campo para disseminar técnicas e vantagens do cultivo da uva na região

Foto: Arquivo Pessoal

Mais uma colheita de uva teve início no Perímetro Irrigado Califórnia, nos campos experimentais implantados pelo convênio de transferência de tecnologia entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola (Embrapa) e a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro). Até o final de abril, de Canindé de São Francisco partem as doces e enrubrescidas uvas para as feiras e mercados localizados na extensão que vai do Alto Sertão ao Agreste Sergipano. A cooperativa de produtores busca o aumento do número de viticultores, tornando viável a produção de polpas e sucos.

Para disseminar técnicas e vantagens do cultivo da uva na região, a gerente do perímetro Califórnia, Eliane Moraes conta que realizará um Dia de Campo com Embrapa Semiárido, de Petrolina (PE), para definir a data. “Para os produtores, a cultura traz a possibilidade de industrializarem os frutos; para a economia do perímetro irrigado e da cidade, a possibilidade de ter uma produção agrícola especializada, de alto valor agregado e que foge dos produtos de ciclos curtos e de baixa rentabilidade, como o quiabo. Além da uva, queremos que o dia de campo trate da produção de pera, que temos aqui em outro campo experimental da Embrapa, já produzindo”, explica.

O irrigante Levi Alves Ribeiro, mais conhecido como Sidrack, é um dos produtores que abrigam em seu lote as videiras experimentais do convênio com a Embrapa, partindo para a sua quarta colheita comercial. Para ter o produto disponível à venda por mais tempo, ele adota o manejo da poda escalonada. É a poda da planta, seguido do uso de insumos adequados para aumentar a sua vitalidade, impulsionando a produção dos cachos. Se esse processo for feito em uma parte do parreiral por semana, de maneira escalonada, a colheita seguirá o mesmo cronograma, oferecendo frutos que amadurecem em períodos diferentes.

Ele se empolga com a possibilidade de o dia de campo angariar mais produtores dispostos a investir na uva. “Precisamos sempre dessa parceria com a Cohidro, para que possamos, em um futuro próximo, ter a capacidade de produzir nossas polpas de frutas, sucos, etc, agregando maior valor à produção”, disse Levi. Atualmente ele também é presidente da Cooperativa de Fomento e Comercialização do Perímetro Irrigado Califórnia (Coofrucal), por onde seria beneficiada e escoada a produção.

Sidrack e José Leidison dos Santos, outro produtor com campo experimental de uva no Califórnia, têm plantadas as variedades Isabel e BRS Violeta, próprias para sucos e vinhos. Mas em outubro de 2018, eles participaram de uma prática de campo da Embrapa sobre enxertia e produziram mudas da uva de mesa BRS Vitória, para ampliar a multiplicidade de frutas no parreiral. Além deles, o produtor Ozeias Beserra adotou um campo de peras no perímetro da Cohidro; e há mais um registro no perímetro irrigado federal Jacaré-Curituba.

Eles receberam todo o material para a construção dos campos, os sistemas de irrigação por gotejamento, as mudas, os insumos apropriados para o desenvolvimento das plantas e a assistência técnica da Embrapa durante dois anos – tempo de duração do convênio. A partir disso, a orientação aos agricultores está sendo dada pelos técnicos da Cohidro, que acompanharam todas as práticas e visitas ao pólo da Embrapa em Petrolina.

Jardim de Infância aprende em horta orgânica cedida pela Cohidro de Canindé

Tito Reis recebeu pequenos alunos e educadoras pra mostrar o trabalho de produção orgânica que faz com agricultores – foto acervo Tito Reis

A fim de aprender como nascem, crescem e para que servem as plantas, alunos da Educação Infantil do Colégio Ágape, em Canindé de São Francisco, na última sexta-feira, 04, estiveram na Horta Coletiva da Associação Sergipana de Orgânicos (Bio5). Local cedido à Entidade pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), na área do Perímetro Irrigado Califórnia, também neste município do Alto Sertão.

Trata-se de um espaço seguro para receber as crianças, pois lá os técnicos agrícolas da Cohidro ensinam práticas de agricultura livre do uso de agrotóxicos, para os produtores orgânicos e àqueles em processo de conversão ao método produtivo. A Bio5, além do treinamento, utiliza dos produtos que são colhidos na horta para comercialização nas feiras da região ou no próprio local, onde o cliente tem a possibilidade de escolher o alimento no pé ou até colher ele mesmo.

Quem recebeu os alunos do Jardim de Infância foi o Técnico Agrícola Tito Reis, servidor da Cohidro em Canindé. Para atender os pequenos visitantes, ele contou com o auxílio dos colegas, também técnicos da Empresa, Joaquim Ribeiro e Roberto Ramos, que atuam no Califórnia.

“Mostramos para as crianças os tipos e as utilidades das plantas. Apresentei para os pequenos alunos como se faz um plantio orgânico. Foi uma aula prática para que eles tivessem uma ideia de como é e de onde vêm as hortaliças que eles comem em casa”, ressaltou Tito. Na horta ele cultiva, com os agricultores, desde hortaliças comuns como alface, couve, coentro, rúcula, cebolinha, berinjela, pimenta de cheiro e mostarda, todas em plena produção; até experiências com alimentos exóticos ao clima Seminário do local, a exemplo do morango, do melão e do gengibre.

A horta fica situada ao lado do escritório da Companhia em Canindé e às margens da rodovia SE-230, que liga a cidade aos outros municípios do Estado. Foi essa visibilidade que fez despertar o interesse das educadoras do Colégio, conforme contou a diretora Ana Paula Cabral. “Foi a escola que procurou. A professora (Geovana Moreira) da educação infantil está dando o conteúdo da ‘utilidade das plantas’. Passando, a gente viu a horta e entramos em contato com a Cohidro. Nos informaram que a pessoa responsável era o Senhor Tito e que trabalhava sem agrotóxico, que é orgânico e achamos bem interessante a proposta”, considerou.

Presidente Felizola – Foto Ascom Cohidro

Segundo o diretor-presidente da Cohidro, José Carlos Felizola Filho, a atividade orgânica neste e em outros perímetros sempre atrai o interesse acadêmico. “Geralmente recebemos visitas de turmas de universitários e de estudantes técnicos, focando nas práticas agrícolas. Mas não é incomum essa versatilidade, que estes espaços oferecem para professores poderem falar da importância do trabalho do homem do Campo e da preservação do Meio Ambiente, principalmente da água, razão da nossa Empresa existir”, reconhece.

Procurando a Cohidro, o Colégio marcou a visita, sob o compromisso do técnico Tito Reis em fazer uma demonstração aos pequenos. “Os alunos ficaram bem interessados. Nosso objetivo foi mostrar na prática aos alunos o que estão aprendendo em sala na teoria. Mostrar o lado prático da questão o que se trabalha de conteúdo em sala, porque a vivência com certeza vai marcar mais do que só falando né? Na sala é só de uma forma mais imaginaria e na prática eles viram, plantaram, pegaram, foi bem legal! As pessoas podem pensar: é educação infantil, eles não vão entender… Muito pelo contrário, eles interagiram muito bem, gostaram”, avaliou Ana Paula, que passou a conhecer o espaço junto dos alunos.

Diretor de Irrigação e Desenvolvimento Rural da Cohidro, João Quintiliano da Fonseca Neto, explica que a transição à agricultura orgânica vem sendo incentivada nos perímetros administrados pela empresa pública, ligada à Secretária de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). “Sem usar o agrotóxico, o consumo dos alimentos se torna mais seguro e a convivência das famílias de agricultores e trabalhadores rurais com a lavoura, fica sem os riscos da exposição aos pesticidas. Também são preservados de contaminação os animais e a vegetação nativa, solo e água”, defende, contabilizando 24 agricultores convertidos e registrados nos seis polos irrigados.

Bio5
Formada por agricultores do Perímetro Irrigado Califórnia, o grupo tem duas produtoras integrantes de uma Organização de Controle Social (OCS), entidade registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para venda direta ao consumidor de produtos orgânicos, e outros seis agricultores interessados à conversão agroecológica, para assim terem também a autorização à comercialização desse tipo de alimento. Além de possuírem o espaço cedido pela Cohidro, para produzir e aprender, os agricultores irrigantes cooperam entre si, inclusive na realização de mutirões uns nos lotes dos outros. Na horta coletiva eles ainda geram três empregos, para trabalhadores rurais cuidarem das plantações.

Felizola recebe visita de cortesia dos Irmãos Kaká e Orlandinho Andrade

Felizola colocou os vizitantes a par das realizações da Cohidro em Canindé – Foto: Ascom/Cohidro

O presidente da Cohidro, José Carlos Felizola Filho, recebeu hoje a visita de cortesia dos irmãos Kaká Andrade e Orlandinho Andrade, respectivamente o senador suplente, que representou Sergipe no congresso em 2014 e o ex-prefeito de Canindé de São Francisco, entre 2004 e 2012. Em pauta, estavam as obras que estão sendo realizadas no município do Alto Sertão Sergipano, desde a recuperação do no perímetro irrigado, passando por novos poços e a reforma de barragens.

No encontro, o primeiro depois de Felizola assumir a administração da Companhia, os políticos que representam o Alto Sertão, trataram de questionar ao presidente sobre o andamento dos projetos em execução e os planos da Cohidro para a Região. Prontamente foram atualizados das ações de recuperação do Perímetro Irrigado Califórnia, que avaliação do gestor da Empresa, é quase uma reinauguração do polo agrícola.

“Via recursos de convênio com a Semarh, o Governo de Sergipe está investindo R$ 199 mil na recuperação dos pontos críticos do Canal N1, obra praticamente pronta e que põe fim aos vazamentos que diminuíam a quantidade que chegava nos lotes do produtores. Pelo Proinveste, Já licitada e com o contrato pronto para assinar está a continuidade da obra de cobertura do canal CT-2. Também, 37 bombas que o Perímetro irá

receber do Proinveste, cinco estão conosco e semana que vem chegam outras 29, para que já nesta terça-feira comecem a ser instaladas nas EBs, aumentando a potência de bombeamento e garantindo mais água para irrigação”, expôs o presidente Felizola.

Felizola ainda colocou os irmãos Andrade a par de ações que ocorrem no assentamento Gualté e adjacências, em Canindé, onde 14 poços foram perfurados e agora estão sendo instalados para atender a demanda do consumo humano, irrigação e dessedentação animal. Esta última, carência também em planejamento de ser atendida em outro projeto sendo elaborado pela Cohidro, na recuperação da barragem em pedra do Assentamento Cuiabá.

Operários trabalham, em pleno São João, na reconstrução das placas de concreto do canal n1 – Foto: acervo de Edmilson Cordeiro

Cata-vendo instalado anexo à bebedouro para o gado – Foto Ascom-Cohidro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Senar-SE e Cohidro buscam parcerias em capacitação técnica e ATeG

Superintendente do Senar-Se foi recebido pelos diretores da Cohidro – Foto Ascom-Cohidro

A fim de disponibilizar o apoio do Senar-SE (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Sergipe), propondo a aplicação de convênios para capacitação de técnicos e produtores nos perímetros irrigados estaduais, o superintendente da instituição, Dênio Leite, veio até a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) nesta quarta-feira, 20. Ele foi recebido pelos diretores José Carlos Felizola Filho (presidente) e João Quintiliano da Fonseca Neto (Irrigação de Desenvolvimento Agrário), que expuseram as áreas de atuação da Empresa onde poderiam ocorrer essas parcerias.

No histórico recente da Cohidro, existem pontuais atividades do Senar-SE nos perímetros irrigados. Há um ano atrás, por exemplo, houve a capacitação de 40 jovens em Canindé de São Francisco, na área de Empreendedorismo Rural, seguido da aplicação do NCR (Negócio Certo Rural), curso voltado para os pais desses, que fazem parte da B5-Jovem. Esse grupo é composto pelos adolescentes filhos dos associados à Bio5 (Associação Sergipana de Orgânicos), formada só por irrigantes do Perímetro Irrigado Califórnia adeptos à produção agroecológica.

Mais recentemente, no mês de maio, a coordenadora do programa de Assistência Técnica e Gerencial do Senar-SE, Luana Aragão, esteve no Perímetro Piauí em Lagarto, avaliando as potencialidades do polo irrigado para uma possível participação na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG). Nesta, o Serviço de Aprendizagem está selecionando municípios sergipanos para o programa, onde grupos de 20 agricultores irão receber, por dois anos, atendimento técnico individualizado e capacitações coletivas, principalmente na gestão técnica econômica de propriedades rurais.

Serão três ramos de produção agrícola os atendidos em Sergipe: o de gado de leite – Programa Sertão Empreendedor em parceria com o Sebrae – o da Citricultura e também na área da Horticultura. Para este último, Lagarto dispõe de número de produtores irrigantes suficientes para compor um destes grupos para a ATeG, tanto na convencional quanto na orgânica. Dênio Leite explicou que a seleção neste programa ainda está acontecendo e as áreas de atendimento da Cohidro são bastante aptas para receber o benefício, mas ele sinaliza que também a aplicação dos cursos de capacitação do Senar-SE pode ser mais frequente nesses perímetros irrigados.

“Na verdade nós viemos com a intenção de tentar fazer uma parceria, para levar capacitação para os técnicos e para os produtores de todos os Perímetros: Tobias, Lagarto, Areia Branca Itabaiana e Canindé, certo? Hoje, com a visita de cortesia pra gente conhecer todas instituições, apresentei qual é o nosso programa, principalmente o programa de educação a distância, ensino técnico a distância e o de assistência técnica gerencial”, revelou Dênio Leite, confirmando que o encontro já gerou um novo compromisso conjunto entre as instituições. “Aí a gente já marcou uma visita lá em Canindé, pra o Senar-SE conhecer o Perímetro. E a gente, depois, sentar e firmar um contrato dessa parceria”.

O presidente Felizola considerou oportuna a visita feita pelo superintendente do Senar-SE à Cohidro, abrindo as portas da Empresa para que a instituição possa atuar. “Quanto mais qualificados nossos técnicos e produtores, mais produtiva será a produção agrícola nos nossos perímetros. O mesmo vale para esses projetos de ATeG, trazendo mais tecnologias ao campo. Isso, para o Governo do Estado, se traduz em um melhor aproveitamento no investimento que é feito na irrigação pública e um acréscimo no retorno disso: renda para o agricultor e alimentação com mais qualidade e menor custo, para a população em geral”, analisou, confirmando presença na visita a Canindé.

João Fonseca abriu opções de ação para que o Senar-SE estude formas de aplicar seus programas nos polos da Cohidro. “Em Tobias Barreto, por exemplo, há o Perímetro Jabiberi onde já existe o Balde Cheio e é um local bastante promissor para aplicar a ATeG e capacitações no ramo da produção de leite. Já em Canindé, no Califórnia existe uma forte produção de goiaba e seria de ampla utilidade atividades no ramo da fruticultura. Já Lagarto, no Perímetro Piauí, o destaque é a produção orgânica, habilitada para receber cursos e assistência para produção, gerenciamento rural e comercialização desse tipo de alimento”, colocou.

Por meio da Força-Tarefa, Cohidro instala 14 poços no Semiárido

Horta irrigada do casal Jaima e Dinho, possibilitada pela poço instalado no assentamento Gualté

A Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) tem feito a instalação de sistemas de bombeamento em poços também perfurados pela Empresa, na zona rural de Canindé de São Francisco, no Alto Sertão sergipano. São 14 poços situados em pequenas propriedades ou em lotes de assentamento de reforma agrária, que terão como função o consumo humano, a dessedentação animal ou a irrigação, onde a água será puxada por bombas movidas à energia elétrica, eólica ou solar. Estas ações são resultado do esforço conjunto da Força-Tarefa de Recursos Hídricos Para o Semiárido, do Governo de Sergipe.

Criada pelo Governador Jackson Barreto, a Força-Tarefa reúne dirigentes, além da Cohidro, da Deso (Companhia de Saneamento de Sergipe), da Adema (Administração Estadual do Meio Ambiente), Ouvidoria Geral do Estado de Sergipe, das secretarias de estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). O Grupo discute e propõe soluções para combater aos efeitos da estiagem sobre às populações da região semiárida, buscando identificar as localidades mais afetadas e com mais urgência de ações.

Presidente da Cohidro, José Carlos Felizola Filho explica que a Força-Tarefa se reúne periodicamente e já houveram viagens, como a feita ao Ceará, em maio passado. “Fomos recebidos lá pela SRH (Secretaria dos Recursos Hídricos) que nos levou para conhecer o trabalho realizado pela sua subsidiária, a Cogerh (Companhia de Gestão de Recursos Hídricos). Essa Companhia, lá faz um trabalho que é referência à nível internacional, tanto na obtenção e conservação de água no Semiárido, quanto da gestão desses recursos hídricos, pela forma como delibera o fornecimento de água para o consumo humano, para indústria e para a agricultura”, avaliou.

Assentamento de reforma agrária em Canindé, o Gualté possui 30 famílias assentadas. Uma delas é chefiada pelo casal de agricultores Jailma Pereira de Lima e Orlando Ferreira da Silva (Dinho). Em junho, eles iniciaram plantio de horta com cebolinha, coentro, tomate e alface. Também tem um plantio maior de feijão de arranca e noutra parcela, tem capim elefante, uma espécie de gramínea do gênero Cynodon e sorgo, estes últimos plantados para a alimentação de animais que pretende comprar.

Isso tudo só foi possível a partir da instalação do sistema de bombeamento, movido à energia elétrica, em um dos poços perfurado pela Cohidro, que puxa a água até um reservatório que depois é rebombeada para a irrigação. “Logo que saiu a instalação dos poços, a gente tinha um crédito de financiamento de R$ 7 mil. Então investi nas bombas e na irrigação da área, agora plantada. Quero pôr quatro vacas leiteiras e algumas ovelhas usando este capim”, relatou Dinho, sobre o poço de 60 metros de profundidade e vazão de 8 mil litros por hora (l/h), perfurado em sua área e que hoje irriga 1,6 hectares de seu lote no Assentamento.

Paulo Henrique Machado Sobral, diretor de Infraestrutura e Mecanização Agrícola na Cohidro, conta que o as equipes da Empresa alternam o modelo do equipamento, conforme for a disponibilidade do local onde fica o poço. “Onde existe acesso às redes elétricas, estão sendo instaladas, com recursos da Companhia, moto-bombas. Onde não há energia ou serão montados cata-ventos, ou bombas movidas à energia solar, a partir de placas de captação fotovoltaicas, todos doados também pela Empresa”, relatou. Noutros casos, como do lote do agricultor Evani Barbosa, a instalação teve que ser adiada até que a eletricidade, conforme foi acordado, seja ligada ao poço com as especificações técnicas necessárias.

Dos 14 poços, oito foram instalados e estão funcionando. Os três primeiros usam da energia eólica para puxar a água do poço, conforme disse o chefe da Divisão de Instalação e Manutenção de Poços (Dipoços) da Cohidro, Roberto Wagner. “O primeiro poço instalado foi também no Gualté, no lote de Cleberton dos Santos onde um cata-vento triangular com torre de dez metros, produz em média uma vazão de 900 l/h. O segundo encontra-se no lote do produtor José Rodrigues dos Santos, que também recebeu a mesma instalação do primeiro poço e produz 800 l/h, mesma quantidade do agricultor Juarez Alves de Matos, do terceiro poço”.

Roberto Wagner informou ainda que no povoado Pedra de Amolar, também em Canindé, foi instalado outro cata-vento, na propriedade rural de Roque Araújo Rios, em um poço de onde se obtêm água na proporção de 840 l/h. Voltando ao assentamento Gualté, no lote de Edmundo Marinho, foi instalado uma moto-bomba submersa ao poço, produzindo em uma vazão de 4.350 l/h. O mesmo se deu nos poços dos também assentados Sebastião Bezerra e José Estevão, só que com bombeamento atingindo 9.840 l/h e 10.500 l/h, respectivamente.

Última atualização: 17 de outubro de 2017 10:03.

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