Horta de Colégio Estadual busca apoio da Cohidro para se expandir

Horta comunitária do Colégio tem boa variedade de hortaliças – foto: acervo Sônia Loureiro

Projeto que já caminha para completar um ano, a horta comunitária criada no Colégio Estadual José Rollemberg Leite tem dado lição de organização, com os alunos participando da produção de rúcula, coentro, cenoura, pimentão, pimenta, cebolinha, couve e alface, cultivados sem o uso de agrotóxicos para consumo na merenda escolar, levar para casa e até venderna feira do Conjunto Agamenon Magalhães, onde está situada a unidade de ensino de Aracaju. Buscando aumentar a produtividade do espaço, a partir da irrigação e assistência técnica os idealizadores procuraram o apoio da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro).

A empresa pública, que além da perfuração de poços tubulares em todo Estado, acumula a função de fornecer água e assistência técnica para seis perímetros irrigados desde 1997. Nesses polos agrícolas que atende principalmente a Agricultura Familiar, o cultivo de hortaliças acaba sendo a atividade mais comum e com isso, a experiência acumulada por seus técnicos e agrônomos também é bastante ligada ao assunto. Desta forma, a Diretoria de Irrigação de Desenvolvimento Agrícola recebeu com apresso a solicitação do Colégio, que quer ampliar a horta hoje com 750 metros quadrados contanto, para isso, com um sistema de irrigação.

“É um trabalho muito dedicado dos professores, coordenadores e principalmente destes alunos que no ato de aprender, estão indo muito além e produzindo alimentos, gerando renda e aprendendo o que é e ter acesso à alimentação saudável, tanto pelo consumo de vegetais, quanto por esses produtos serem, garantido pelos próprios alunos, livre do uso de agrotóxicos. Vamos destacar nossos técnicos, acostumados a lidar com a orientação dos horticultores, para prestar assistência à Escola. Também vamos fornecer alguns implementos para montar um sistema de irrigação para melhorar e ampliar o tamanho da horta, com um sistema de irrigação que economize água e aumente a produção”, anunciou o diretor João Quintiliano da Fonseca Neto.

Mais de 100 alunos de cinco turmas estão engajados no projeto, Franciele Melo Alves, do 2º ano A, conta eles participam de todas as etapas que envolve a lida na horta. “A gente limpa, irriga, colhe, que é para vender na feira e também para consumo na Escola. Plantamos também, ajudando ao rapaz que toma conta da horta que é o seu Givaldo”. Ela destaca que além da lição que se tem no trato com a terra e as plantas, inserida na disciplina de Biologia, eles também ampliam os saberes quanto a melhorar os hábitos na alimentação. “A gente não aprende só a plantar, mas também para que serve, benefícios, aprender como utilizar. Como distribui também no colégio, para alguns alunos, passamos a comer mais verduras do que antes, porque temos acesso e não precisa ir à feira. E na feira tem agrotóxico, na escola não!”, avaliou.

Professor de Biologia de toda essa garotada que participa da horta, Fernando Leite foi quem propôs a ideia à direção do Colégio e conta com tudo começou. “Na verdade, essa horta não é somente para os alunos, a gente queria expandir também para as famílias e para a coletividade que está em torno da escola. Então nós observamos que existia uma área ociosa, uma área tomada de lixo. E aí, fizemos um mutirão com os alunos, contratamos um pessoal para pode fazer a limpeza da área e depois começamos a comprar os insumos. Essa compra foi feita praticamente de forma voluntária, a Escola não tinha a menor condição de apoiar financeiramente e nós fomos fazendo aos poucos”, explicou.

Talvez o que mais tenha contribuído com o sucesso do projeto tenha sido por casar com os anseios da administração do Colégio. “A gente conversando com Fernando Leite para fazer alguma coisa que movimentasse os alunos, que aproveitassem a área que estava abandonada com o mato crescendo e aí a gente achou que a horta seria uma coisa bem viável, para movimentar os alunos e criar um ambiente pedagógico interessante assim como alternativa da sala de aula também”, expôs Alexandre José de Jesus, coordenador pedagógico do Rollemberg Leite.

Alexandre adverte, porém, que todo começo não é fácil, mas que os obstáculos têm sido superados e que pretendem ampliar a influência que o projeto tem na grade curricular do Colégio. “Tem uma dificuldade quando você começa algo, de fazer com que todas as pessoas se engajem. Os professores estão engajados, eles contribuem sempre no que pode contribuir, mas no meu entendimento as possibilidades que essa horta para se trabalhar em todas disciplinas é muito grande e a gente ainda tem muito para melhorar”, complementa.

Presidente da Cohidro, José Carlos Felizola Filho, por si só tem a convicção de que as instituições governamentais devem cooperar entre si, ainda mais em um projeto que influi com benefícios que vão além dos muros do Colégio Estadual. “Estão de Parabéns. Muito bom saber que tem gente interessada em bem mais do que ensinar as regras dos livros e está disposta a ir para fora da sala de aula e mostrar mais do mundo para os nossos cidadãos do amanhã. Soube que eles querem comercializar essa produção sem agrotóxico, feita pelos alunos, com todo amparo da legislação regulatória para ser um alimento classificado como ‘orgânico’. Estamos sempre capacitando e auxiliando nossos agricultores irrigantes quanto a isso e podemos sim colaborar também com esta missão”, constou.

 

O professor Fernando enumera os muitos motivos para justificar o merecimento de apoio ao seu projeto. “Hoje é a maior produção de orgânicos de escolas públicas em Sergipe, é um feito importante, que agora nós queremos manter.Para manter e crescer, precisamos de parcerias.Não é possível manter uma horta daquelas, apenas com o que nós arrecadamos com as vendas, que nós fazemos de forma esporádica.Nós não podemos manter somente com isso, porque temos que ter irrigação plena. É por isso que essa parceria com a Cohidro, a gente acredita que vai vingar e que a gente possa ampliar e manter a obra, para servirmos de modelo para outras escolas. A escola tem uma área maior do que isso e nós queremos ampliar até para produzir raízes, conseguir semente para o milho, feijão, quiabo”, concluiu.

Última atualização: 7 de março de 2019 17:15.